“Sim! Está decidido, agora não tem mais volta”, de Serguei Iessiênin

“Sim! Está decidido, agora não tem mais volta”, de Serguei Iessiênin

em 10 mar

Estou a andar pelas ruas, cabisbaixo, rumo / à taverna mais próxima, para um drink ou dois. Por Serguei Iessiênin

Nota do tradutor

Publicado em 1922, este belo poema de Serguei Iessiênin já foi musicalizado por diversos artistas russos (por exemplo, aqui e aqui). Trata-se de um poema conhecido de cor e recitado em cada bar ou praça por praticamente qualquer russo, mas surpreendentemente não tem uma tradução facilmente acessível para o português. E digo “facilmente acessível” porque espero que os leitores do Passa Palavra me indiquem alguma tradução deste famoso poema, pois eu não encontrei nenhuma.

Parecem-me oportunas algumas palavras sobre o autor e o contexto do poema. Na sequência da Revolução de 1917, não obstante o contexto de guerra civil (que duraria até 1921), se deu na Rússia uma fervorosa produção artística, com feitos muito criativos (teatros com participação espontânea de milhares de pessoas/atores, desenvolvimento e surgimento de várias vanguardas artísticas etc.) que revolucionaram o mundo das artes e nos permitiram ter uma pequena amostra dos potenciais que uma transição socialista abriria também neste campo. A amostra acabou sendo limitada por conta dos próprios rumos da revolução russa, mas permitiu ver que, junto à mudança nas relações sociais, vem a mudança na forma de expressão artística do novo mundo nascente.

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Anatóli Lunatcharski (1875-1933)

O Partido bolchevique interessou-se sobremaneira pelo tema da arte, especialmente sobre a vinculação entre arte e propaganda e arte e instrução, por isso criou o Narkompros, o Comissariado do Povo para a Instrução Pública. Carecendo de meios modernos de comunicação, o uso de cartazes e pinturas em todo lugar possível e imaginável, com fins de propagandear os valores da revolução, garantia certa liberdade aos artistas da época. Com Anatoli Lunatcharski a frente do Narkompros, a individualidade e criatividade dos artistas eram encorajadas. O Narkompros estimulava o desenvolvimento de novas tendências artísticas, e houve então toda uma reformulação do sistema oficial de ensino artístico. Bastante democrático, o Narkompros não se colocava nem do lado dos adeptos da implantação imediata de uma cultura proletária, nem daqueles que defendiam a aceitação da cultura burguesa. No entanto o Comissariado devia prestar contas ao governo soviético, e já naquele contexto inicial o governo bolchevique demonstrava uma certa predileção ao atrelamento entre arte e propaganda revolucionária.

Buscando agradar gregos e troianos, ou seja, os adeptos da arte funcional à revolução e os defensores da arte livre, Lunatcharski chegou a propor a eliminação do júri para a aceitação das obras de arte nas exposições, dando lugar às chamadas “Exibições Livres Estatais”. Assim, qualquer cidadão russo poderia expor uma obra que considerasse arte.

Com a instituição da NEP, a Nova Política Econômica que deu um choque de Capitalismo na Rússia pós-revolucionária, a verba repassada para o Narkompros passou a ser cada vez menor, enquanto o órgão era encarregado de cada vez mais funções. O orçamento do Comissariado passou de 11,5%, em 1918, para 15,5%, em 1919; e em seguida para 9,4%, em 1920, e 2,2%, em 1921. Além disso o Partido empenhava-se em estabelecer um controle rígido do Narkompros, tanto quanto do Proletkult.

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Proletkult: Cartaz de Vladimir Mayakovsky , publicado pela Narkompros durante a Guerra Civil.

Segundo Lunatcharski, Lênin guardava muita desconfiança em relação tanto ao Proletkult quanto ao Narkompros, não só porque havia ali um adversário político (Alexandre Bogdanov) que poderia gerar problemas, mas também porque o líder bolchevique não via com bons olhos o afastamento dos operários do aprendizado das ciências e da cultura existentes, as quais, obviamente, eram “burguesas”. Foi nesse contexto que Lênin recomendou a Lunatcharski, em 1920, a vinculação entre Proletkult e Narkompros, o que representaria um maior controle do Partido. Não por acaso os anos seguintes tivemos os cortes de verbas para o Narkompros e o fim da Proletkult, enquanto ganhou expressividade a corrente artística “produtivista”, que associava arte e vida. Tátlin, expoente do Construtivismo russo, defendia, por exemplo, que a verdadeira importância da arte estava no cumprimento de um papel político. Vê-se então as raízes da passagem do construtivismo russo rumo a uma arte funcional, comprometida com uma nova estética (a ser aplicada na indústria, vide Bauhaus) tanto quanto com a propaganda política do regime.

