Passe livre estudantil: Perspectiva dos trabalhadores x perspectiva dos gestores (e dos patrões)

Sob a ótica das cabeças que pensam-e-lutam, não é “hora de festejar as conquistas alcançadas”. Só vamos realmente festejar quando abolirmos todas as catracas. Por Fran e Dan 

“Se nada mais fizer nos dois anos de mandato que tem pela frente, o prefeito da cidade de São Paulo, Fernando Haddad (PT), já terá feito história. Pela primeira vez, será implantada na megalópole paulista a ideia de passe escolar gratuito para 505 mil estudantes (360 mil alunos da rede pública e 145 mil de escolas particulares, mas de baixa renda, incluindo os que fazem cursos superiores)”.

É assim que começa um recente artigo [1] escrito por nossa querida companheira, Laura Capriglione (da excelente Ponte Jornalismo), a nosso ver porém cometendo um erro crasso de formulação. Tanto do ponto de vista do jornalismo crítico (comprometido com as questões sociais, característica marcante da própria Laura), como do ponto de vista histórico – a qual ela abre o artigo remetendo.

Gestores_7Um erro jornalístico porque qualquer adolescente na cidade de São Paulo – a começar por aqueles que serão beneficiados pela já anunciada implantação do passe livre estudantil para o horário escolar – sabe que esta conquista ainda é fruto da Luta Contra a Tarifa realizada em Junho de 2013 em São Paulo (depois espraiada para várias cidades do país inteiro). Fernando Haddad não faria esta concessão caso não tivesse como sombra na sua janela a possibilidade de uma “nova Jornada de Junho”. Aliás, originalmente, ainda no início da sua gestão, ele queria aumentar os famosos 20 Centavos, sem nenhuma contrapartida aos trabalhadores. Contrariando a própria linha política municipal de seu partido (pouco antes, em 2011, o PT havia entrado na justiça contra o aumento da tarifa para R$ 3,00 proposto – e efetivado – pelo então opositor Gilberto Kassab [2]).

E Laura comete também um grave erro do ponto de vista histórico, pois acaba incorporando em seu artigo a perspectiva historiográfica positivista da narrativa protagonizada pelas “grandes personagens políticas” (Fernando Haddad) e seus “grandes feitos factuais” (implantação do passe escolar gratuito). E não uma perspectiva historiográfica crítica, que lê a história a partir dos processos econômicos, sociais, políticos, culturais e simbólicos que a engendram e a constroem. A própria Laura, linhas adiante em seu artigo, reconhece: “A indignação dos usuários do transporte coletivo transformou-se em raiva e explodiu em manifestações violentas, que obrigaram o prefeito a tomar medidas de importância histórica, das quais o congelamento da tarifa em R$ 3, naquele momento, foi só o começo” [Grifos Nossos].

manifestacao-catracasOu seja, do ponto de vista histórico dos trabalhadores (e não da perspectiva política dos gestores), quem fez e continua fazendo história é o movimento Passe Livre São Paulo – e todos e todas que saímos e continuamos a sair às ruas para barrar os aumentos de tarifas e lutar pela Tarifa Zero. Por que, então, a companheira Laura não começou o seu referido artigo escrevendo: “Se nada mais fizer nos próximos dois meses, o Passe Livre São Paulo já terá feito história!”? Um erro de formulação, na nossa humilde opinião, que não é só da Laura, na verdade é muito comum, aliás, da direita à esquerda do espectro político, e por isso estamos dando o devido destaque aqui: quem já não cansou de ouvir por aí que “Haddad vai DAR o Passe Livre para os Estudantes de SP”? Ora, estes gestores do Estado não dão nada para ninguém!

Mais grave do que isso, nossa companheira Laura acaba fazendo outra leitura equivocada da recente proposta de aumento (de 50 centavos numa tacada só!) feita por Fernando Haddad. Alinhada, consciente ou inconscientemente, com a perspectiva petista-governista, ela enfatiza em seu texto apenas as conquistas cedidas pelo Prefeito, porém negligencia a concessão feita por Haddad à Máfia dos Transportes, sobre a qual ele teria sido forçado, nas palavras de Laura, a “arrombar a caixa-preta”. O Passe Livre São Paulo, conclui ela, não passaria de um movimento que insiste numa “cegueira sectária”, afinal de contas, por insistir em não reconhecer as dádivas concedidas a ele e à “população carente de São Paulo” pelo Prefeito.

