“Barrar esse aumento será inevitável” [*]

Em São Paulo, manifestantes da Rede de Luta Contra o Aumento realizam ato contra o reajuste na tarifa de ônibus. A resposta da Prefeitura foi certeira: bombas, balas de borracha, espancamentos e prisões, num ataque covarde da PM à manifestação. Mesmo com a dura repressão, as mobilizações continuarão nas próximas semanas.

ato-1No primeiro ato de resistência ao aumento, realizado no último dia 07, o clima descontraído e festivo da manifestação deu lugar ao horror de uma população declarada alvo do ataque da Polícia Militar de São Paulo. Convocada pela Rede de Luta contra o Aumento – uma ampla rede que aglutina pessoas e diversos movimentos e organizações políticas – após o anúncio da Prefeitura de reajuste nas passagens de ônibus na cidade, que passou de R$ 2,30 para R$ 2,70, a idéia da manifestação era promover um ato animado e divertido, com batucada, apitos, faixas, confete e serpentina, chamando a atenção da população para a luta contra o aumento e distribuindo materiais sobre o tema.

Os cerca de 500 manifestantes reuniram-se no Teatro Municipal e de lá partiram pelas ruas do centro para o Terminal Parque Dom Pedro, um dos maiores da cidade. Apesar do caráter lúdico da manifestação, as provocações constantes da PM criaram uma atmosfera de tensão durante todo o ato.

À violência econômica cotidiana imposta pela cobrança da tarifa somou-se a brutalidade da repressão policial. As cenas que pudemos ver mostraram mais uma vez a crescente criminalização das lutas sociais. Ao tentarem entrar pacificamente no terminal, os manifestantes foram recebidos pela Polícia com bombas, balas de borracha, spray de pimenta e cassetetes. Além dos manifestantes, toda população que se encontrava nas proximidades do terminal se tornou alvo do ataque policial, como moradores de rua e vendedores ambulantes, tradicionais vítimas da violência da Polícia.

Diversos manifestantes foram seriamente atingidos, muitos deles espancados pelos policiais. Além dos feridos, 4 pessoas foram detidas (incluindo uma menor de idade) sob alegação de “desacato a autoridade” e “resistência à prisão” e encaminhadas à delegacia, onde prestaram depoimento e foram liberadas após a assinatura de termo circunstanciado, que pode resultar ou não em processo judicial, dependendo da decisão do Ministério Público.

ato-3Durante todo o período que seguiu, o centro de São Paulo foi palco de uma perseguição policial que mesmo muitos minutos depois do ataque à manifestação e em locais distantes dali intimidava aqueles que eram alvo das ameaças contidas nas “abordagens policiais”.

Mesmo após a repressão, cinicamente negada pela assessoria e pelo Comando da Polícia, que negou a existência de feridos e não soube explicar o que motivou o ataque policial, um novo ato está marcado para ocorrer na quinta-feira, 14 de janeiro, com concentração às 16h30 em frente ao Teatro Municipal.

Além deste novo ato, a Rede de Luta Contra o Aumento continuará realizando manifestações toda quinta-feira no centro, com diversas outras ações em diferentes lugares da cidade, indicando disposição para travar uma luta que exigirá fôlego e a incorporação de novos atores, ampliando a mobilização. Crucial para a vitória desta e de outras lutas será a solidariedade dos movimentos. Passa Palavra

[*] Slogan da Rede de Luta Contra o Aumento.

Uma resposta para ““Barrar esse aumento será inevitável” [*]”

  1. Olá,

    Para nós, que estávamos presentes durante toda a manifestação, a truculência da polícia realmente destoou do clima de indignação e vontade de tomar as ruas da população que compareceu ao ato.

    Não que a polícia tenha outro papel em manifestações e conflitos sociais. Agora, uma questão supreendente é o despreparo dos policias em relação a reação das pessoas que esperavam os ônibus no Terminal Parque Dom Pedro e começaram a gritar em apoio ao Ato. Um início de identificação e solidariedade – que deve, com certeza, ser melhor desenvolvido.

    O que, realmente, aponta para duas perspectivas: 1) a necessária articulação efetiva com setores mais amplos de comunidades, sindicatos e movimentos sociais; 2) a continuidade das ações de rua, panfletagens, diversas formas de se comunicar com as pessoas na cidade e, principalmente, de questionar a legitimidade do aumento.

    Seguimos a conversa.

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