Questão de classe

Questão de classe

em 2 nov

Fora convidado para um encontro com o grande filósofo Antônio Negri. Presentes estariam alguns coletivos autônomos e intelectuais. Entre a ida e o retorno para a casa cruzaria 100 km; da periferia ao centro e do centro à periferia. Uma hora e quinze minutos para ir e uma hora e quinze minutos para voltar. Mesmo assim se dirigiu a alcunhada Casa do Povo na área central de São Paulo. Chegando lá, depois de uma hora e quinze minutos, aguardou mais quarenta e cinco minutos para o início do debate. Já nervoso constatou: na Casa do Povo, não havia povo e no debate com Antônio Negri, pelo menos para ele, não haveria Antônio Negri. Constrangido, voltou decepcionado para a periferia e decidiu levar sua vó para a igreja onde, por fim, encontrou o pontual pastor e o povo reunidos. Um observador


Comentários 3

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      nov 7, 2016

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      E para alguns “a pontualidade é fascista”.

    • Labrego

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      nov 9, 2016

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      Sempre a mesma ladainha do “povo”, do “trabalhador”… é sempre essa culpa perpétua de não se estar onde se deveria estar, de não se ter uma classe trabalhadora esclarecida, e por aí vai. O ponto arquimediano de análise é onde ela não está e o parâmetro é o debate não surgir em um locar onde ele, no final das contas nunca irá surgir. Velho marxismo sem autocrítica, em que o parâmetro de avaliação não é o que se faz, mas a eterna ausência do que deveria ser feito, em um local e para um público específico.

    • Branqui

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      nov 10, 2016

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      Nessa questão da luta em nível institucional e de organização política, gostaria de concluir com mais duas proposições gerais. A primeira é que depois de 2011 a horizontalidade deve ser criticada e superada, claramente e sem ambiguidade – e não apenas num sentido hegeliano. Segundo, a situação está provavelmente madura o suficiente para tentar uma vez mais aquela que é a mais política das passagens: a tomada do poder. Entendemos a questão do poder, por tempo demais, de uma forma excessivamente negativa.
      (http://outraspalavras.net/posts/antonio-negri-da-recusa-ao-trabalho-a-tomada-do-poder/)

      resta pouca base “radical” para o liberalismo de esquerda. Só a identidade, essa destrutora de “povos” e de “trabalhadores”, salva.

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