Nossa compa Laura deliberadamente menospreza que haverá um aumento significativo no Bilhete Único, sim. Serão mantidos apenas os valores relativos aos modais do Bilhete Único (diário – R$10; semanal – R$ 38; e mensal – R$ 140), fato que a própria Laura reconhece no seu artigo. O quê ela ignora é que, hoje, tais modais são utilizados por uma ínfima parcela da população (há estimativas que seja apenas 1% dos usuários do Bilhete Único comum [3]). O Bilhete Único comum, usado pela imensa maior parte do povo, de acordo com a proposta anunciada pelo Prefeito subirá pra R$ 3,50. Laura contra-argumenta que bastaria a população “migrar” para os modais. Ocorre que, para quem anda frequentemente de ônibus, simplesmente não compensa. Na ponta do lápis, não compensa utilizar o BU modal: se a pessoa rodar muuuito a cidade, gasta no máximo cerca de R$ 180 por mês, e para migrar terá que arcar com R$ 230 no BU mensal integrado.

A crítica à lógica do Bilhete Único Mensal do Haddad, por sinal, já fora feita neste site aqui pelo próprio MPL, em artigo de 2013: “O preço atualmente estimado para o Bilhete Mensal corresponde a pouco menos do que gasta hoje um trabalhador que usa só ônibus em uma jornada semanal de seis dias. O usuário que faz menos de 47 viagens no mês, ao aderir ao sistema, terá um custo que não tinha anteriormente, e que pode ser difícil de pagar. Dessa forma, o Bilhete Mensal torna-se mais um bônus para aqueles que já utilizam muito o transporte público, do que uma política de inclusão daqueles já excluídos diariamente do transporte. Vale lembrar que 55% dos usuários não recebem Vale Transporte [4a]. Como fica a situação deles, dos trabalhadores informais, dos autônomos, dos desempregados, daqueles que, além de não receberem o benefício, não têm qualquer garantia de renda fixa?” [4]. Fora a dificuldade de juntar dinheiro em grandes quantidades – para além dos trocados do dia-dia, para arcar com o custo pago à vista (antecipado) pelos modais. Os trabalhadores precarizados e/ou desempregados entendem bem sobre o quê estamos falando… Aliás, achar que a atual baixíssima adesão aos modais, de apenas cerca de 1% dos usuários do Bilhete Único normal, é por falta de informação, seria muita prepotência da parte de quem quer que fosse. Todo mundo faz as contas e, se for possível, procura economizar.

Gestores_4Porém, dados, contas e planilhas à parte, a grande questão que fica para nós e deixamos fraternalmente à companheira Laura é a seguinte: do ponto de vista dos trabalhadores e trabalhadoras (e não dos gestores municipais, muito menos dos patrões da Máfia dos Transportes), qual é a melhor alternativa prática para se lutar hoje por mais avanço no direito ao transporte, à mobilidade e à cidade para todos trabalhadores e trabalhadoras? Respeitar o calendário institucional (do aumento, das licitações das audiências “públicas” etc) e, por enquanto, convocar atos para parabenizar o gestor de esquerda pelas concessões já anunciadas (ao custo de muita luta)? Ou seguir lutando, desde já, para que o ainda caríssimo preço das passagens diminua ou, ao menos, não aumente mais para quem quer que seja?

