Por Ronald I. Kowalski

Primeiro capítulo do livro The bolshevik party in conflict: the Left Communist Opposition of 1918, de Ronald I. Kowalski. O capítulo 8 do mesmo livro também será traduzido no esforço de traduções comemorativo dos 100 anos da Revolução Russa organizado pelo Passa Palavra.

Em novembro de 1917, surgiram os primeiros sinais de que a questão da paz viria a ser fonte de amargas controvérsias no Partido Comunista. O fracasso do tratado de paz de 26 de Outubro que, apesar de reivindicar por uma paz geral e democrática, não gerou qualquer resultado, impeliu o governo soviético a negociar por um armistício com a Alemanha em 14 de Novembro. Em resposta, um grupo influente no poderoso Comitê de Petrogrado, liderado por G.E. Evdokimov, Ia. G. Fenigshtein (Dolecki), V. N. Narchuk e Karl Radek, opôs-se à ideia de firmar tratados de paz com qualquer nação imperialista, reivindicando, em oposição, a guerra revolucionária contra as nações capitalistas[1].

Uma semana após a entrada em vigor do armistício, em 3 de dezembro, negociações de paz com os alemães tiveram início em Brest-Litovsk, com Adolf Ioffe liderando a delegação soviética. As negociações foram suspensas em 15 de dezembro, a pedido dos bolcheviques, que buscavam um acordo de paz geral com a participação de todas as forças aliadas, e foram retomadas em 27 de dezembro. Leon Trotsky passou a liderar a comitiva soviética com o intento de protelar as tratativas sob a crença de que a revolução mundial em breve interviria e tornaria desnecessário o acordo de paz. A partir desse momento, os comunistas de esquerda dissidentes reuniram-se em uma facção distinta, tendo, inicialmente, apenas condenado por meio de comunicados a política externa do governo soviético. Em 28 de dezembro, Nikolai Osinski (V. V. Obolenski), A. Lomov (G. I. Oppokov) e Innokentii Stukov publicaram um comunicado, adotado no mesmo dia por uma sessão plenária do escritório regional de Moscou, o centro organizativo dos comunistas de esquerda, de acordo com Z. L. Serebriakova. Eles reivindicavam o fim das negociações com o Império Germânico e o fim de todas as relações com os demais estados imperialistas. O Estado Soviético deveria declarar guerra revolucionária contra as nações imperialistas!

Em um primeiro momento, até mesmo Lênin concordou com essa política, dizia Osinskii, que por isso afirmava estar apenas a defender a velha posição de Lênin. No mesmo dia, como lembrou F. N. Dingel’shtedt, o Comitê de Petesburgo, incitado por Fenigshtein, S. N. Ravich, V. Volodarskii (M. M. Goldstein) e outros, veio em apoio à política da oposição, conhecida como “o ponto de vista de Moscou”[2].

volodarsky
V. Volodarsky (pseudônimo de Moses Markovich Goldstein). Inicialmente militante do Bund, depois dos “interdistritais” (mezhrajoncy / межрайонцы) e dos bolcheviques. Responsável pela primeira onda de perseguição à imprensa opositora ao regime bolchevique. Assassinado em 20 de junho de 1918.

Muitos líderes bolcheviques, incluindo a nata da intelligentsia do Partido, logo reagiram em apoio à tese da guerra revolucionária. Mesmo porque o movimento comunista de esquerda não era formado apenas por intelectuais descontentes, isolados e sem representatividade frente às variadas opiniões por todo o país, como a polêmica de Lênin deu a entender na ocasião[3]. Pelo contrário, entre janeiro e fevereiro, a tese de oposição à paz generalizou-se por todo o Partido. A maioria das organizações locais do Partido Comunista, bem como os sovietes, onde mencheviques e socialistas revolucionários somaram-se aos bolcheviques dissidentes, opuseram-se à paz com a Alemanha. “A maioria dos comitês das cidades e quase todos os comitês regionais”, disse Robert Service, “declararam firmemente que a guerra revolucionária era a única opção para o Partido no caso de a trégua ser desfeita”[4]. Moscou e Petrogrado eram exemplos disso.

As principais organizações do partido em Moscou – o escritório regional, o comitê distrital (Okrug) e o comitê da cidade – opuseram-se firmemente à continuação das negociações de paz com os alemães[5]. O comitê de Petersburgo adotou a mesma posição, aprovada pela maioria dos membros do Partido em uma reunião em 18 de janeiro[6].

A ofensiva alemã, retomada em 18 de fevereiro, oito dias após as negociações em Brest terem sido quebradas, quando Trotsky declarou que a Rússia não continuaria a guerra, nem assinaria a paz nos termos alemães, certamente levantou dúvidas na mente de muitos sobre a viabilidade de uma guerra revolucionária. Em 21 de fevereiro, a maioria da fração bolchevique do soviete de Petrogrado, contando apenas com 4 votos contrários, mudou de tom e apoiou a decisão do Conselho de Comissários do Povo (Sovnarkom)[NT1] a fim de aceitar a paz nos termos alemães[7]. No entanto, entre a militância urbana de base do partido, prevalecia a tese da oposição. Em face da grave ameaça representada pelo avanço alemão, muitos sovietes distritais, bem como fábricas e usinas, aprovaram resoluções a favor da guerra revolucionária. Eles apenas ecoaram o apelo desesperado do soviete do distrito de Okhta, que proclamou preferir morrer lutando pelo socialismo internacional a ser esmagado pelas forças do imperialismo[8].