Em todo caso, a imposição do Realismo Socialista a partir dos anos 1930 não foi obra exclusiva de maquiavélicos dirigentes partidários que pretendiam usar a arte como ferramenta de manipulação e de convencimento do povo russo. A receptividade daquelas teorias tinham algum substrato material na própria cultura russa pós-revolucionária e seu modo particular de encarar a revolução e o papel da arte na transição socialista.

Os anos 1920 e 1930 foram muito agitados no âmbito dos debates sobre qual seria a arte revolucionária, o que, claro, veio acompanhado da questão da censura da arte não-revolucionária. Foi então que se deu o debate sobre a criação de uma cultura pelos próprios proletários, o Proletkult, e depois os debates sobre o realismo socialista etc. Embora muito interessante, tudo aquilo desembocaria nas bizarrices do chamado realismo socialista e a censura do Partido não só a certos tipos de arte, mas até mesmo a certos instrumentos como “instrumentos burgueses” etc. Um belo filme que passa pelo tema é o “Balzac e a costureirinha chinesa”.

Sobre as vanguardas russas, vale a pena mencionar o Futurismo, o Construtivismo, o Suprematismo e o Imagismo. O “poeta da revolução” Mayakovsky era expoente do Futurismo russo, enquanto seu amigo, Serguei Iessiênin, integrava a vanguarda do Imagismo, mas a verdade é que a poesia de ambos contém traços de várias correntes e não podem ser facilmente inseridas nas caixinhas das correntes artísticas. Talvez por isso se chamem “correntes”.

Nosso poeta, Iessiênin, era livre, nada de correntes ou caixinhas, portanto. Livre, escolheu a morte. Quem poderá julgá-lo? Suicidou-se num hotel em Leningrado, em dezembro de 1925. Àquela altura, a revolução já mostrara sua face negativa. Iessiênin estava casado com a bailarina Isadora Duncan desde 1921, e também há quatro anos vivia com o poeta Anatoli Marienhof. Iessiênin não nos deixou um bilhete de suicídio, mas afirma-se que deixou um poema de despedida escrito com o próprio sangue, dedicado ao amante. Tal poema teria sido ocultado pelo governo soviético, por interesses políticos, mas não encontrei essa informação em fontes confiáveis. De todo modo, o suicídio de Iessiênin gerou uma comoção nacional.

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Serguei Iessiênin (1895-1925)

Teria existido o tal poema de despedida escrito em tinta vermelha? E qual seria seu conteúdo subversivo, para além do próprio destinatário ser outro homem? Confesso que não me dei ao trabalho de pesquisar o grau de perseguição a homossexuais no primeiro quinquênio da revolução russa. Imagino que era alto, afinal passados 100 anos ainda lutamos por essa bandeira. Além disso, ainda que encontrasse dados, não poderia relacionar o suicídio diretamente a isso, e um espírito livre e crítico certamente encontraria motivos de sobra para indignar-se com os rumos da vida naquela sociedade de potencialidades perdidas ano após ano. Alguns explicaram o suicídio rapidamente, culpando a bebedeira típica do “contramestre das noitadas” russas. Mas o amigo Mayakovsky sabia bem quão fétido e pesado era o ar daquela Moscou de 1925, e por isso não culpou o vinho: em seu poema em homenagem ao amigo, disse:

Sim, se você tivesse um patrono no “Posto” [alusão à revista Na Postu, da RAPP – Associação Russa de Escritores Proletários] ganharia um conteúdo bem diverso: todo dia uma quota de cem versos […] Remédio? […] despautério: mais cedo ainda você estaria nessa corda. […] Melhor morrer de vodca que de tédio! […] Você, com todo esse talento para o impossível; hábil como poucos. Por quê? Para quê? Perplexidade. É o vinho! – a crítica esbraveja. Tese: refratário à sociedade. Corolário: muito vinho e cerveja. Sim, se você trocasse a boêmia pela classe; A classe agiria em você, e Ihe daria um norte. E a classe por acaso mata a sede com xarope? […] Talvez, se houvesse tinta no “Inglaterra” [o hotel em que ele se matou] Você não cortaria os pulsos.[…] Os plagiários felizes pedem: bis! Já todo um pelotão em auto-execução. Para que aumentar o rol de suicidas? Antes aumentar a produção de tinta! Agora para sempre tua boca está cerrada. Difícil e inútil excogitar enigmas. O povo, o inventa-línguas, perdeu o canoro contramestre de noitadas. […] Por enquanto há escória de sobra. O tempo é escasso – mãos à obra. Primeiro é preciso transformar a vida, para cantá-la – em seguida. Os tempos estão duros para o artista: Mas, dizei-me, anêmicos e anões, os grandes, onde, em que ocasião, escolheram uma estrada batida? Que o tempo – cuspa balas para trás, e o vento no passado só desfaça um maço de cabelos. Para o júbilo o planeta está imaturo. É preciso arrancar alegria ao futuro. Nesta vida morrer não é difícil. O difícil é a vida e seu ofício.