A própria Laura, que é uma pessoa notadamente de esquerda, escreve em seu referido artigo: “a auditoria independente, feita pela empresa de consultoria Ernst&Young, para abrir a caixa-preta dos contratos da Prefeitura com as empresas de ônibus (…) verificou que o lucro estipulado em 2003 para as concessionárias do serviço de ônibus está absurdamente alto. Hoje, é limitado a 18%, embora o cenário atual considere adequado remunerar o investimento na base de apenas 7,2%”. Por que então não atacar imediatamente o lucro destas empresas – fazendo-as subsidiar tanto o anunciado “passe livre escolar” como a manutenção do preço da tarifa no patamar já caro que ela está (R$ 3,00), ao invés de propor novo reajuste da tarifa para uma parcela expressiva da população (trabalhadora)? Dinheiro é o que não falta a elas, como a própria consultoria, contratada pelo Prefeito, constatou. Argumentos técnicos e políticos também não faltariam, portanto. Até integrantes do Conselho Municipal de Transportes – criado pelo próprio Haddad para legitimar suas políticas para o setor – estão se manifestando contra o aumento da tarifa, além de criticarem a maneira como a decisão foi tomada sem consultá-los, nem qualquer diálogo/participação da população [5]. A única coisa que talvez esteja faltando, portanto, é… mais luta autônoma e mais pressão popular. Mais “participação”, para evocar um termo que toda a esquerda adora – e cada um utiliza a sua maneira.

Gestores_1Se fosse para escrever e intervir do ponto de vista dos gestores, o que a Laura poderia ter feito era puxar a orelha do Prefeito Haddad pela desastrosa decisão política de trazer para o seu colo os holofotes políticos e a responsabilidade de uma provável nova “Jornada de Junho”, num momento em que os gestores recém-reeleitos Dilma Rousseff (no âmbito federal) e Geraldo Alckmin (estadual) é que estavam com a batata quente política nas mãos. Dilma se esforçando para compor um novo governo mais à direita do que a própria direita original poderia sonhar; e Geraldo Alckmin na iminência de ser devidamente responsabilizado politicamente, como gestor há quase 20 anos deste estado, por um dos maiores colapsos hídricos (portanto sócio-ambientais) de que se tem notícia em toda história do planeta. Tanto que Alckmin está quietinho, saindo à francesa, e ele inclusive também já anunciou sua intenção de implantar “tarifa zero para estudantes” à reboque do anúncio do Prefeito (devemos agradecer e festejar também este gesto nobre de Alckmin? [6]). Haddad, porém, com a sua “cabeça de planilha” [7], não se conteve em se adiantar e – para de algum modo também agradar os empresários (sic) do transporte – atrair todo o foco político para si.

Que o Prefeito e seus assessores mais próximos insistam em ter “cabeça de planilha” e atuem sob a lógica dos gestores – respaldando os respectivos patrões da cidade, vá lá! Agora, um dos maiores estragos destas décadas de governos petistas, nas mais diversas instâncias do Estado brasileiro, talvez tenha sido justamente esta: ter introjetado, espraiado e naturalizado para grande parcela da esquerda brasileira, consciente ou inconscientemente, a ótica e a lógica dos gestores (do Estado Capitalista), fazendo boa parte dela se distanciar da perspectiva cotidiana, teórica e prática, dos trabalhadores e trabalhadoras.

Sob a ótica das cabeças que pensam-e-lutam, não é “hora de festejar as conquistas alcançadas”, nem de simplesmente “comemorar quando empurra seus governantes a fazer o que é certo” – como sugere a Laura. Quem espera não faz a hora. A história da luta de classes é muito viva, não para, e os trabalhadores e trabalhadoras só vamos realmente festejar quando abolirmos todas as catracas da Cidade, do Estado e do Mercado. Dos pés às cabeças.

2015 promete!

 

NOTAS

[1] Ler o artigo completo aqui:“Ônibus de graça para os estudantes carentes e de escolas públicas alivia o orçamento de famílias pobres de São Paulo”

[2] “PT vai à Justiça contra tarifa de ônibus a R$3,00” (Rede Brasil Atual)

[3] Conforme matéria recente feita pela Folha de S. Paulo: “Após um ano, Bilhete Único Mensal alcança apenas 6% da meta”
[4] “Reflexões sobre o Bilhete Único Mensal”

[4a] Conforme: http://www.viomundo.com.br/politica/conceicao-lemes-na-polemica-sobre-o-bilhete-unico-mensal-quem-nao-esta-entendendo.html

[5] Conforme recente postagem no Facebook: https://www.facebook.com/ArruaColetivo/posts/1572205749659013

[6] Conforme noticia-se aqui: “Alckmin quer liberar estudantes de tarifa de R$ 3,50 a partir de fevereiro”

[7] Expressão precisa de Paulo Arantes, na entrevista “O futuro que passou”.