sovnarkom1918
Sessão do Conselho dos Comissãrios do Povo ( Soviet narodnykh kommissarov / Совет народных комиссаров or Совнарком), ou SOVNARKOM, ocorrida provavelmente entre dezembro de 1917 e janeiro de 1918. Da esquerda para a direita: Isaac Steinberg, Ivan Skvortsov-Stepanov, Boris Kamkov, Vladimir Bonch-Bruyevich, V. E. Trutovsky, Alexander Shlyapnikov, P. P. Proshyan, Lenin, Stalin, Alexandra Kollontai, Pavel Dybenko, E. K. Kosharova, Nikolai Podvoisky, Nikolai Gorbunov, V. I. Nevsky, Alexander Shotman, Georgy Chicherin.

Neste momento, as palavras converteram-se em ações de tal modo que muitos bolcheviques e trabalhadores foram mobilizados para defender a capital – 500 da Vulcan e 600 das fábricas de Sestroretsk, todos os menores de 50 anos do estaleiro do Báltico, 2.000 trabalhadores do segundo distrito da cidade e 3.000 trabalhadores de Vyborg.

Ao todo, David Mandel conclui que nos últimos dias de fevereiro, dez mil voluntariaram-se junto ao Exército Vermelho, outras centenas somaram-se à Guarda Vermelha, enquanto novos destacamentos de trabalhadores surgiam[9]. A 4a Conferência Urbana do Partido, reunindo-se no dia 1º de março, após o adiamento em função do avanço das tropas alemãs, expressou bem tais sentimentos. Delegados dos distritos, à exceção de Vyborg, que estava rachado, foram orientados a opor-se a qualquer forma de negociação com os alemães[10].

Outras grandes cidades do norte da Rússia, como Arkhangel, Murmansk, Novgorod e Vologda, seguiram a liderança dada pelas duas capitais, assim como a base naval de Kronstadt, onde, de acordo com Israel Getzler, foram os SRs de esquerda os responsáveis por criar uma oposição à paz separada[11].

Exemplo similar podia ser encontrado na região do Volga. Exortados especialmente por V. P. Antonov-Saratovskii, I. Vardin-Mgeladze E V. Vasil’ev, presidente bolchevique do comitê da cidade, tanto as principais organizações do partido quanto os sovietes dominados pelos bolcheviques em Saratov rejeitaram repetidamente a paz separada com a Alemanha.

Reuniões do partido e de outras organizações populares – exceto de camponeses – entre janeiro e março reafirmaram essa posição, conferindo maior importância às revindicações de Vardin-Mgeladze, o delegado de Saratov no Sétimo Congresso Extraordinário do Partido, quando a maioria dos trabalhadores permaneceu contra a paz[12].

Contra a decisão deste Congresso, em 9 de março, o comitê executivo do soviete de Saratov ordenou que seus delegados se posicionassem contra a ratificação da paz de Brest[13] no 4° Congresso dos Sovietes de Toda a Rússia, que se avizinhava.

Correlação de forças semelhante havia em Samara. As direções partidárias e a base apoiaram os comunistas de esquerda. Os comitês executivos das cidades e os sovietes das províncias, então dominados pelos comunistas de esquerda, ordenaram que os delegados participantes do 4º Congresso de Sovietes de Toda a Rússia rejeitassem a paz[14] – Kuzmin e Kazakov, do soviete do campo e Valerian Kuibyshev e I. Krainiukov do soviete da cidade. Essa situação repetiu-se por toda a região. Em fevereiro, todos os sovietes da região haviam adotado a tese dos comunistas de esquerda, apesar de que nos uezd e volost[NT2], conforme Tkachev assinalou, o apoio à guerra revolucionária não tenha sido tão certo. Na primeira metade de março, a hostilidade à paz era generalizada tanto no Partido quanto nos sovietes de Astrakhan, Penza, Simbirsk e Tsaritsyn[15].

Mais a leste, nos Urais e além, os comunistas de esquerda também alcançaram considerável apoio. A Sibéria era um caso à parte. O Congresso Regional de Sovietes do Oeste da Sibéria, em 19 de janeiro, o Segundo Congresso de Sovietes da Sibéria, realizado em Ikursk na última semana de fevereiro, o 1º Congresso de Camponeses da Sibéria em 1º de março, a organização partidária em Krasnoiarsk que, na opinião de Russell Snow, foi o mais forte bastião do comunismo de esquerda na região, além dos sovietes de Eniseisk, Khabarovsk, Omsk e Vladivostok, todos opuseram-se às negociações com a Alemanha na crença de que somente a guerra revolucionária internacional poderia assegurar uma paz duradoura. Ademais, os simpatizantes de esquerda que dominaram o Comitê Regional do Extremo Oriente do Partido, como Paul Dotsenko alegou, aparentemente praparavam-se para separar a Sibéria do restante da Rússia em caso de haver acordo de paz[16]. Em 22 de março, após o 4° Congresso dos Sovietes votar e ratificar a paz, os siberianos continuaram refutando tal posição, enquanto o Conselho Siberiano dos Comissários do Povo chegou a declarar que permaneceria em guerra contra as potências capitalistas[17].

A força dos comunistas de esquerda demonstrou-se também nos Urais, no inverno de 1918, bem como no sul do país, em Kursk, e especialmente na Ucrânia e na bacia do Don[18].