(o trecho citado é do poema “A Sierguéi Iessiênin” (1926) traduzido por Haroldo de Campos e publicado em Maiakóvski: Poemas. Perspectiva, 2003.)

Sim! Está decidido, agora não tem mais volta – Serguei Iessiênin (1922)

Sim! Está decidido, agora não tem mais volta
Deixei minha querida terra natal,
as folhas de álamos carregadas pelo vento nunca mais cairão sobre mim,
não sentirei novamente o toque das folhas, nem ouvirei seus sussurros, é verdade.

Nossa antiga casa vai vir abaixo na minha ausência,
e o meu velho cão já há tempos está morto.
Nas frias e tortuosas ruas de Moscou
caminho para a morte, esperando conhecer a misericórdia desse Deus que tem me julgado.

Amo demais essa cidade de olmos,
cheia de prédios decrépitos e casas velhas.
Um sonho asiático de inesquecível beleza
onde repousam templos cobertos de ouro.

À noite, quando a luz da Lua, dissipada,
Brilha por sobre a cidade… diabos! O inferno sabe como queimar!
Estou a andar pelas ruas, cabisbaixo, rumo
à taverna mais próxima, para um drink ou dois.

É um antro sinistro e barulhento esse lugar,
Apesar disso, durante a noite toda, até de madrugada,
leio poemas para as meninas que vão se prostituir,
enquanto me embebedo e elas se divertem prazerosamente com os ladrões.

Meu coração começa a palpitar com mais e mais força,
então choro, finalmente perdendo a compostura,
e falo, meio sem propósito, meio fora de contexto:
“Assim como vocês, eu falhei e me perdi,
mas pra mim já não há caminho de volta”.

Minha antiga casa desmoronou na minha ausência,
meu velho cão já há tempos está morto.
Nas frias e tortuosas ruas de Moscou
estou fadado a morrer, esperando a misericórdia desse Deus que tem me julgado.

Tradução de Pablo Polese

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Comentários 8

    • ulisses

      |

      mar 11, 2015

      |

      VALEU, PABLO!
      Maiakóvski (“Para o júbilo o planeta está imaturo. É preciso arrancar alegria ao futuro. Nesta vida morrer não é difícil. O difícil é a vida e seu ofício.”) também seria suicidado pela suíte staliniana da contrarrevolução bolchevique.
      Em contraponto(?), Shakespeare, AS YOU LIKE IT:
      O mundo é um palco,
      E todos os homens e mulheres são meros atores:
      Têm suas saídas e suas entradas;
      No princípio, apenas uma criança
      Miando, vomitando nos braços de uma babá.
      Depois, vem o escolar, com a sua pasta, reclamando aos gritos,
      Com o rosto fresco da manhã, se arrastando qual lesma,
      Desgostoso de ir para a escola.
      Mais tarde, surge o amante,
      Suspirando que nem uma fornalha, compondo tristes baladas
      Às sobrancelhas de sua amada.
      Tempos depois, vem um soldado
      Cheio de estranhos juramentos, peludo como um leopardo
      Zeloso de sua honra, pronto e rápido para uma briga,
      Na procura de vã notoriedade
      Mesmo diante da boca de um canhão.
      Passa o tempo. Agora, é a vez dos sentimentos de justiça
      Mas de barriga cheia de suculento capão forrada
      Com olhar sisudo, barba de corte conservador,
      Dono de sábios conselhos e de exemplos atuais:
      Dessa forma, cumpre seu papel.
      Na sexta idade, se enfia em calças e em chinelas simples
      Agora, usa óculos, bolsa de lado;
      Num mundo muito vasto, as meias juvenis, bem conservadas,
      Não são de mais valia paras para suas pernas agora finas.
      Sua voz viril e portentosa
      Volta aos sons agudos de criança, agora pia, vira assobio.
      Última cena de um desfecho de uma estranha e episódica história:
      Volta a ser criança. Vai-se a antiga memória saudável:
      Sem dentes, sem visão, sem paladar, sem nada.

