Cansados de medidas paliativas e disputas por migalhas, os trabalhadores da cultura perdem a paciência e ocupam a FUNARTE em São Paulo. Por Passa Palavra

img_24261Durante a tarde desta segunda-feira, 25/07, cerca de 600 pessoas ocuparam a sede da Fundação Nacional das Artes (FUNARTE) na cidade de São Paulo. Desde às 14h, os trabalhadores da cultura, atuantes nas áreas de teatro, dança, circo, vídeos e outras artes manifestavam-se em um palco montado numa rua que ladeia a instituição, na região central de São Paulo. Por volta das 17h, adentraram as instalações da FUNARTE, decretando o espaço “ocupado sob custódia dos trabalhadores artísticos”.

Segundo Luciano Carvalho, do Coletivo Dolores Boca Aberta, esta é apenas a primeira atividade de uma série que ocorrerá para pôr em pauta o tema do financiamento dos programas culturais em todo o país. O movimento é contrário  à forma em que vêm sendo pensadas e contruídas as leis voltadas para o setor, centradas basicamente no modelo de renúncia fiscal, a exemplo da Lei Rouanet, uma forma essencialmente mercantilizada, que mais serve à “gerência de marketing das empresas”, ao invés de promover o investimento direto nos grupos e coletivos que fazem a coisa acontecer. “Às vezes, há um paliativo: um editalzinho. Mas mantêm a mesma estrutura”.

img_2391Da forma que está, as políticas federais de apoio a cultura acabam destinando o grosso da verba estatal para as empresas. Sobre o impacto que o padrão de financiamento tem provocado nas  iniciativas populares e ligadas aos movimentos sociais, Luciano comenta que, nestes casos, “a cultura é relegada a guetos de resistência”, servindo à logica da concentração de capital e “estimulando a divisão pela disputa de migalhas”.

Fábio, membro da Brava Cia. de Teatro, conta que há mais de 8 anos os grupos buscam o diálogo, através de reuniões e comissões com Ministérios, e até propostas de leis já entregaram. Hoje, inspirados na frase de um poema de Mauro Iasi, dizem: “É hora de perder a paciência!”

img_2475Os manifestantes ocuparam o  prédio da FUNARTE de forma tranquila e festiva. Havia batuques, palhaços, danças, confecção de camiseta, malabares, recitação de poemas, projeção de vídeo, etc. Assim que os cadeados foram trancados e declarada a ocupação, deu-se início à formação de comissões e divisão de tarefas. O objetivo, mais do que abrir um canal de negociação, como costuma ser, é o de montar uma vigília constante e, coletivamente, “pensar em uma nova forma de fazer política”. Mais tarde, em plenária, os artistas decidiram que iriam dormir esta noite no local, mas preparam-se para ficar por mais tempo: “é possível que durma hoje, amanhã e …”, disse um dos ocupantes.

A ação do Movimento dos Trabalhadores da Cultura está sendo organizada por diversos grupos e coletivos — entre eles, Cooperativa Paulista de Teatro, o Movimento 27 de Março e o Movimento de Teatro de Rua de São Paulo –, e conta com o apoio de outras organizações políticas, como o MPL-SP, a CSP-Conlutas e o MST. De acordo com Ney Piacentini, representante da Cooperativa Paulista de Teatro, participaram da concepção do ato cerca de 300 grupos culturais, inclusive do interior do estado.

Leia aqui o manifesto. E leia aqui acerca da continuação da ocupação.

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10 COMENTÁRIOS

  1. CHAMAMENTO URGENTE

    Convocamos à [email protected] os fazedores de Cultura a se fazerem presentes no Prédio da Funarte São Paulo essa noite, madrugada e pela manhã pra reforçar a luta.

    Pedimos também pra que os grupos transfiram pela manhã suas atividades para a Funarte que iremos elaborar uma programação.

    Após Ocupação, a plenária decidiu dormir na Funarte São Paulo e definirão em assembléia a continuidade ou não da permanência

    São oito anos de falso diálogo com o governo federal e nenhuma perspectiva de mudança na política cultural do país.

    Militantes ligados a coletivos de arte que ocuparam a sede da Funarte (Fundação Nacional de Arte), órgão do Ministério da Cultura (MinC), no centro de São Paulo, na tarde desta segunda-feira (25), decidiram, em assembléia, passar a noite no local. Os trabalhadores protestam contra a política cultural do governo federal, exigem a votação das PECs (Proposta de Emenda à Constituição) 236 e 150 que tramitam no Congresso e defendem o descontingenciamento do orçamento da pasta.