Somente no Oeste do país, em províncias como Vitebsk e Smolensk, mais ameaçadas pela ofensiva alemã, e dentro do Comitê Regional Ocidental, o apoio à paz a qualquer custo rapidamente cresceu no terço final de fevereiro. Mesmo aqui, a militância de base fez frente às agressões alemãs, muito embora tenha sido pouco efetiva em reconhecer o avanço germânico[19].

Circular de 26 de fevereiro, em resposta dos sovietes locais ao Comitê Executivo Central, buscavam determinar a posição do sovietes frente à paz de Brest-Litovsk, confirmando o alcance da oposição à paz.

O próprio Lênin reconheceu que das 200 réplicas recebidas nos primeiros 10 dias de março, uma pequena maioria — 105 a 95 — foi favorável à guerra revolucionária. Os comunistas de esquerda exploraram entusiasticamente esse resultado em proveito de seus objetivos.

Na primeira edição de Kommunist, o jornal diário editado pelo Comitê de Petesburgo e pelo comitê distrital de Petesburgo para mobilizar o povo pela guerra revolucionária, Lomov defendeu que as réplicas dos principais centros operários até então confirmavam a tese de que os trabalhadores, em sua maioria, opunham-se à paz em separado nos termos alemães.

Primeira edição da revista Kommunist
Primeira edição do Kommunist

Com exceções parciais de Petrogrado e Sevastopol, prosseguiu Lomov, a pressão pela paz veio sobretudo de camponeses dominados por sovietes de volots e uezds, tendo os comunistas de esquerda repetido a tese de que Lênin e sua facção haviam abandonado a guerra revolucionária em apoio às aspirações conservadoras dos camponeses[20].

Evidentemente, a renovada ofensiva alemã não destruiu o desejo de resistência dos trabalhadores russos. Na verdade, o ultimato de 23 de fevereiro, que continha termos mais duros que o anterior — além da Polônia, Lithuania, Latvia oriental e ilhas Sound Moon, a Rússia deveria render-se ao leste da Letônia, Finlândia e Ucrânia – provocou, por um tempo, o fortalecimento da determinação dos trabalhadores russos para lutar. Como Lênin mesmo admitiu, “de toda parte, cresceu a determinação para defender o poder soviético e lutar até o último homem”[21]. Apesar dessa constatação, Lênin apressou-se em acrescentar que, sem um exército bem equipado e organizado, não havia possibilidade de deter o gigante alemão. Convencido da exaustão militar russa, de sua inabilidade para defender-se efetivamente, Lênin resistiu intransigentemente às investidas generalizadas para a continuidade da guerra.

A intransigência de Lênin ameaçou dividir o Partido, ao menos nos mais altos comandos. Na sessão do Comitê Central de 23 de fevereiro, quando os novos termos da paz alemã foram comunicados aos seus membros, Lênin ameaçou renunciar caso “a política de fabricação de frases revolucionárias” não fosse abandonada. Os obstinados comunistas de esquerda no Comitê Central, Andrei Bubnov, Bukharin, Lomov e Uritskii, estavam igualmente inflexíveis na sua oposição à paz. Lomov enfatizava que uma futura resistência certamente causaria desmoralização entre as tropas alemãs e estancaria seu avanço[22]. Todavia, o real estado das coisas, a inexistência de processo revolucionário em curso na Alemanha bem como a deterioração das forças russas no front, minaram essa posição e promoveram um realinhamento no Comitê Central.

A essa altura, Trotsky abandonou sua obstinada oposição à paz, argumentando que cisões no partido impediriam o sucesso de qualquer tentativa de guerra revolucionária. Ainda incapaz de assumir essa posição, Trotsky absteve-se, assim como Dzerzhinskii, Ioffe e Krestinskii, que compartilharam o ponto de vista do revolucionário. Tais abstenções permitiram a Lênin, com apoio de Smilga, Skolnikov, Stalin, Stasova, Sverdlov e Zinoviev, ganhar a maioria em favor da paz quando a questão foi posta sob votação. Essa decisão provocou a renúncia de Bukharin e de seus apoiadores a todos os cargos de responsabilidade no partido e no governo, com a ameaça adicional de que poderiam realizar campanha aberta contra a paz[23]. Após uma noite inteira de sessão em 22-23 de fevereiro no Comitê Central foram aceitos os novos (e mais duros) termos de paz propostos pela Alemanha[24].

No início de março, apesar de uma intensa campanha popular de oposição à política de Lênin, a maré claramente se voltou contra os comunistas de esquerda. Nos níveis mais baixos do partido e dos sovietes, o apoio à guerra revolucionária começou a se deteriorar rapidamente. Isso logo foi percebido nas capitais. Em Moscou, o Soviete, seguido de perto pela Conferência Municipal do partido, aprovou, em 3 e 4 de março, diversas resoluções a favor da paz. Em Petrogrado, a crescente militância, conhecida em toda a cidade na última semana de fevereiro, começou a se fragmentar no início de março.

