MOVIMENTO DE LIBERTAÇÃO DOS TRABALHADORES SEM TERRA: COMUNICADO/MLST Nº 11/2009

Uberlândia, 13 de outubro de 2009.

Na madrugada de 13 de outubro, as famílias de sem-terra do MLST, acampadas há dois anos, na fazenda Buracão, no município do Prata, em Minas Gerais, foram atacadas com tiros por um grupo de jagunços. Os jagunços alojados na sede da fazenda cumpriram as ameaças que vinham fazendo e atiraram em direção às famílias, atingindo um pai de família com três balas.

Levado pelo movimento para o Pronto Socorro do Hospital Municipal da Cidade do Prata (PAM), ao invés de socorro, este trabalhador baleado foi violentamente agredido pelo médico Dr. Jaquene, irmão do mandante que contratou os jagunços.

O MLST ao perceber que o trabalhador ferido a bala, com tiros nas pernas corria risco de novas agressões, conduziu o mesmo para outro Pronto Socorro do Hospital Escola de Uberlândia, onde recebeu atendimento e alta.

No entendimento do MLST, todos àqueles que são contra a reforma agrária e há muito tempo querem agir com violência contra os sem-terra do Brasil estão promovendo um processo de criminalização dos sem terra, aproveitando a campanha difamatória da midia contra o MST, para cometer todo tipo de barbaridades contra famílias inteiras de integrantes de movimentos sociais. Tanto é verdade, que até a Polícia Militar de Minas Gerais que há muito tempo vem agindo de modo respeitoso com os Sem-Terras do Triângulo Mineiro, no último dia 12 de Outubro, deu uma “blitz” em uma procissão de sem-terras que carregava a imagem de Nossa Senhora Aparecida para uma Igreja de Uberlândia/MG, o que é um absurdo porque aconteceram dezenas de procissões em nossa cidade, mas apenas a procissão dos sem-terra teve seus direitos violados, tanto o da liberdade de expressão, como de ir e vir e principalmente o de liberdade religiosa.

Por tudo isto, conclamamos todos àqueles que são a favor da reforma agrária e contra o latifúndio, que façam vigílias para que a democracia não sofra mais um golpe em nosso país. O Brasil ainda é um país de latifúndios e latifundiários improdutivos, e que, sem  movimento social a terra nunca será dividida. Informamos que estamos abertos para discutir com todos que são a favor da reforma agrária novos e melhores métodos para pressionar o INCRA a fazer reforma agrária, mas por hora, não parece existir outro caminho, que não seja a ocupação do latifúndio improdutivo.

Por um Brasil sem violência no campo e sem latifúndio.

Atenciosamente,

Coordenação do MLST

3 COMENTÁRIOS

  1. Fica a pergunta. O que nós podemos fazer para fortalecer a luta dos [email protected] do MLST, do MST e de outros movimentos que confrontam o latifúndio e todo o aparato do Estado repressivo diretamente? O que podemos fazer? É preciso sair do comodismo que a vida normalizada nos determina e pensar em formas de ocupar a sociedade no sentido de impedir que esses massacres aconteçam, de acelerar o processo de reforma agrária e de emancipação do povo. Não é mais possível que companheiros e companheiras corram risco de vida em suas lutas enquanto outros que se consideram socialistas, revolucionários, etc. não fazem nada além de falar, de reproduzir discursos sem alcance algum, que só fazem enaltecer as suas vaidades, os seus pequenos egos de acadêmicos, de advogados, de doutores do saber… Enquanto o povo resiste.

  2. É um absurdo! Alguns integrantes do movimento distorcem o objetivo da luta e perdem a credibilidade da opinião pública. Agredir, amarrar e torturar pessoas não trará nenhum benefício ao movimento, demonstrando como este perdeu seus ideais. Isso deveria ser inadmissível. É com tristeza que tenho que concordar hoje em dia com comentários da direita hierarquizada…Não vamos perder a razão, meus amigos. Nós não somos opressores.Queremos uma divisão justa e condições de vida. Não demonstrações de vandalismo.

  3. Karina: quanto ao teor das suas alegações indignadas, a meu ver estão relacionadas à rasteirice de uma visão pequeno burguesa supostamente “progressista e esclarecida”, mas acima de tudo “racional, ética e civilizada”, “republicana e equilibrada”. Você demonstra ser ridiculamente manipulável pela grande imprensa corporativa (que você chama de “opinião pública”… – essa “invenção burguesa”, como diria o outro). O quê quer dizer com “credibilidade com a opinião pública”? Uma qualidade do Willian Bonner? da Hebe Camargo? do Datena? do Clóvis Rossi? do Arthur Virgílio? do Conte Lopes? Como será que se constrói e, sobretudo, se destrói essa “credibilidade”? Francamente…

    Você revela ter uma visão (de classe) facilmente manipulável (conssentidamente?), talvez devido a pelo menos três razões fundamentais – já que falou em “razão”:

    – Em primeiro lugar o desconhecimento puro e simples acerca dos fatos e processos sobre o qual você opina – em particular sobre a história e situação atual dos movimentos sociais aos quais se refere direta ou indiretamente na sua generalização – não está firmado se você remete-se ao MLST, ao MST ou ao “movimento” em geral. Desconhecimento provavelmente relacionado à distância própria das torres de marfim pequeno ou grão-burguesas, uma distância produzida e adicta do quê você chamou de “opinião pública” (e suas mercadorias “informativas”). A começar pela própria construção do seu “argumento”: alegando-se que “alguns integrantes do movimento” vandalizam, torturam etc PARA APRESSADAMENTE “concluir” que todo “o movimento perdeu seus ideais”. O quê REALMENTE aconteceu neste ou naquele episódio, Karina? Se está realmente influenciada pelas laranjas, no caso do complexo Monções: qual o histórico daquelas terras? O papel e posição histórica da empresa Cutrale? De seus funcionários, inclusive nas circunstâncias em que deram declarações depois do último episódio? Das pessoas que fizeram isto ou aquilo, do movimento ou de fora dele? Do policial-repórter que filmou esta ou aquela imagem? Dos meios de “opinião pública” que as veicularam? Dos deputados que defenderam esta ou aquela posição, esta ou aquela cruzada? Do MST, que você apressa-se para combater como um todo? Como contextualizar este episódio específico numa disputa maior entre modelos agrícolas e de (eco)sociabilidade que estão em disputa no Brasil há muito tempo, disputa que nos últimos 25 anos é protagonizada de um lado pelo MST e de outro por grandes empresas do agronegócio, como a Cutrale? Qual dos lados têm realmente contribuído para a destruição violenta de ecossistemas inteiros (e da própria humanidade), criando desertos verdes inclusive de laranjas, ou para nossa preservação? Como todas as personagens individuais se situam e se posicionam neste contexto mais amplo? Quais verdadeiros “ideais” estão em jogo aí, cara pálida?

    – Em segundo lugar, creio que se manifesta em seu comentário (a começar por essa sua pressa reducionista para condenar “o movimento”…) uma forte predisposição (classista mesmo, reacionária) a encontrar “integrantes”, elementos (ainda que isolados, não importa!), fatos e fotos que, afinal, apressadamente comprovem que estes movimentos sociais todos como o MST, MLST etc “perderam seus ideais”, tornaram-se “radicais demais”, “perdem a razão facilmente”, “exageram”, “badernam”, “vandalizam”, “torturam”, “matam”, “barbarizam”: “argumentos” que, dessa maneira, acabam ao final das contas não deixando outra opção a uma opinadora racional e ponderada como você, se não “concordar hoje em dia com comentários da direita hierarquizada”. Foi este episódio espetacular que, enfim, fez você ter esta posição e reagir dessa maneira frente a estes “vândalos”? Ou se trata de predisposição que vem de longa data? Se for coerente com sua posição, mais ou menos recente, deverá se mobilizar portanto contra o MST, o MLST etc, e cobrar medidas enérgicas que coíbam todo este furor bárbaro dos sem-terra, certo? Nada mais “inadmissível”!

    – Finalmente, analisando mais profundamente o pequeno comentário, creio que ele revela (involuntariamente; inconscientemente talvez) um pouco destes temores mais profundos e recônditos das elites predominantemente brancas e ainda fortemente escravagistas do Brasil, frente aos levantes “bárbaros” dos nossos “vândalos” (do campo e da cidade): “onda negra, medo branco!”. Em meio a tanta coisa tão inadmissível, descontextualiza-se atitudes ao bel prazer (aos bels instintos de classe) e, no fundo, são exatamente essas ondas negras que representam o suprassumo do “absurdo” e do “inadmissível” atualmente – nas suas palavras. São esses atos de “insanidade” que, inclusive, mobilizam pessoas como você a reagirem, a se engajarem numa cruzada cívica contra os inimigos da Ordem, do Progresso, da Paz e da Nação Brasileira (os sem-terra bolivarianos à frente desta legião violenta). Frente a tais ações promovidas pelos “opressores” sem-terra – como você sugeriu -, tudo mais é razoável e admissível, a começar pela punição exemplar destes monstros torturadores assassinos de laranjas e pobres produtores! Cansamos: basta de violência e tantos abusos! Tem que se dar, enfim, não sem tristeza, o braço a torçer à “direita hierarquizada”. Nada pode ser mais abominável que estes vândalos!

    Sugiro, portanto, que você faça uma reflexão profunda sobre de onde vem o quê está falando e a forma como está falando. Ou então continue sendo consequente e se engaje rapidamente, sem mais pensar, em alguma dessas campanhas cívicas e patrióticas “contra o vandalismo” dos “sem-terra opressores”: há várias rolando por aí, basta abrir os principais jornais da “opinião pública”. Das campanhas “Cansei” à cruzada liderada por Ronaldo Caiado, Kátia Abreu, Reinhold Stephanes, Paulo Maluf, Ricardo Kotscho e a revista Veja, contra esses “sem-terra bandidos e terroristas que praticamente passaram um trator por cima de cada Cidadão de Bem Brasileiro”. O momento é mais que propício pra você extravasar e dar concretude a todo este seu sentimento, em particular contra o MST…

    Enfim: dizer mais o quê a você?

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