Por Marcelo Tavares de Santana
Continuando nosso desafio de controle parental em dispositivos digitais, neste artigo trataremos desse tipo de recurso em ambientes Linux, portanto, um sistema operacional para computadores de mesa, portáteis e afins. O ecossistema Linux é muito diverso em distribuições, como Ubuntu e Fedora, e também em ambientes gráficos de trabalho, como GNOME, KDE, XFCE, etc. Apesar da grande diversidade, há esforços em padronizar funcionalidades desses ambientes para facilitar, inclusive, compatibilidade entre eles e a usabilidade pelo usuário. No entanto, não foi encontrado um padrão comum de controle parental no universo Linux que funcionasse em qualquer ambiente e distribuição, mas há uma solução simples para isso que é instalar o ambiente gráfico com o controle parental que mais gostar. Na prática, significa que nossos filhos podem usar um ambiente gráfico diferente do nosso, por exemplo, podemos usar o ambiente KDE e para eles usamos o GNOME, pois a grande maioria das distribuições Linux permitem a instalação de mais de um ambiente gráfico. Portanto, se você uma Linux Mint com o ambiente Cinnamon, pode instalar outro ambiente para seu filho para o usuário dele.
Nesse primeiro momento de controle parental no Linux, usaremos o ambiente GNOME e suas ferramentas como proposta, pois, apesar de ter não recursos comparáveis ao de soluções mais maduras (que recebem mais investimentos), é de simples instalação e utilização. Dessa forma, o uso de computador com Linux precisará também de diálogo e acordos de uso entre crianças e tutores, da mesma forma que precisa ser com qualquer dispositivo. Alguns podem pensar que seria melhor manter as crianças só usando tablet ou smartphone, mas conheço um caso de criança que foi alfabetizada com o Linux, usando jogos específicos para isso, e também há programas educacionais nas áreas de matemática, geografia, química e outros, que podem ser mais interessantes que os encontrados nesses equipamentos.
Antes de tudo, seja qual for a distribuição Linux que alguém usa, será preciso estar numa versão atualizada e deverá procurar como instalar o ambiente GNOME Shell com o Controle Parental no teu computador. Em seguida, deverá criar um usuário padrão para a criança, portanto sem permissões de administração. Por exemplo, se for no Debian, via terminal como usuário root, o comando abaixo instala os aplicativos necessários:
# apt install gnome-session gnome-software malcontent-gui
O ‘gnome-session’ é para instalar o ambiente gráfico de trabalho, o ‘gnome-software’ é um instalador de aplicativos para o GNOME, e o ‘malcontent-gui’ é a ferramenta de controle parental. O instalador também é chamado de “Programas”: nele pesquisamos por aplicativos instalados, novos aplicativos e também encontramos classificação indicativa de idade em vários programas; nem todo instalador de aplicativos possui essa classificação. Uma vez com tudo instalado, deve-se procurar a configuração chamada “Controle parental” no GNOME e selecionar as opções desejadas. Note que será necessário colocar a senha de um usuário administrador para desbloquear as configurações para o controle. A figura a seguir mostra, à esquerda, a tela de “Controle parental” para um usuário chamado ‘Criança’; se houver mais usuários não-administradores, esses também aparecerão nessa tela. Para criar usuários no GNOME, poderá ir na aplicativo “Configurações”, escolha “Sistema” e depois “Usuários”. À direita na figura é mostrada a tela de restrição de aplicativos, que é trabalhosa, pois é preciso escolher todos que deseja bloquear, normalmente a maioria, e deixar desabilitado somente os que forem permitidos; no exemplo, somente o jogo 2048 está permitido e, assim, no menu de aplicativos do ambiente da criança, só vai existir essa opção. Um jeito rápido de habilitar tudo é usar as teclas ‘Tab’ e barra de espaço alternadamente para restringir tudo e depois tirar a restrição somente dos aplicativos permitidos.

Nesse momento, o melhor é restringir o uso de navegadores, pois permiti-los dá acesso a todos os conteúdos imagináveis na Web; assunto cujo controle parental será tratado num próximo artigo. Mais abaixo há as opções de restrição de instalação de programas, onde parece ser mais interessante deixar sempre restrito, pois assim qualquer programa novo a ser instalado precisará que um adulto participe dessa instalação. É importante sempre lembrar que, a cada novo aplicativo instalado, será necessário voltar nessa configuração e selecionar se ele será restrito ou não. Na primeira vez que a criança for usar seu usuário no computador, provavelmente um adulto deverá escolher para ela usar o ambiente GNOME, para que as restrições funcionem; o ‘malcontent’ funciona parcialmente em outros ambientes gráficos, mas o melhor é usar o GNOME.
No momento, o que dispomos nessa solução é só o controle de aplicativos, portanto, será necessário acordos de horários e limites de tempo para completar o controle. Existem soluções para Linux que permitem controle de tempo e de sites, mas são soluções separadas que exigem mais configurações e mais trabalho para manter; provavelmente uma boa conversa e acordos bem definidos supram a necessidade desses controles para um ambiente Linux. Com o tempo, novos recursos de controle parental devem aparecer, independente de existirem ou não investimentos no universo do Software Livre. De qualquer forma, as conversas entre crianças e adultos sempre deverão existir.
Bom diálogo a todos!
Nota
[1] Professor de Ensino Básico, Técnico e Tecnológico do Instituto Federal de São Paulo.