Os próprios comunistas de esquerda reconheceram, a contragosto, a perda de seu apoio entre as bases, alegando, contudo, que ela foi, em grande parte, reflexo do desmoralizante impacto da política de paz do governo, assim como da mobilização dos trabalhadores mais politicamente conscientes e militantes do front. Em 5 de março, o Soviete de Petrogrado reafirmou que a paz era inevitável, em razão da indesejável demora na eclosão da revolução na Europa e da própria fraqueza do exército e da economia russa[25]. Organizações bolcheviques na Primeira e Segunda Cidade e nos distritos de Moscou, Vyborg e Vasil’evskii logo seguiram o exemplo, assim como o Comitê do distrito de Petersburgo. Ciente desses realinhamentos, o Comitê de Petersburgo, tradicionalmente dominado pela esquerda, convocou uma Conferência Municipal extraordinária para determinar precisamente quais seriam as atitudes das bases na cidade. Quando se reuniaram em 20 de março, a resposta foi clara. Os Comunistas de Esquerda perderam sua maioria no Comitê, com apenas o distrito de Narva continuando a apoiá-los. Além disso, o Kommunist foi condenado por suas ideias separatistas e fechado[26]. Ainda mais reveladora foi a sessão do Sétimo Congresso do Partido, realizada em 7 de março, onde Radek, admitiu de modo franco que “agora nós [os Comunistas de Esquerda] somos a minoria”. Em meados de março, quando delegados do Quarto Congresso dos Sovietes de Toda a Rússia se reuniram em Moscou, essa análise foi aparentemente confirmada. Na Assembleia Bolchevique que precedeu o Congresso, eles só conseguiram reunir trinta e oito votos em apoio à guerra revolucionária contra 453 a favor da paz de Brest[27]. No Congresso, dos 814 delegados bolcheviques presentes, apenas sessenta e cinco se recusaram a sancionar a ratificação da paz, mas, ao invés de dividirem o partido votando contra ela, acabaram se abstendo.

Provavelmente, essas figuras aceleraram o declínio do movimento comunista de esquerda. Os relatórios dos delegados no Quarto Congresso dos Sovietes sugerem que, em algumas regiões, o apoio à paz ainda estava longe de ser garantido. Na região do Volga, especificamente em Saratov, muitos duvidavam se a paz de Brest, de fato, proporcionaria alguma trégua para a Rússia se recuperar, e então, prosseguir na construção do socialismo. Diversos remanescentes dos comunistas de esquerda também continuaram a existir em Simbirsk e Samara, tanto no partido como entre os sovietes[28]. Nos Urais, especialmente na provínica de Perm, o apoio à guerra revolucionário-partidária também permaneceu forte. Mas a maior parte das vociferantes vozes favoráveis à resistência eram ouvidas do sul, das províncias de Poltava e Taurida, da cidade de Sevastapol, onde pareceu ocorrer uma dramática mudança de ânimos, e na bacia do Don. Lá, a guerra não arrefeceu em nenhum momento e o contínuo avanço dos alemães ameaçava todos os ganhos que os trabalhadores e camponeses tinham alcançado durante a revolução. Até os cossacos do Don, temerosos das intenções alemãs, estavam supostamente preparados para empreender uma guerra de guerrilhas[29]. Da sua parte, os Comunistas de Esquerda do sul tentaram se utilizar da simpatia por sua posição, unindo essas diferentes forças em uma única organização militar capaz de resistir aos alemães. No final de março e início de abril, S. I. Syrtsov e seus aliados na República Soviética do Don ganharam considerável apoio na ideia de uma união militar com o que restou do poder soviético na Ucrânia. Este plano, contudo, não se concretizou. No Congresso dos Sovietes da Republica do Don, ocorrido em 9 de Abril, em Rostov, os aliados de Lenin, temerosos de que tal união servisse como causus belli para um novo ataque alemão à República Russa, frustraram o esquema. Sob a liderança de Sergei Ordzhonikidze, foi garantida uma considerável maioria para a ratificação da Paz de Brest[30].

Não obstantes tais exceções, parece claro que, logo depois da nova ofensiva alemã, os Comunistas de Esquerda estavam lutando uma batalha perdida em torno da questão da paz ou da guerra revolucionária. Três fatores parecem ter sido os principais responsáveis pela derrota. Primeiro e, na visão de Service, o mais importante, parece cada vez mais irrefutável que a incapacidade da Rússia soviética de, efetivamente, resistir ao avanço das forças alemãs fez com que a lógica implacável e insistente de Lenin não visse alternativa além de assinar a paz, como os operários do partido e dos sovietes rapidamente perceberam. Segundo, Lenin e seus lugar-tenentes conduziram uma campanha popular de agitação e persuasão, mais intensamente em Petrogrado e Moscou, de modo a convencer os operários da legitimidade de sua política. Terceiro, as maquinações de Sverdlov, secretário do Comitê Central, e, de acordo com Leonard Schapiro, “a principal força por trás da organização partidária”, asseguraram que os aliados de Lenin fossem a maioria no Sétimo Congresso do Partido – organizações provincianas contrárias à paz foram deliberadamente pouco representadas. No Quarto Congresso dos Sovietes, suas manipulações dos procedimentos, combinado com a ênfase na disciplina do partido, facilitaram a ratificação da paz, como amargamente observa Iu. O. Martov[31].

