«— Mas, Ilitch, eles roubaram nossas ideias! — Creio que nunca foram nossas!» Por Galliano

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Original de Galliano aqui.

14 COMENTÁRIOS

  1. Pois é, as ideias de muitos que tomaram os processos depois das insurreições populares não corroboraram com a queda do capitalismo de fato.
    À Lenin, não atribuo qualquer culpa. A NEP foi um resultado da má escolha de fazer alianças com os grandes camponeses ricos (Kulaks). Como o “socialismo real” foi divulgado e construído, só se dá mais razão histórica às idéias de Trotsky, como se a história o vinga-se e o legitimasse.

  2. E na fala de Lenin “creio que nunca foram nossas”, deveria ser, ao meu ver, assim “creio que nunca foram suas”.

  3. A NEP era capitalista, porque não há nada que não seja capitalista.

    O Welfare State e todas as conquistas sociais, ainda que mínimas,também foram capitalistas se beneficiando das lutas marxistas.

    As ideias nunca foram nossas: elas são de todos. Claro que os exploradores tentam usá-las sempre a seu favor e assim o farão, usando as conquistas do pensamento e do trabalho a seu favor enquanto o jogo não virar de uma vez.

    Excelentes quadrinhos!

  4. Muito bom, pena que a esquerda mais ortodoxa não tenha senso de humor, menos ainda tenha boa vontade de entender a séria ironia deste ótimo quadrinho. Mas, brincar com ídolos e deuses é coisa séria…

  5. Bom, se entendi bem, algumas críticas foram à mim.
    Eu adoro quadrinhos e tiras – eu também produzo. Gosto ainda mais porque, inclusive, acho que podemos ter intervenções qualificadas, discutir política. Foi o que esse quadrinho fez comigo.
    Pra mim, é bem tranquilo.

  6. O sentido de humor resulta de forma natural na relação que se estabelece entre a criatividade do autor e a inteligência do leitor. Por exemplo, é bastante divertido o cartoon que nos mostra João Paulo II com um preservativo enfiado no nariz. Qualquer católico inteligente e admirador deste Papa, com certeza, acha piada e ri-se de boa vontade.
    Não me parece pois que o humor ou a falta dele esteja muito dependente da “ortodoxia” ou não do observador mas sim da sua inteligência como já foi dito atrás. Quanto à originalidade e intencionalidade do autor, isso umas vezes é feito com alguma imaginação outras vezes não.

  7. Excelente. Mas além da crítica à falta de originalidade (?) – como também o reconhecimento de que o capitalismo é genial em fagocitar o que supostamente lhe ameaça – fica a seguinte questão: faltaram “ideias novas” (ou não capitalistas) para destruir o capitalismo “de uma vez por todas”? Ou somente ele próprio pode se destruir? Neste caso, caberia a “nós” a somente a vigilância e denúncia dos candidatos a gestores da extorsão de mais-valia?
    Lenin, a quem me parece injusto identificar às outras três “contribuições” elencadas, dizia que as palavras mudam de sentido de acordo com aqueles que a sustentavam. As ideias não? Onde será que isso leva?… ao abandono do materialismo ou ao abandono da militância revolucionária? Ou aos dois?

  8. Muito bom o quadrinho e muito bom o comentário e as questões do Rodrigo – ia ser bom se os camaradas do passapalavra respondessem essas questões.

    Tenho as idéias afinadas com o coletivo do Passapalavra na crítica a tendência de sempre surgir uma nova burocracia dentro dos movimentos dos trabalhadores. Ao mesmo tempo vejo diversos militantes de movimentos reivindicarem figuras como lênin, trotsky, che, sem isso fazer deles gestores.
    Já vi também muitos que se reivindicam anarquistas e autonomistas cumprirem papel de burocratas.
    E, claro, o que mais existe, é gente que não reivindica nenhum autor ou tradição política – porque nem hábito de leitura possuem.

    Concluo que a prática cotidiana tem muito mais relação com a manutenção das relações horizontais numa organização ou movimento do que a tradição política que as pessoas reivindicam.

  9. Se tudo é capitalismo como foi dito acima e se todos os teóricos revolucionários se tornam uma classe de gestores do capital então a nossa conclusão deve ser.??? Cruzar os braços??? Chega de niilismo vazio.

    Acho que niilismo bom é aquele que depois de um quadrinho desse marca uma reunião com hora e local com gente disposta a carregar garrafas de vidro com gasolina e enxarcar trapos para acender molotov e, pelo menos, depredar a propriedade privada. Ficar nesse denuncismo de viúva da revolução só serve para massagear egos inflados de quem não vai pro pau.

  10. Pelo que percebi do quadrinho não é que tudo é capitalismo, tudo vira capitalismo, é absorvido por este, o que é bem diferente. Ou vivemos num mundo não-capitalista?
    O que pode existir (e existe) são espaços de resistência ao capitalismo.
    Mas fecharmos os olhos para as formas como esse sistema se apropria das resitências (práticas e teóricas) para impulsionar a sua própria reprodução é o que faz com que estejamos reiteradamente tomando pau desse sistema, ainda que depredemos algo de propriedade privada com molotovs (se é que quem escreveu já o fez).
    Recusarmo-nos a pensar sobre as nossas derrotas (enquanto militantes de esquerda), não fazermos auto-crítica sobre nossa história de tentativa de superação desse sistema, e continuarmos a criar mitos é o caminho mais fácil, e rápido, para que tudo não apenas continue como está, mas que piore ainda mais.
    E essa auto-crítica deve passar não apenas pelas grandes figuras e momentos da história, mas, e concordando com o comentário do João da Silva, pela nossa prática cotidiana e pelo tipo de relações que produzimos e reproduzimos.

  11. Concordo com a Maria e de fato nunca destrui nenhuma propriedade privada com molotovs. Me faltou um coletivo de niilistas disposto a isso e a clareza de que tais danos seriam construtivos politicamente. Não quis dizer que agir é oposto a pensar. Mas que é da prática de esquerda que surgem questões concretas para avançarmos contra o sistema. E nesse sentido pensarmos nas nossas derrotas é que significa criar mitos, tornando as nossas lutas cotidianas um curso de formação sem fim até a hora da prática revolucionária.

  12. O capitalismo hoje é ecológico, é feminista, é pró minorias, é vegetariano, é negro. Ser negro, feminista, ecológico, pró minorias é a nova roupagem que o capitalismo tem se dado. E, no entanto, há tantos que acham que estão a promover lutas anticapitalista quando mais não fazem que impulsionar essa renovação. O capitalismo é uma cobra que troca de peles muitas vezes. Quem puxa a casca velha e força o aparecimento da nova é a esquerda.

  13. Que fazer?

    Com tanta baboseira e com tanto pasquim anedótico não se pode fazer nada…

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