    • bruno

      |

      mar 21, 2015

      |

      na moral, a nota do tradutor, ainda que interessantíssima, poderia vir depois do poema? só uma questão de pitaco mesmo…

    • ULISSES

      |

      mar 22, 2015

      |

      pitacocídio by p(s)itacose – na moral! – ou felicídio da suicidade porque o analfomegabetismo (antes, depois e durante) é somatopsicopneumático JUSTAMENTE…

    • Pablo

      |

      mar 22, 2015

      |

      ulisses (que dizer desse cara que mal conheço e já admiro pacas?) obrigado pelo Shakespeare. Há uma piada, já bastante rodada, segundo a qual caminhava Stálin e um correspondente estrangeiro pelos campos soviéticos quando se depararam repedidamente com camponeses mortos. Stálin respondia às interrogações do estrangeiro dizendo que “morreram envenenados”. Até que surgiu um morto com um buraco de tiro na testa. “Este se recusou a tomar o veneno”, disse o beGod. Com os poetas e críticos que tinham apoio popular os contrarrevolucionários soviéticos não podiam usar desses métodos de praxe – o que não os impediu de atirar em fornalhas, ainda vivos, sujeitos (em geral militantes mais ou menos desconhecidos) muito ponta-firme da época, ou então isolar outros, como por exemplo o Rakovski. Nem os velhos bolcheviques foram poupados, com destaque pra história de Bukharin (se bem que posso estar confundindo com Kamenev ou mesmo Zinoviev – nunca guardo muito bem os nomes dessas historias de “Tititi marxista”), que aceitou confessar os próprios crimes em troca de que fosse poupada a vida de mulher e filho. Este viu mulher e filho serem mortas, logo antes de ser jogado à fornalha. O que queria dizer era que os métodos de silenciamento de poetas e pensadores eram bem mais elaborados, o que me lembra um trecho de arrepiar do excelente filme “A vida dos outros”. Em todo caso, soa insensível para com os militantes mortos, mas tudo isso, toda a perseguição e assassinato levada a cabo pelo stalinismo, é em certo sentido secundário na história, até porque desvia nosso olhar para elementos individuais, como se a “culpa” fosse da “maldade” dos burocratas soviéticos (ou do próprio Stálin, podendo-se estender a coisa também pra relação entre nazismo e Hitler). Como levar para o âmbito pessoal e de “maldade”, por exemplo, a convocatória e assassinato de centenas de dirigentes comunistas alemães, no famoso Hotel em Moscou, logo antes da assinatura do pacto com Hitler? E todas as demais histórias de massacres e desmantelamentos das revoluções em diversas partes do globo, levadas a cabo conscientemente pela Internacional Comunista?
      A tragédia aqui, para além dos conflitos entre personagens, nem mesmo um Shakespeare ou um Balzac ou um Machado de Assis conseguiria narrar sem se ver obrigado a tomar lições de história. Haja catarse pra tanto coito interrompido. E tudo isso porque você me lembrou que o outro poeta também foi suicidado…

    • ulisses

      |

      mar 23, 2015

      |

      PABLO: A piada é macabra, sem dúvida. Mas não somos politicamente corretos e palavras não nos intimidam.
      O humor negro tem sido, junto com a ironia, uma arma quente empunhada pela crítica ao(s) totalitarismo(s): nacional-socialista (hitlerismo ou fascismo marrom), social-nacionalista (stalinismo ou fascismo vermelho) e o american way of life (democratismo heterocondicionado ou fascismo camaleônico) – por supuesto…
      Democracia é a máscara sorridente do kapital. Fascismo é o kapital sem máscara.

    • Silvia Beatriz Adoue

      |

      mar 23, 2015

      |

      Pablo,

      aí vai o poema de despedida de Iessenin. Sei de cor:

      Hasta luego, hasta luego, compañero,
      yo te guardo en mi pecho y te aseguro
      que nuestro alejamiento pasajero
      es señal de un encuentro en el futuro.

      Adiós, amigo, sin manos ni palabras.
      Y no frunzas tus entrecejo, pensativo,
      que si morir nada tiene de nuevo,
      tampoco hay novedad en estar vivo.