Mesmo após a derrota com a questão da paz, os comunistas de esquerda, ou comunistas proletários, como paulatinamente passaram a se chamar, não se dissolveram. Entretanto, com a ratificação do tratado de Brest-Litovsk o foco da oposição mudou. Apesar de continuarem a criticar a política externa do dominante grupo leninista, até mesmo retomando o chamado para a guerra revolucionária, em maio, depois dos alemães terem instalado o reacionário regime Skoropadskii na Ucrânia, o peso dos ataques dos Comunistas de Esquerda foi direcionado para o que identificaram como os compromissos e recuos de Lenin na política interna. No início de 1918, em janeiro e fevereiro, atacaram Lenin por sua intenção de apaziguar os camponeses, sancionando a divisão de terras entre eles, o que não apenas era uma política contrária às exigências do socialismo, mas potencialmente fatal a este. A própria paz foi em grande parte outra concessão à pressão camponesa. Se continuasse, este caminho de conciliações traria graves consequencias, culminando na “supremacia política do semi-proletariado, de grupos pequeno-burgueses, e provaria ser apenas uma etapa de transição para a completa dominação do capital financeiro”[32]. Na primavera, os comunistas de esquerda por diversas vezes afirmaram que a prova dessa degeneração para o capitalismo de Estado era claramente manifestada nas intenções de Lenin em colaborar com os capitalistas sobreviventes como forma de restabelecer a decadente indústria de base soviética. Paralela e bastante consentânea com esse desenvolvimento, a democracia soviética, concebida como um “estado comunal governado por baixo”, foi aos poucos sendo substituída por um estado autoritário, centralizado e burocrático[33]. Em uma reunião com Lenin e seu grupo, em 4 de abril, Osinskii apresentou suas Teses sobre a Situação Atual, nas quais essas preocupações foram largamente relatadas. Posteriormente, as Teses foram publicadas em um novo jornal teórico de curta duração, com o nome de seu antecessor, Kommunist, editado por Bukharin, Osinskii, Radek e Vladmir Smirnov. Publicado sob a égide do Escritório Regional de Moscou até eles perderem o controle dele na Quarta Conferencia Regional de Moscou, realizada entre 14 e 17 de maio, o jornal era composto, em grande parte, por uma série de artigos polêmicos criticando as políticas internas defendidas por Lenin e pela maioria do partido, e esboçando seu próprio programa mais radical para a construção do socialismo.

Durante essa fase, os comunistas de esquerda continuaram a conquistar certo apoio popular por suas ideias. Nunca tão grande como nos debates sobre a paz, tendo se limitado quase exclusivamente à região de Moscou, Ucrânia e Urais, bem como Kranoiarsk[34]. Eles também encontraram algum apoio na estrutura do Sovnarkhoz, de onde se oposeram, particularmente, ao programa de Lenin para a reconstrução da indústria[35]. Contudo, no fim de maio, suas bases dentro do partido foram recapturadas pelos aliados de Lenin, e, como grupo, o movimento comunista de esquerda desapareceu — mas não sem deixar vestígios. No final de agosto, August Evgenii Preobrazhenskii tentou em vão conquistar o comitê regional do partido nos Urais, defendendo as políticas comunistas de esquerda, enquanto no segundo congresso dos conselhos econômicos, ocorrido em dezembro, vetígios de vozes da esquerda eram ouvidos criticando o constante caminho para a centralização burocrática na economia às custas do controle dos trabalhadores, como aponta Samuel Oppenheimer[36].

Mas o fim do movimento comunista de esquerda não se reduz a uma única e simples causa, tal como as falhas de sua liderança, como sugere Stephen Cohen dentre outros[37]. Circunstâncias internas e externas à Rússia na primeira metade de 1919 militaram contra a sobrevivência do movimento. Primeiro, suas políticas rapidamente perderam credibilidade. Assim como a guerra revolucionária se tornou impraticável, a defesa do estado comunal, no qual o poder econômico e politico seria difundido entre os sovietes locais e outras organizações de trabalhadores eleitos, parecia não oferecer nenhuma solução para o caos que consumia o país. Particularmente, muitos dentro do partido, como os sindicatos e, em menor grau, as lideranças dos comitês das fábricas, concordavam com Lenin que o controle dos trabalhadores estava agravando a crise econômica e deveria ser contido se a indústria quisesse se recuperar. Seus argumentos a favor do retorno de métodos eficientes de controle econômico centralizado, administração monocrática e formas tradicionais de disciplina e incentivo foram ganhando espaço, mesmo antes da eclosão da guerra civil em maio. Então, para sobreviver, o poder soviético exigiu, ainda mais, a rápida restauração da ordem na indústria de modo a aumentar a produção de material bélico. Para muitos, as orientações de Lenin pareciam as mais capazes de atingir esses resultados, enquanto a maioria dos comunistas de esquerda estavam preparados para interromper sua oposição em virtude das crescentes ameaças militares ao governo bolchevique[38].

