5 COMENTÁRIOS

  1. Na tese anterior, eu havia dito que é possível inserir elementos figurativos na fotografia a fim de transmitir uma mensagem (da consciência do fotógrafo) àquele que visualiza a fotografia. Na tese presente, eu falarei sobre esta consciência. O que determina um fotógrafo publicar fotos do mar num site político? O que determina um fotógrafo fotografar um protesto ou manifestação de trabalhadores de aplicativos? Por que alguns fotógrafos apenas fotografam a natureza enquanto outros fotografam seres humanos? A determinação fundamental seria a consciência do fotógrafo. Mas, ao falar isso, não podemos cair no canto da sereia e acreditar que a consciência seria um epifenômeno, que surge do nada. A consciência não é nada mais que o ser consciente; quer dizer, a consciência, para existir, necessita de um ser consciente. E este ser consciente está envolvido em relações sociais específicas. A consciência é, portanto, a expressão da percepção das relações que os seres humanos constituem com seus semelhantes e com a natureza, e estas mesmas relações podem ser limitadas (e, no caso da relação com a natureza, tende a existir certas limitações mesmo). Na sociedade capitalista é gerado diversas formas de consciência que derivam da divisão social do trabalho e cada forma de consciência pode expressar determinados interesses, valores etc. Assim, além de ser gerado diversas formas de consciência, é também gerado diversas formas de fotografia, pois esta perpassa os interesses, valores e sentimentos humanos. Um fotógrafo que se sente confortável no mundo existente, tende a fotografar aquilo que expressa a suposta beleza do mundo, tais como belas fotos da natureza, de seres humanos supostamente felizes e satisfeitos etc. Por outro lado, um fotógrafo revolucionário tende a produzir fotografias que questionem o mundo existente a fim de demonstrar a necessidade de sua abolição. E, então, há os fotógrafos ecléticos que fazem apologias ao mundo existente (publicando fotos do doce mar, de um prédio bonito e antigo, de pessoas felizes trabalhando etc) e, ao mesmo tempo, fazem críticas à ele (ao publicar fotos que demonstram a miséria do mundo). A fotografia não pode ser jamais outra coisa que a expressão da consciência do fotógrafo. E a consciência do fotógrafo é determinado pelo seu processo de vida real. A vida real do fotógrafo é perpassado por interesses de classe e são estes interesses que determinam o que será expresso na fotografia.

    Resumindo as Teses para Beija a Mim:

    I – A fotografia artística nada mais é que a fotografia de uma consciência artística. Uma foto enriquecedora é aquela que mais fotografa a consciência do fotógrafo.

    II – os elementos que constituem uma fotografia artística são aqueles que adicionam elementos figurativos à uma imagem retratada que possibilitam interpretações que vai além da própria fotografia e que, por conseguinte, permitem transmitir uma mensagem da consciência do fotógrafo para quem a visualiza. Logo, um ângulo incomum, sobreposições, montagens, dentre outros elementos podem operacionalizar a inserção de elementos figurativos à uma fotografia. O que pressupõe uma mensagem pensada anteriormente pelo fotógrafo na constituição da fotografia.

    III – A fotografia não pode ser jamais outra coisa que a expressão da consciência do fotógrafo. E a consciência do fotógrafo é determinado pelo seu processo de vida real. A vida real do fotógrafo é perpassado por interesses de classe e são estes interesses que determinam o que será expresso na fotografia. Um fotógrafo que se sente confortável no mundo existente, tende a fotografar aquilo que expressa a suposta beleza do mundo, tais como belas fotos da natureza, de seres humanos supostamente felizes e satisfeitos etc. Por outro lado, um fotógrafo revolucionário tende a produzir fotografias que questionem o mundo existente a fim de demonstrar a necessidade de sua abolição. E, então, há os fotógrafos ecléticos que fazem apologias ao mundo existente (publicando fotos do doce mar, de um prédio bonito e antigo, de pessoas felizes trabalhando etc) e, ao mesmo tempo, fazem críticas à ele (ao publicar fotos que demonstram a miséria do mundo).

  2. Há também os comentaristas metidos a críticos revolucionários, que confundem arte com ideologia. Para estes, a finalidade da arte é simplesmente corroborar ou não uma narrativa pré-concebida, e portanto o valor de uma obra de arte se resumiria a uma lógica binária (revolucionária ou reformista). Por isso ele é incapaz de enxergar a beleza e felicidade que os trabalhadores podem experimentar no decorrer de suas vidas, já que para ele ser trabalhador é ser condenado a ser eternamente triste ou raivoso, e caso alguém não se sinta assim por um momento, ele conclui que esta pessoa não pertence a essa classe. É essa a triste realidade que esse ser vivencia, alienado do mundo real e incapaz de apreciar a arte em suas variadas formas.

  3. Beija a Mim crê que a luta de classes é um fim em si mesmo, e que a classe trabalhadora, no decurso de sua labuta diária, não pode transmitir felicidade. Não, devemos esperar para sermos felizes. Ai daqueles que ousarem serem felizes antes da revolução social. Mas se não é pela felicidade que se está a lutar, então para que um mundo diferente, afinal? Beija a Mim também ignora o ângulo das fotografias, pois só assim confirmaria sua tese de que a boa fotografia reflete o fotógrafo. Veja, a foto é tirada quase ao lado daqueles que aparecem, e na última foto os barcos dos pescadores artesanais ocupam metade da fotografia. Beija a Mim preferiria que tivesse um patrão ali açoitando um pescador para que a fotógrafa registrasse o momento. Infelizmente, Beija a Mim ignorou também o título da fotografia que remete à Dorival Caymmi. Em uma de suas célebres canções o sambista prefere falar de felicidade:

    “Minha jangada vai sair pro mar
    Vou trabalhar meu bem querer(…)”

    e a esperança do pescador é a de nunca estar sozinho…

    “Pois tem alguém que está pensando em mim!”

  4. É doce morrer no mar
    Melhor ainda se for em alto mar
    Longe
    Bem longe do porto
    e da terra firme
    Onde fria e firmemente tudo nos é negado
    Com carimbos e de papel passado
    É doce morrer longe da terra firme
    Firmado lá longe, sorrindo ao naufragar
    Num mundo aquoso e dialético
    É doce morrer no mar
    Lá no mar
    Lá no outro mundo
    Lá no distante de tudo
    Sem cair na velha tentação
    de negar o mar
    e morrer na praia

    É salgado morrer na praia,
    no conhecido, no familiar, no rotineiro e sem novidades.
    E se amamos a praia
    É porque ela tem vista
    Para o mar

  5. DIREMPTIO : GODARD A GO GO

    seria talvez doce
    morrer no mar
    se amargo o mar não fosse

    longa vida
    pois
    aos diabéticos
    e outros ainda
    insepultos cadáveres adiados

    renuente & anticaymmi
    alinha-se o comentário

    “Eu supunha estar chegando ao porto, mas tinha sido lançado em pleno mar.” G. W. Leibniz

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