Das voltas que a vida dá (2)

Quando os trabalhadores numa luta de vida ou morte mais precisaram daquele respeitado dirigente partidário local, só uma palavra foi o que lhes soube dizer: “calma!” Quatro anos mais tarde, quando aquele respeitado dirigente travava uma luta de vida ou morte dentro de sua organização dizendo posicionar-se em nome dos trabalhadores, aqueles que lá fora ainda lutavam em silêncio lhe disseram: “calma!” Passa Palavra

Nada a ver com luta (3)

Centenas de famílias sem teto machucadas e ao relento após o despejo violento de uma ocupação próxima à Funarte. Desesperados, foram pedir abrigo aos ocupantes: “Deixem pelo menos as mulheres com os filhos! Não dá pra elas ficarem sem abrigo na madrugada”. A negativa foi firme: “Não vem ninguém. Vocês vão trazer polícia pra ocupação”. Passa Palavra.

Fala você

– Alguém viu a Vivi? Você viu a Vivi por aí? Jonas, você viu a Vivi?
– Acho que ela está em casa, foi tomar banho, algo assim. Por quê?
– Tão formando espaços exclusivos de mulheres e de negros e negras, com poder de expulsar gente da ocupação e tudo, sem precisar nem consultar a galera em Assembleia nem nada. Aí ela precisa fazer uma fala expondo os problemas desse tipo de prática, os limites desses espaços e dessa proposta que tá pra passar.
– Ué, fala você.
– Não posso, sou homem. Passa Palavra

Fora da ordem?

O vereador Leo Prates (DEM), liderança da bancada governista na Câmara de Vereadores de Salvador, em tom provocativo, questiona qual é mais de esquerda, o governo do prefeito ACM Neto (também do DEM) ou do petista Rui Costa, governador do Estado da Bahia: “se o leitor se considera de esquerda, então você torce e aprova o projeto do prefeito ACM Neto; que está ideologicamente à esquerda do governo estadual”. Para comprovar, elenca uma série de políticas de saúde, educação, programas sociais e participação popular dando a entender que superou os governos de partidos de esquerda. Passa Palavra

Nada a ver com luta (2)

Eu fui na ocupação da Funarte nos primeiros dias”, contava um trabalhador da cultura aos colegas em greve: “Até que eu encontrei nosso gerente lá, aí eu achei que tava ficando bizarro demais e não voltei”. Passa Palavra

Nada a ver com luta

Estava numa roda com amigos que tocam juntos numa banda. “Vocês foram na ocupação da Funarte? A gente podia marcar de se apresentar lá…”, sugere um deles. Esperando um comentário crítico, pergunto pra um dos membros da banda que é militante: “e aí mano, que cê ia achar? Será que não seria mais daora fortalecer uma ocupação de outro tipo, uma escola, ou na fábrica de cultura que tá ocupada..?”. Com tranquilidade, ele esclarece: “tocar na Funarte ia ser muito bom pra banda, além de ter uns baita equipamentos, é um dos melhores lugares pra promover nosso trabalho, todos os contatos importantes tão circulando lá. Não tem nada a ver com luta…” Passa Palavra