Segundo, na segunda metade de maio, o comitê central estabeleceu uma forma mais rígida de disciplina partidária, ameaçada pelo influxo de novos recrutas imprudentes, e pela saída de muitos ativistas experientes, que assumiram posições administrativas no estado e na economia, ou se juntaram ao recém-criado exército vermelho. Ademais, a tola e estridente oposição do grupo comunista de esquerda, continuou o comitê, tem enfraquecido ainda mais a disciplina. Apesar das maquinações de Sverdlov, até então, o debate com os comunistas de esquerda estava sendo conduzido de forma bastante aberta e democrática, até harmoniosa. Na sessão do Comitê Central de 23 de fevereiro, Lenin admitiu que eles tinham o direito de se insurgir abertamente contra a aceitação da paz; no Sétimo Congresso do Partido se referiu a eles como “nossos jovens amigos de Moscou”; enquanto o Pravda os chamou de “nossos amigos do Kommunist[39]. Contudo, a situação crítica que agora encarava a revolução levou a uma mudança na atitude do Comitê Central. Lenin e seus aliados buscavam um partido mais submisso, no qual todas as decisões, uma vez tomadas, fossem implementadas sem muitas discussões[40]. Essa exigência parece ter sido direcionado especificamente aos Comunistas de Esquerda, como Varvara Iakovleva sugeriu ao acusar o Comitê Central de tentar eliminar o pensamento independente no partido[41]. Na verdade, toda a campanha para aumentar a disciplina do partido foi usada como arma para derrotar os Comunistas de Esquerda. Alguns foram expulsos, embora seja difícil aferir precisamente como muitos sofreram esse destino e o quão importante foi essa expiação para queda do movimento[42]. Terceiro, certas mudanças na política, embora não tenham sido introduzidas somente em resposta às críticas dos comunistas de esquerda, podem ter, de alguma forma, apaziguado-as. No final de abril e maio, as esperanças de Lenin de impulsionar a indústria em colaboração com os capitalistas nacionais ruíram, e foram suplantadas por uma nacionalização completa e abrangente da indústria em larga escala. Em meados de maio, o próprio Lenin estava convocando para “as mais decisivas medidas contra nossa burguesia”[43]. Além disso, o agravamento da crise alimentar na Rússia urbana o obrigou, como aponta Silvana Malle, a aprovar um ataque aos camponeses (em tese, apenas os ricos) e encorajar o rápido estabelecimento da agricultura comunal, como os Comunistas de Esquerda defendiam[44].

Ao final desse estudo, devemos voltar a examinar, em detalhes, algumas manifestações regionais do comunismo de esquerda, especificamente em Moscou, na Ucrânia e nos Urais, para averiguar se as suspeitas existentes de que esses locais eram redutos dos comunistas de esquerda têm fundamento. Primeiramente, contudo, foi proveitoso retornar a um território um pouco mais familiar, e, mais uma vez, traçar a natureza do conflito entre Lenin e os Comunistas de Esquerda na questão da guerra e da paz, e quanto aos métodos empregados para a construção do socialismo na Rússia. A necessidade de tê-lo feito surgirá nos capítulos seguintes, que buscarão demonstrar que, embora o terreno pareça familiar, até o momento ele tem sido mal delineado. Mas antes que um panorama mais preciso seja feito, será necessário considerar as consequências da defesa de Bukharin às posições dos comunistas de esquerda no Sétimo Congresso do Partido. Ele contestou as acusações levantadas por Lenin (em A frase revolucionária, por exemplo, e em seu discurso no Sétimo Congresso do Partido) de que os comunistas de esquerda, carregados pela “marcha triunfal do poder soviético”, foram intoxicados por um romantismo ou idealismo infantil que os levou a se entregar a uma orgia de slogans radicais, sem considerar as “circunstâncias objetivas” do momento[45]. Ao contrário, Bukharin insistiu que as razões da oposição deles a Lenin eram muito mais profundas:

“Nossas divergências, camaradas, não se reduzem ao fato de que alguns de nós defendem uma frase, outros, uma abordagem eficiente. Isso é um completo absurdo. Nossas divergências residem em outro plano – em uma avaliação diferente da conjuntura internacional e também… de nossa conjuntura interna”[46].

[Nota do Passa Palavra: o último parágrafo deste capítulo é apenas uma transição para o capítulo seguinte, e por esta razão optamos por suprimi-lo.]

Notas (NT são notas dos tradutores; as demais são notas originais)

