Moradores do Jd. Prainha, da zona sul de São Paulo, fazem manifestação no centro da cidade. Eles exigem que a Prefeitura discuta o projeto de urbanização com transparência. Vídeos retratam este processo de mobilização, que se iniciou com a indignação da comunidade ao ver uma de suas casas ser derrubada. Por Passa Palavra

ato_prainhaNa última sexta-feira, dia 11/02, moradores do Jardim Prainha, comunidade do distrito do Grajaú, na zona sul de São Paulo, realizaram um protesto no centro da cidade. Com faixas, bandeiras e batuques, a manifestação se iniciou por volta das 11h em frente à Prefeitura, onde foi protocolada a reivindicação das famílias, e depois seguiu pelas ruas até à porta do prédio da Secretaria de Habitação.

Como se pode ler no comunicado oficial do ato, a principal exigência é a de que o projeto de urbanização da região seja apresentado e discutido abertamente com o conjunto dos moradores da comunidade.

A manifestação foi o resultado de um processo de mobilização que se iniciou no dia 02 de fevereiro deste ano, quando os moradores do Jd. Prainha foram surpreendidos com a derrubada de uma casa da comunidade por agentes da Defesa Civil, ajudados por policiais da Guarda Ambiental. O objetivo desta investida da Prefeitura era derrubar também outras casas, mas, por conta da rápida organização dos moradores, os agentes da remoção tiveram de retroceder e paralisar temporariamente as demolições.

Autos de interdição em massa

Estas casas do Jd. Prainha que agora estão na mira da Prefeitura foram imóveis que, há cerca de um ano, receberam um auto de interdição por estarem supostamente em “áreas de risco”. De acordo com um mapeamento feito pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT), a cidade de São Paulo possuiria hoje 407 áreas de risco (176 na zona sul), em que estariam inclusos cerca de 27% dos imóveis da cidade.

passeata-periferia-luta2A manifestação dos moradores do Jd. Prainha aproveitou para denunciar esta prática de distribuição em massa de autos de interdição como sendo mais um artifício da Prefeitura para impulsionar o processo de reorganização do espaço urbano, de forma a afastar a população pobre para áreas ainda mais afastadas, ou mesmo para fora da cidade. Esta intenção fica clara quando se constata que, como foi o caso desta comunidade, ao se aplicar o auto de interdição, os moradores afetados não recebem nenhuma proposta habitacional em contrapartida, além de serem obrigados a assinar um termo que exime o poder público de cumprir com qualquer compromisso deste tipo – o que leva a uma deteriorização ainda maior da condição social destas famílias.

Por se inserir dentro de um contexto mais amplo, a mobilização da comunidade do Jd. Prainha deve ser entendida como um chamado a todas aquelas comunidades pobres da periferia da cidade, um alerta para que se organizem e se preparem para uma longa jornada de lutas que deve se seguir no próximo período.

Assista abaixo a dois vídeos que documentam este processo de luta. O primeiro registra o ato do dia 11/02, no centro da cidade; o segundo, relata todo processo de organização e mobilização da comunidade.

Jardim Prainha Luta (ato em frente à Prefeitura)

Jd. Prainha: uma casa foi demais

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