Reunindo milhares de pessoas em poucas horas, a manifestação demonstrou o vigor da mobilização e pôs em pauta o tema do transporte público na cidade de São Paulo. Por Passa Palavra


Em mais uma demonstração de indignação contra o funcionamento do transporte público na cidade de São Paulo e o aumento das passagens de ônibus e metrô, cerca de três mil manifestantes se reuniram num ato convocado após as manifestações de ontem, quinta-feira (6).

A concentração começou no Largo da Batata, às 17h, e logo tomou a Avenida Faria Lima, uma das mais importantes vias e o maior eixo comercial e financeiro da Zona Oeste da capital paulista. Neste momento da ação de ontem, importante dizer, a manifestação optou por liberar o corredor da esquerda, permitindo a passagem dos ônibus e das lotações.

Sempre cercados pela polícia, os manifestantes desceram a Avenida Rebouças em direção à Marginal Pinheiros. Aos poucos as faixas da via foram sendo tomadas – formando um imenso corredor que impressionava pelo fato de a manifestação ter sido chamada em menos de 24 horas.

A chegada à Marginal Pinheiros se tornava um objetivo concreto. Em passos rápidos, milhares de pessoas foram ocupando as faixas da Marginal no sentido Castelo Branco. Ocupou-se, primeiramente, a pista local, mas rapidamente os manifestantes pularam as muretas e paralisaram também a pista expressa. Nesse momento, um desentendimento entre comandantes da ação policial motivou os primeiros lançamentos de bombas de efeito moral, mas a medida não surtiu efeito. Sem dispersar, os manifestantes prosseguiram por mais de meia hora na Marginal, o que ajudou a provocar o terceiro maior trânsito do ano na cidade.

Ao longo do ato, era possível observar demonstrações de apoio por parte de muitas pessoas (nem todas, naturalmente), desde os passageiros que estavam dentro do transporte coletivo até cobradores e motoristas de ônibus. Na batida da Fanfarra do M.A.L, trabalhadores e trabalhadoras de lojas e prédios comerciais da região se animavam em apoio ao protesto.

No retorno à Avenida Faria Lima, os manifestantes continuaram acompanhados por mais de 500 policiais e um helicóptero. Novos tiros com bala de borracha e bombas de efeito moral foram gratuitamente disparados, já que, neste momento, a manifestação seguia tranquilamente por uma rua secundária,  que sequer atrapalhava o trânsito.

Passado este breve momento tenso, de volta ao largo da Batata o ato foi encerrado por parte dos manifestantes. Um grupo com cerca de 400 pessoas ainda seguiu para a Avenida Paulista e chegou a paralisar por alguns minutos a Avenida Doutor Arnaldo, na mesma região, encerrando mais uma etapa de pelo menos 5 horas de intensos protestos.

Comparada à batalha de quinta-feira, a manifestação de ontem foi marcada pelo seu vigor: conseguiu agrupar um enorme contingente de pessoas em pouquíssimas horas, tomar mais uma via de altíssima importância (a Marginal Pinheiros, o que seria inimaginável até há alguns dias), demonstrar a sua força e pôr em pauta o tema do transporte público na cidade. Apesar de algumas iniciativas de ataque gratuito por parte da polícia, nenhum manifestante foi preso – o que é fundamental num momento em que se anuncia um sentido crescente da mobilização.

O próximo ato acontecerá na terça-feira (dia 11 de junho), às 17h, na Praça do Ciclista, na Avenida Paulista.

6 COMENTÁRIOS

  1. Tem um peão, ajudante geral, que está preso porque não tem 3 mil reais para pagar a fiança. A esquerda de hoje é assim. O chamado para a luta é coletivo, mas as derrotas são sofridas individualmente, é cada um com suas heranças, posses e redes de proteção.

    São 5 mil manifestantes. Daria quase 50 centavos para cada um. Mas é importante, também nesses casos, deixar claro quem é inserido e quem é ralé.

  2. Parabéns ao movimento! Passeata pela Marginal Pinheiros é realmente impressionante!! Para quem só pode ver de longe esse ato parece ter sido mais bem sucedido que o de quinta!

    Jean, não te parece um pouco precipitado esse seu discurso moralista? Está tudo ocorrendo nestes poucos dias e um movimento majoritariamente de estudantes não tem os laços financeiros que sindicatos e partidos tem para ajudar neste tipo de situação! Espero que logo se mobilizem para ajudar o companheiro.

  3. Caio,

    Não estou.

    É evidente que haveria uma mobilização para soltar imediatamente se fosse aluno da USP, pessoas de partido ou gente do MPL. Não estou me referindo ao MPL especificamente, mas à esquerda como um todo. O dirigente do sindicato dos metroviários salvou a dele e rua. O que são 3 mil reais para o sindicato dos metroviários?

    Que tipo de recado está sendo dado aos populares com esse tipo de postura? Algo como “olha venha pra luta mas se não for da USP, não for de partido ou não for ligado ao MPL você que se vire”.

  4. Jean,
    O MPL deve soltar uma nota de esclarecimento, mas quero me adiantar, pois consideramos todos que fazem parte da manifestação parte do movimento e a sua denúncia é muito séria.

    No ato contra o aumento da passagem do dia 06/06 tivemos 6 manifestantes presos. Destes, quatro já se encontram em liberdade mediante o pagamento de fiança, duas no valor de um salário mínimo e duas no valor de 3 mil reais. Parte deste valor foi pago pelas famílias e, em parte, por fundos do MPL. Outros dois continuam detidos apesar do MPL e da Conlutas terem levantado o dinheiro necessário para a fiança. Ao chegarmos na 78 Delegacia de Polícia para pagar as fianças os mesmos já haviam sido transferidos e nos dirigimos ao Fórum da Barra Funda, porém não pudemos pagar a fiança pois a documentação da delegacia ainda não havia chegado ao Fórum. Às 18 horas de sexta-feira os papéis finalmente chegaram ao Fórum, porém não havia mais tempo para que as fianças fossem pagas. Na segunda-feira iremos efetuar o pagamento e libertar os presos, e os advogados de confiança do movimento também irão acompanhar os respectivos processos. Acreditamos, no entanto, que nem a transferência, nem a demora dos documentos tenha sido fortuita, tendo como objetivo atrasar o processo
    e criminalizar as manifestações.

  5. Jean,
    acho que a mensagem é que se você não estiver organizado você está mais vulnerável. Isso não acontece apenas nas mobilizações de rua, acontece nos bairros, nos trabalhos, na política institucional, enfim. Solidariedade é importante mas não é milagre.

  6. oi
    será q dá pra divulgar pelo menos uma ideia geral do caminho q o ato vai andar? fica dificil se engajar sem saber nada do q vai acontecer. logico q tem a segurança, mas por outro lado vou sair marchando sem saber pra onde?

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