NT1: Sovnarkom. O Conselho de Comissariados do Povo, constituído em 26 de outubro de 1917 pelo Congresso dos Sovietes de Operários e Soldados de Toda a Rússia, juridicamente subordinado ao VtsIK, tinha por função cuidar da administração geral dos negócios. Composto inicialmente apenas por bolcheviques, teve em sua formação entre novembro de 1917 e o verão de 1918, alguns SR de Esquerda para, então, voltar a ser constituído somente por bolcheviques. Segundo Bettelheim (Luta de Classes na URSS, v.1, p. 103), apesar de, em tese, subordinado ao VtsIK, o Sovnarkom, após de decreto de 30 de outubro, outorgou a si próprio as funções legislativas que a priori seriam do VtsIK, transformado em mero órgão de ratificação das decisões do Sovnarkom. Ainda conforme Bettelheim (p. 104), o Sovnarkom, cujos membros são escolhidos pelos bolcheviques e não procedem dos órgãos soviéticos – como o VtsIK – passou a exercer o poder de fato.
NT2: Volost. Unidade local administrada por camponeses. Uezd. Unidade formada pelo conjunto de volost.
[1] Varlamov, Razoblachenie, pp. 42-5; Sorin, Partiia i oppozitsiia, p. 14.
[2] The Bolsheviks and the October Revolution, Minutes of the Central Committee (London, 1974), p. 193; F. N. Dingel’shtedt, “Iz vospominanii agitatora Petersburgskogo Komiteta RSDRP(b) (S sentiabria 1917g po mart 1918g.)“ Krasnaia Letopis’, 1 (1927), pp. 65-6; Leninskii sbornik, XI (Moscou, Leningrado, 1929), p. 41; Z. L. Serebriakova, Oblastnye ob”edineniia Sovetov Rossii, marl 191 7-dekabr’ 1918 (Moscou, 1977), p. 89.
[3] V. I. Lenin, Collected Works, 27 (Moscou, 1964), p. 99.
[4] Service, Bolshevik Party, p. 79.
[5] Uma análise completa da ascensão e queda do movimento comunista de esquerda em Moscou, assim como na Ucrânia e nos Urais, será desenvolvida no capítuto 7.
[6] Varlamov, Razoblacheni.
[7] Pravda, 22 fev.1918. O Comitê Central dos trabalhadores metalúrgicos compartilhou de dúvidas semelhantes a respeito da guerra revolucionária, ibid.
[8] Pravda, 23 fev. 1918; relatório de Volodarskii a respeito das ações gerais em Petrogrado, ibid.; Korchagin no distrito de Peterhof, Buron em Rozhdestvennyi, dentre outros, ibid.; a respeito do distrito de Nevskii, ibid., 24 fev. 1918; sobre Moscou, ibid., 27 fev. 1918; e Kommunist, 5 mar. 1918.
[9] Pravda, 26 fev. 1918; D. Mandel, The Petrograd Workers and the Soviet Seizure of Power (London, 1984), p. 388. D. Fedotoff-White, The Growth of the Red Army (Princeton, 1944), p. 31, confirma a existência, ao menos até março, de aproximadamente 15.300 voluntários dispostos a defender a revolução e a se apresentar em Petrogrado.
[10] Kommunist, 5 mar. 1918. K. I. Shelavin, “Iz istorii Petersburgskogo Komiteta bol’shevikov v 1918g”, Krasnaia Letopis’, 2 (1927), p. 106. Sua reivindicação, em conjunto com Dingel’shtedt, lz Vospominanii, pp. 66-7, de que tais delegados não representariam mais a base parece um tanto exagerada.
[11] Markova, Bor’ba V. I. Leninym, p. 56; Berlina, Gorbunova, Brestskii mir, pp. 40-3; Istoriia KPSS, 3 (Moscou, 1967), p. 528; Stenograficheskii otchet 4-ogo Chrezvychainogo S”ezda Sovetov Raboch., Soldatsk., Krest’iansk i Kazach’ikh Deputatov (Moscou, 1920), p. 1 19; Kommunist, 6 mar. 1918; I. Getzler, Kronstadt 1917-1921. The fate of a Soviet democracy (Cambridge, 1983), p. 184.
[12] Izvestiia Saratovskogo Soveta, 21, 26, 27 fev. 1918, 1, 3 mar. 1918; Kommunist, 12 mar. 1918; Istoricheskii arkhiv, 4 (1958), p. 30; V. I. Tkachev, Bor’ba s “levymi kommunistami”, pp. 59-6 1, e p. 62 a respeito das aspirações de paz dos camponeses.
[13] Kommunist, 14 mar. 1918; Saratovskii sovet rabochikh deputatov, 1917-1918: Sbornik dokumentov (Moscou, Leningrado, 1931) p. 394.
[14] Ibid.; Izvestiia Sovetov Rab., Sold., i Krest., Deputatov gorod a Moskvy i Moskovskoi oblasti, 28 mar. 1918; Chubar’ian, Brestskii mir, pp. 225f. Kuibyshev e Krainiukov assinaram a declaração no Congresso dos comunistas de esquerda (Apêndice B) mas aqui parece inexistir registro a respeito das ações de Kuz’min e Kazakov. Kuibyshev também foi o delegado do partido na província no 7º Congresso do Partido que revindicou a posição da guerra revolucionária no Partido em Samara. Istoricheskii arkhiv, 4 (1958), p. 29.
[15] Otchet, pp. 1 18, 1 28, 133; Varlamov, Razoblachenie, pp. 1 03, 1 29; Chubar’ian, Brestskii mir, pp. 229f. ; Tkachev, Bor’ba s “levymi kommunistami”, p. 64; Pravda, 5 mar. 1918; Service, Bolshevik Party, p. 81, especialmente quanto ao czarismo.
[16] Kommunist, 5 mar. 1918; Pravda, 20 jan., 5 mar. 1918; Vpered (Ufa), 2 março 1918; Otchet, pp. 120-1, 131; Izvestiia Moskvy, 28 fevereiro de 1918; Varlamov, Razoblachenie, pp. 103, 327; P. Dotsenko, The Struggle for Democracy in Siberia, 1917-1921 (Stanford, 1 983), pp. 18-19; R. Snow, The Bolsheviks in Siberia, 1917-1918 (London, 1977), pp. 16, 22 1, onde Krasnoiarsk é considerado um bastião dos comunistas de esquerda em 1917.