9 respostas para “Passe livre estudantil: Perspectiva dos trabalhadores x perspectiva dos gestores (e dos patrões)”

  1. Olá! É um bom texto, embora antipedagógico, de autor escondido (quem escreveu?)e de uma imprudência metodológica escancarada, pois quem escreve fala claramente pela classe trabalhadora, sendo que este não é a classe! Concordo com a análise das lutas históricas dos trabalhadores e o passe livre para estudantes é reflexo dessa luta, que sinto dizer, se não vivêssemos um governo municipal minimamente democrático dificilmente a batalha seria vencida. Ou o escritor acha que o Alckmin super democrático copia Haddad por puro progressismo? ou acha ainda que o Kassab atenderia essa demanda social? É bom entender um pouco do jogo político. Eu gostaria de saber quando o mesmo vai escrever um texto relatando o aumento do Metro e Trem, ou trabalhador só pega bumba? Espero também que o autor do texto não escreva de sua bela casa em algum pico boy de sampa mantido pelos papis, caso contrário, não representa nenhum pouco a tão exaltada classe trabalhadora!

  2. muito boa retificação dos autores do texto. O Haddad será blindado com todos os dentes pelos “apoiadores críticos” petistas contra qualquer crítica de esquerda, ele é “a nova política” na versão deles. Uma aposta para 2018?

    só faço uma correção: a expressão cabeça de planilha, até onde sei, é do jornalista Luis Nassif, que tem inclusive um livro com este título. Outra coisa: o link para a entrevista do Paulo Arantes está quebrado.

  3. O comentário do Regis é um ótimo indício de que o texto realmente incomodou o círculo petista-governista: na falta de contra-argumentos, tentou partir pra deslegitimação do(s) autor(es). Excelente!

    Pseudônimo ou não – de nada importa isto pra nós, Regis ainda insiste em creditar os méritos e os louros do Passe Livre Estudantil na conta do Prefeito Haddad. Na visão dele, Alckmin não teria baixado a tarifa caso Haddad não tivesse o puxado/incentivado/inspirado, tampouco Kassab o teria feito. A memória curta e seletiva de Regis esquece, porém, que em 2013 fora Alckmin que tomara a iniciativa de ceder às pressões populares do MPL e dos movimentos autônomos que estavam nas ruas, tendo telefonado para o Haddad no auge de sua crise e dito: “Eu vou anunciar a redução das tarifas: se você quiser me acompanhar, venha aqui em casa no Palácio dos Bandeirantes, saia na foto comigo, mas se manifeste apenas depois de mim”. E assim foi (https://www.youtube.com/watch?v=qQ6E9MZxRfM).

    O raciocínio de Regis tb não explica as diversas dinâmicas políticas de outros estados, de matizes políticas das mais variadas, que tiveram todos que ceder em 2013. Mas firmeza: mantenhamos a ilusão de que Haddad é realmente o novo, democrático-popular etc e tal. Como diz Regis, o estrategista: “é bom entender um pouco de jogo político”.

    Sobre os aumentos de Metrô e Trem, os autores deste texto – tomo a liberdade de falar pela Fran tb – acompanhamos totalmente o posicionamento do MPL: radicalmente contrário a qualquer tipo de aumento seja de busão, trem, metrô, lotação, integrado etc.

    Ocorre que a nossa ideia principal neste texto específico era dialogar e desconstruir a linha de defesa da gestão Haddad desenvolvida pela companheira Laura Capriglione no referido texto que serviu de mote para o artigo (https://br.noticias.yahoo.com/blogs/laura-capriglione/onibus-de-graca-para-os-estudantes-carentes-e-das-223413924.html). Sobretudo porque não se trata de uma visão apenas da Laura, mas como dissemos em nosso artigo, a perspectiva da classe dos gestores – hegemônica atualmente no Brasil, que foi “introjetada, espraiada e naturalizada para grande parcela da esquerda brasileira, consciente ou inconscientemente, a ótica e a lógica dos gestores (do Estado Capitalista), fazendo boa parte dela se distanciar da perspectiva cotidiana, teórica e prática, dos trabalhadores e trabalhadoras.”