    Segundo Luciano Carvalho, integrante do coletivo teatral Dolores Boca Aberta Mecatrônica de Artes, que atua na periferia da zona leste de São Paulo, cerca de 700 manifestantes participaram do protesto e 500 deles pretendem passar a noite na Funarte. “Vamos ficar aqui até amanhã, pelo menos, quando faremos uma nova assembléia. Até lá, vamos impedir a realização da programação que estava prevista. Esta é a primeira de uma série de ações que vamos fazer”, afirmou. SITE UOL

    Alameda Nothmann, 1058 – Campos Elísios – São Paulo-SP
    Informações: (11) 8121-6554

  2. Coisa linda! Só espero que não quebrem nada…

    Recitais e oficinas com poetas, exposições de fotos e quadros, bandas tocando, maracatu saracoteando, dançarinos de rua, bailarinos saltando e etc e tal pode ser uma beleza rara de protesto, pode.

    “É hora de perder a paciência!”

  3. PERDEMOS A PACIÊNCIA!

    OS TRABALHADORES DA CULTURA OCUPARAM ONTEM A SEDE DA FUNARTE EM SÃO PAULO!

    A ASSEMBLÉIA É PERMANENTE!
    NOSSA PRESSÃO SOBRE OS GOVERNANTES EXIGE POLÍTICAS PÚBLICAS ESTRUTURANTES PARA A CULTURA E
    O FIM DA TRANSFERÊNCIA DE DINHEIRO PÚBLICO PARA A INICIATIVA PRIVADA (LEI ROUANET)

    HOJE NA FUNARTE, ALAMEDA NOTHMANN 1058 – 20h

    COMPAREÇA AO GRANDE DEBATE SOBRE POLÍTICAS PÚBLICAS PARA A CULTURA!

    http://www.culturaja.com


    Cia. São Jorge de Variedades – http://www.ciasaojorge.com

  4. O Fora do Eixo também está presente na mobilização. E agora? Vão rotular e jogar todos os membros dela no mesmo saco como fizeram na Marcha da Liberdade e defender que se abandone este espaço? Ou os caras não estão ali também pra capitalizar a parada?

  5. Gil, o importante agora é que as pessoas envolvidas na mobilização dispõem de clareza e abundância de informações para lidarem com as contradições e decidirem como melhor entenderem. Que rumo tomará a luta dos trabalhadores da cultura? Não sabemos. Vamos apoiar e fazer o possível para que a mobilização se radicalize e não se resuma a uma luta por editais mais generosos.

    Beijos

  6. Só saliento que o Fora do Eixo não está presente (não há um militante deles lá).

  7. Se o Palocci caiu por que Ana de Hollanda não cai? O “ministério do Tropicalismo” não governou nem para as ideologias tropicais. Esse movimento inaugura as “Diretas Já” da cultura brasileira. Em terra de quem tem olho a consciência é a Lei!!!

  8. Usar como um dos pretextos para a ocupação uma crítica à Lei Rouanet, que permite captar das empresas via isenção fiscal, quando também há outras formas (via editais do MinC e das secretarias estaduais e municipais, p.ex.) é desnudar os reais motivos desse movimento criado dentro de um partido, que busca com isso ganhar visibilidade. Aproveitamento político das demandas de uma categoria de trabalhadores – outra vez? Não nos fartamos disso, tb.?

  9. Sobre essa invasão negativista e rancorosa da Funarte Pablo Capilé, Ivana Bentes e Claudio Prado falaram tudo!!!

    http://farofafa.com.br/especiais/2011/08/esse-tal-de-pos-rancor/

    Pablo: “O cara que invadiu a Funarte pra fazer manifestação pediu 2% do orçamento para a cultura, porque ele sabe que isso não vai acontecer, pra poder continuar reclamando da Funarte. Ele já coloca uma meta que não vai se cumprir, ele sobrevive em torno da meta de não conquistar, até porque não está preparado pra ganhar, pra assumir a responsabilidade. Ele só pode transferi-la. Quando você não está preparado pra ganhar nem pra assumir a responsabilidade, você tem que colocar a culpa no mundo, transferir a responsabilidade e perder sempre. Essa é a matemática do rancor.”

    Ivana arremata a conceituação: “O cara é incapaz de trabalhar a partir do afirmativo.”

    Cláudio arremata o arremate: “É o compromisso atávico com o inviável.”

    Vocês do Passa Palavra podem se juntar com os “trabalhadores” da Funarte em nome das reclamações, do contra, do negativismo, do INVIÁVEL!!! VOCÊS SÃO O NÃO!!!

    NÓS VIVEMOS A CULTURA LIVRE!!!

    VIVA O ZÉ CELSO!!!

    VIVA O AMOR!!!

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