[17] O. Anweiler, The Soviets: The Russian Workers’, Peasants’ and Soldiers’ Councils, 1905-1921 (New York, 1974), p. 222; e Vpered (Ufa), 24 mar. 1918.
[18] Pravda, 22 fev. 1918; Kommunist, 10 mar. 1918.
[19] Sed’moi ekstrennyi s”ezd R.K.P(b.), mart 1918 goda: stenograficheskii otcket (Moscou, 1962), p. 343 ; Izvestiia Saratovskogo Soveta, 26 fev. 1918; Kommunist, 5 mar. 1918.
[20] Leninskii sbnornik, XI, pp. 59-60; Kommunist, 5 mar. 1918, quando Lomov argumenta que Moscou, os Urais, Khar’kov, Ekaterinoslav, czaritsyn, Kostroma, Kazan’, Viatka, Saratov, Ivanovo-Kineshma, Kolomna, Krasnoiarsk, Poltava, Kronstadt, Tver, Voronezh e Arkhangel rejeitaram a paz.
[21] Lenin, Collected Works, 27, p. 76; Pravda, 1 mar. 1918.
[22] Minutes of the Central Comittee, pp. 218,221.
[23] Ibid., pp. 223-4.
[24] Varlamov, Razoblachenie, pp. 99-100. No CEC, 116 votos foram favoráveis à paz, 85 contra e 25 asbtenções.
[25] Kommunist, 14 mar. 1918; Sed’moi s”ezd, pp. 347-8.
[26] Pravda, 3, 7, 9, 12, 20 mar. 1918; Kommunist, 10, 14 mar. 1918; Shelavin, Peterburgskogo Komiteta, pp. 106-7.
[27] Sed’moi s”ezd, p. 60; Leninskii sbornik, XI, p. 71; Izvestiia Moskvy, 14 mar. 1918, reportou que apenas 36 votaram com os Comunistas de Esquerda.
[28] Izvestiia Saratovskogo Soveta, 22 mar. 1918; Kommunist, 14 mar. 1918; Tkachev, Bor’ba s “levymi kommunistami”, pp. 66-7.
[29] Izvestiia Moskvy, 14 mar. 1918; Sotsial-Demokrat, 15 mar. 1918.
[30] G. L. Nikol’nikov, Vydaiushchaiasia pobeda leninskoi strategii i taktiki (Moscou, 1968), pp. 59–60; P. Kenez, Civil War in South Russia, 1918 (Berkeley, 1971), pp. 119, 126.
[31] Service, Bolshevik Party, pp. 80-2; C. Duval, “Iakov Mikhailovich Sverdlov: Founder of the Bolshevik Party Machine”, em R. C. Elwood (ed.), Reconsiderations on the Russian Revolution (Cambridge, Mass., 1976), pp. 225-8; L. Schapiro, The Communist Party of the Soviet Union (London, 1970), p. 247; Otchet, p. 30, e pp. 65.
[32] ‘Tezisy o tekushchem momente’, Kommunist, 1 (1918), p. 6.
[33] Ibid., p. 7. Osinskii argumentou de modo semelhante durante uma sessão do CC em 21 de janeiro. Kommunist, 14 mar. 1918, contém uma versão das teses que ele apresentou. K. Radek, “Posle piati mesiatsev”, Kommunist, 1, p. 3. Os conflitos da agriculutra, industria e Estado serão discutidos integralmente nos capítulos 4, 5 e 6.
[34] D. V. Oznobishin, K voprosu o bor’be, pp. 70-3; Varlamov, Razoblachenie, p. 230.
[35] S. A. Oppenheim. “The Supreme Economic Council, 1917-1921”, Soviet Studies, 3-4 ( 1973), p. 13.
[36] Ibid., pp. 1 5-16; Ocherhi istorii Kommunisticheskoi Partii Urala, 1 (Sverdlovsk, 1971), p. 330.
[37] Cohen, Bukharin, p. 65; W. Lerner, Karl Radek (Stanford, 1970), p. 69, onde, para ser justo, ele reconheceu que mesmo com forte liderança “os comunistas de esquerda… tinham estreitas perspectivas”. Service, Bolshevik Party, pp. 80-3, refutou em definitivo a tese de que uma liderança falha havia contribuído para sua derrota.
[38] Ver o clássico relato de A. G. Shliapnikov: “Conditions of the Railways Under Workers’ Control”, em J. Bunyan, H. H. Fisher, The Bolshevik Revolution, 1917-1918. Documents and Materials (Stanford, 1965), pp. 654-5; S. A. Smith, Red Petrograd. Revolution in the factories, 1917-1918 (Cambridge, 1983), pp. 250-1; Service, Bolshevik Party, p. 82.
[39] Minutes of the Central Comittee, p. 224; Sed’moi s“ezd, p. 22; Pravda, 8 mar. 1918.
[40] Izvestiia V.Ts.l.K., 22 mar. 1918. Ironicamente, como veremos no capítulo 6, muitos Comunistas de Esquerda concordaram que nem tudo ía bem dentro do Partido e requisitaram um expurgo dos elementos não-proletários que haviam adentrado na organização.
[41] “Itogi partiinoi konferentsii Tsentral’noi promyshlennoi oblasti”, Kommunist, 4 (1918), p. 15.
[42] Varlamov, Razoblachenie, p. 365.
[43] Leninskii sbornik, XI, p. 78; ver ainda R. B. Day, Leon Trotsky arul the Politics of Economic Isolation (Cambridge, 1973), p. 18. S. Malle, The Economic Organisation of War Communism (Cambridge, 1985), p. 56, argumentou que as críticas dos Comunistas de Esquerda contribuíram para o fracasso dos planos de Lênin de colaboração com os capitalistas.
[44] Ibid., p. 347.
[45] Lenin, Collected Works, 27, p. 19; e seu discurso, Sed’moi s”ezd, p. 13.
[46] Ibid., pp. 38-9.

Traduzido por Breno Modesto, Eduardo Dias e Gabriel Valentim a partir do original disponível no site Libcom e revisado pelo Passa Palavra. Este artigo faz parte do esforço coletivo de traduções do centenário da Revolução Russa mobilizado pelo Passa Palavra. Veja aqui a lista de textos e o chamado para participação.

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