    Nosso diálogo autocrítico prioritário é com a esquerda anticapitalista e os nossos inimigos ocultos (pessoais, práticos e teóricos) que se espraiam em nosso meio. Escrever mais um texto constatando o quão de direita é Geraldo Alckmin, o PSDB e o seu Tucanistão?! Isto pode ser muito útil para o caquético petismo (e pra manutenção dos gestores petistas em seus cargos), que se alimenta desta eterna (falsa) polarização sobretudo a cada nova eleição: não para nós anti-capitalistas.

    Sobre a casa e a condição financeira dos autores: moramos na Zona Leste, eu na Vila Prudente e Fran em Sapopemba (bairros mais ou menos vizinhos), mas trabalhamos no Centro (eu no Bixiga e Fran na Sé). Por isso vamos e voltamos juntos de metrô e busão boa parte do caminho. E é no caminho que tem surgido boa parte dessas linhas mal-traçadas a quatro mãos (este não é o nosso primeiro texto aqui no PP: http://passapalavra.info/2014/12/101252) – e para além delas, pois grande parte de nosso conhecimento é coletivo. Aliás, é daí que deriva o desprezo pela vaidadd autoral acadêmica dos nomes-e-sobrenomes dos currículos que lattes mas não mordem. Seria pedir demais pra você, compreender a ironia embutida na escolha deliberada de assinar o texto apenas com singelos apelidos – que poderiam ser de qualquer um/a usuário/a de busão?

    Como já disse o guerreiro Brecht, certa vez: “Ele(s) pensava(m) na cabeça de outro(s), e outro(s) na(s) dele(s) pensava(m): este é o verdadeiro pensamento!”. Coletivo, crítico, dialético – para usar termos bonitos.

    Mas se você quiser o nome completo de ambos, cic, rg, foto 3×4, comprovante de residência, cópia da carteira de trabalho, carta de referência etc e tal: manda o seu e-mail que a gente te envia inbox, truta! Fica tranquilo que aqui tem longa caminhada, e o quê não falta é disposição! ;)

  4. Valeu pelas observações, compa Lucas! Com certeza tentarão blindar o Haddad até onde for possível, mas eu pessoalmente não creio que ele seja aposta do campo majoritário do PT para 2018. aliás, do que sobrar do campo majoritário e do PT até lá, pois a tendência daqui em diante é este longo projeto de poder-pelo-poder entrar em crescente frangalho e disputas fratricidas – pelos espólios e cargos – a cada nova crise econômica e política. O grupo de Marta Suplicy, e a sua nova postura, talvez tenha sido apenas a primeira manifestação mais contundente do que está por vir… E, neste cenário, cada um vai querer apenas salvar o seu – sem apostar em nenhum outro “companheiro” recente no ninho…

    Valeu pela correção sobre a expressão “cabeça de planilha”: realmente lembrávamos apenas de memória esta entrevista do Paulo, e como queríamos que o texto-resposta saísse logo, nem tivemos o cuidado de fazer todas as correções, conferências, e revisões (incluindo as notas e bibliografias) que talvez o texto pedisse.

    O próprio PP acabou publicando uma versão do texto anterior à versão final que tínhamos enviado, mas firmeza. Acho que a ideia central que gostaríamos de passar foi passada – e vamos ver com os compas do PP se é o caso de atualizar estas correções para efeito de registro histórico.

    Abraço firme procê, Compa! E seguimos trocando essa ideia…

  5. Falar mais o quê, Dan, pra esse vacilão do Regis, que está mais com cara de troll petista (P2 ou PT2 ?) do que qualquer outra coisa… Você já disse tudo aí em cima! kkkkk

    Da próxima vez a gente escreve um artigo contra os Tucanos, o PIG e o Jair Bolsonaro: A DIREITA BUUUHHH! Tá bom assim pra você, Regis?

    Quanto às colocações do Lucas: obrigada pelas correções compa! Em relação ao Haddad, eu já acho que ele será blindado sim ao máximo, principalmente pela esquerda vila madalena. ele é o grande sonho de consumo dessa esquerda pra “renovação do PT”, visando 2018 e além. E, de fato, ele é melhor mesmo que os seus correligionários do campo majoritário petista, tanto por parte de sua equipe e de algumas políticas públicas que têm sido melhores para xs trabalhadorx, como pelos erros táticos impressionantes – que facilitam a nossa luta autônoma. Mas esta é apenas minha opinião pessoal de pronto assim, precisaria pensar mais sobre o assunto.