      Há uma tradução em português, do Haroldo de Campos:

      Até logo, até logo, companheiro,
      eu te guardo no meu peito e te asseguro
      que nosso afastamento passageiro é sinal de um encontro no futuro.

      Adeus, amigo, sem mãos nem palavras.
      Não faças um sombrolho pensativo.
      Se morrer, nessa vida, não é novo,
      tampouco há novidade em estar vivo.

    • ulisses

      |

      abr 14, 2015

      |

      Num 14 de abril, há exatos 85 anos, Maiakovski foi suicidado pela suíte staliniana da contrarrevolução bolchevique.

    • Pablo

      |

      jun 24, 2015

      |

      Aos amigos leninistas e bolcheviques de primeira onda:

      Segue abaixo o Requiem de Eisler para Lenin, de 1935.

      https://www.youtube.com/watch?v=G9Vs5NZQlKI

      O Requiem, tem 9 Partes, e celebra os 10 ou 13 anos da morte de Lenin. As 9 partes estão nesses 15 minutos do video acima. Segue abaixo uma tradução apressada minha do texto, que é de Brecht (mas creio que com modificações para a música):

      Quando Lenin morreu, conta-se que
      um soldado da guarda disse a seus companheiros:
      eu não queria acreditar. Fui até onde ele estava e gritei
      em seu ouvido: “Ilich, Ilich, os exploradores estão chegando!”.
      Ele não se moveu.

      Então tive certeza
      que ele estava morto.

      Se um homem bom precisa partir,
      Como se faz para detê-lo?
      Diga-lhe por que ele é útil.
      Isso poderá impedir sua partida.

      O que poderia segurar Lenin?

      O soldado pensou:
      Se ele ouve que os exploradores estão vindo,
      e está só enfermo, ele vai se levantar.
      Talvez venha com muletas.
      Talvez faça com que o carreguem
      mas, ele se levantará para
      lutar contra os exploradores.

      O soldado sabia que Lenin
      tinha lutado a vida toda
      contra os exploradores.

      Depois de terem tomado de assalto
      o Palácio de Inverno, o soldado quis
      voltar para casa, afinal, já tinham
      repartido as terras dos proprietários
      Porque as culturas de inverno
      estavam prontas para o plantio nos campos
      Então, Lênin disse: Não vá.
      Ainda há exploradores.
      E enquanto exista exploração
      você deve lutar contra ela.
      Enquanto você existir,
      você tem que lutar contra isso.

      O fracos não lutam.
      Os fortes sim, lutam por alguns anos. Mas,
      os mais fortes de todos, lutam toda sua vida.
      Estes são imprescindíveis.

      Os fortes lutam talvez por algumas horas. Mas,
      os mais fortes de todos, lutam toda sua vida.
      Estes são imprescindíveis.

      Muitas pessoas estão cansadas,
      é melhor quando elas partem
      Mas quando ele se foi, sentimos saudades.

      Ele organizou sua luta
      pelos centavos a mais no salário,
      Pela água do chá e pelo poder do Estado.
      Ele perguntou à propriedade: De onde você é?
      Ele pediu sua opinião: A quem você serve?

      Onde quer que as pessoas se calam,
      lá ele vai falar,
      E onde há opressão
      e fala-se do destino,
      Ele vai chamar as coisas pelos seus reais nomes.
      Quando ele se senta à mesa
      a insatisfação fica lá também,
      A comida vai ser ruim,
      e o quarto vai ser visto como demasiado apertado.
      Onde quer que o caçem, tumultos se seguirão,
      E onde ele é perseguido, a agitação permanecerá.

      Onde ele é caçado a agitação permanecerá.

      No momento em que Lenin morreu nós estávamos perdidos,
      A vitória havia sido conquistada,
      mas o país estava todo devastado.

      As massas tinham se estabelecido,
      Mas o caminho ainda era trilhado na escuridão.

      Quando Lênin morreu,
      o soldado se sentou no meio fio e chorou
      E os trabalhadores correram por entre as máquinas
      e apertaram seus punhos.
      Quando Lênin morreu, foi
      como se a árvore dissesse para as folhas: “estou indo”.

      Desde então se passaram 13 anos.
      Um sexto do mundo foi libertado
      da exploração.
      Na chamada: “os exploradores estão vindo”,
      As massas sempre vão se levantar de novo,
      prontas para lutar.
      Lenin está consagrado no grande coração
      da classe trabalhadora.

      Ele era o nosso professor.
      Ele lutou com a gente.

      E agora está consagrado no grande coração
      da classe operária.

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