    Em relação à “cabeça de planilha”, nossa, curioso que o Luis Nassif tenha cunhado a expressão originalmente: ele que também é bem afeito ao Excel, sobretudo aos lucros pessoais que os patrocínios aos seus blogs têm gerado – ao custo de fazer todo o trabalho sujo pró-governismo. Talvez uma “cabeça de planilha” mais sofisticada, com um tempero intelectualizado de esquerda e tchais. Eu não tinha lido a entrevista com o professor Paulo Arantes – foi o Dan que me indicou – o link correto http://www.estadao.com.br/noticias/geral,o-futuro-que-passou,1045705 – mas ela é muito interessante para o quê estamos discutindo aqui. Numa certa altura o professor alerta: “para evitarmos o risco de uma derivação autoritária, será preciso que governantes municipais, estaduais e federais deixem de lado suas ‘cabeças de planilhas’ e levem a sério a reivindicação radical de cidadania expressa nas ruas”. Era bem isso que queríamos dizer com o nosso texto. E parece que, passados quase dois anos, tanto o nosso prefeito Haddad não aprendeu a lição, quanto já o seu próprio filho, Frederico Haddad, tão jovem tadinho, já insiste em reproduzir a mesma lógica planilhenta: https://www.facebook.com/frederico.haddad.7/posts/491685907635886. Se liguem na quantidade de contas que o filho faz para tentar justificar as recentes medidas do pai. Impressionante!

    Enfim, sigamos a prosa entre companheirxs!

    Bjos,
    Fran

  6. não adianta ser trabalhador e de esquerda. tem que ser trabalhadora, negra, periférica, nordestina e, de preferência, que não seja heterossexual cis-gênero. aí sim tem legitimidade pra falar da tarifa do busão! se não é + 1 uzomi esquerdomacho, que a gente já tá ligada como é! não vão nos calar!

  7. Traímos nossa classe! Tá bom?!

    Eu posso trair minha classe, por favor?

    Deixa eu lutar tb, pombas!

  8. Numa das cachoeiras da mata do Iguatemi, a mais próxima da sua roça no fundão da Estrada do Palanque – Z/L, um trabalhador branco (vulgo “Boy” ou “Alemão”), oriundo de Arapiraca-AL mas há muito radicado na Babilônia SP, sempre correndo pelo certo, faz o seu ebó contra os principais inimigos. Sangue fervilhando nos olhos, mesmo com a garoa apertando, garrancha os planos numa folha de papel (pra num deixar rastros), debaixo de uma árvore pouco mais parruda: trucidar os barões dos palácios, os gestores da classe mérdia, os vermes de toda parte, os bota de sempre e toda trairage que faz escola com eles, os patrões da própria quebra, e as cobra criada no quintal de casa. Não queria ter que começar por elas, mas…

    Em meio ao batuque que pulsa na sua Orí, espiral mameluca ancestral, ferve seu sangue, gira seus olhos e vai tomando todo seu corpo, na mente vem também Racionais MCs: “Chuva cai lá fora e aumenta o ritmo / Sozinho eu sou agora o meu inimigo íntimo / Lembranças más vem, pensamentos bons vai / Sózinho eu penso merda pra carái… / Mundo em decomposição por um triz, transforma uns irmão meus nuns vermes infeliz”… “Eu sei quem trama e quem tá comigo…”

    Tenta, sem sucesso, esfriar a cabeça rastilhada com a água da cachoeira e a da chuva, agora já toró, enquanto vai pegando a picadilha do caminho de volta pra casa, pra correria, pra guerra.

    “Vermes que só faz peso na terra / Tira o zóio / Tira o zóio, vê se me erra! / Eu durmo pronto pra guerra / E eu não era assim, eu tenho ódio / E sei que é mau pra mim! / Fazer o que se é assim… / Vida loka cabulosa / O cheiro é de pólvora / E eu prefiro rosas / Mas na rua né não…”

    Kaô Kabiesilê!

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