Mais de 60 estudantes foram detidos e estão sendo agora encaminhados para um ônibus da PM. Por Passa Palavra

usp-3Cerca de 400 policiais da Tropa de Choque da Polícia Militar (PM) de São Paulo, acompanhados das guarnições do Grupo de Operações Especiais (GOE) e da Cavalaria da PM desocuparam no início da manhã dessa terça-feira (dia 08 de Novembro) o prédio da Reitoria da Universidade de São Paulo (USP). Na operação mais de 60 estudantes que estavam no local foram detidos e estão sendo agora encaminhados para um ônibus da PM. Segundo informações dos estudantes que estavam do lado de fora da Reitoria, alguns detidos já foram para um distrito policial próximo da USP.

No momento, um contingente considerável de estudantes permanece próximo ao prédio da Reitoria, protestando contra as prisões. Estes estudantes estão cercados por um número expressivo de militares da Tropa de Choque. Outro contingente de policiais está nas dependências da Reitoria, revistando o local.

A ação da Reintegração de Posse começou a ser executada no final dessa madrugada, com a mobilização ostensiva das forças policiais, incluindo dois helicópteros Águia da PM. O prazo legal para o cumprimento da Reintegração terminava ontem, mesmo dia em que os estudantes realizaram uma assembleia em que decidiram manter a ocupação.

usp-4Cabe lembrar que a origem desse acontecimento se deu pela prisão de três estudantes no estacionamento do prédio da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, que, segundo as informações da PM, portavam maconha. Nesse mesmo dia os ânimos entre a Polícia Militar e os estudantes – que tentavam impedir que seus colegas fossem presos – se exaltaram. No estacionamento da mesma Faculdade um conflito se estabeleceu – e a polícia militar interveio com uso de bombas e gás de pimenta. Como relatado em um artigo anteriormente publicado nesse mesmo site, logo após a ação de resistência, na noite de 27 de outubro, e após uma assembleia geral emergencial, os estudantes ocuparam o prédio da administração da FFLCH, tendo como reivindicação principal a revogação do convênio que a Universidade firmou recentemente com a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo. Os estudantes ainda apresentam outras demandas relacionadas às questões de segurança, como melhorias na iluminação dos campus universitário e no sistema de transporte interno da USP.

Dias depois, em 1º de novembro, os estudantes realizaram uma conturbada assembleia – e uma parte deles decidiu ocupar o prédio da reitoria da universidade.

Em breve, conforme o decorrer dos acontecimentos e com a obtenção de maiores informações, atualizaremos a notícia aqui publicada.

Recebemos a seguinte informação:

A Polícia Militar mandou fechar o bandejão de manhã, temendo aglomerações. O cerco ao CRUSP foi tão forte quanto o da Reitoria. Soltaram bombas para evitar que os cruspianos descessem. Há informações de que os alunos foram muito espancados lá dentro, mas não existem imagens. Um estudante do CRUSP conseguiu entrar com a imprensa para filmar e foi preso também.

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Última informação (23h30 de terça-feira – 08/11/2011)

Após passarem o dia inteiro em mobilização, os estudantes da USP, reunidos em assembleia com a participação de mais de 2.000 pessoas, decidiram entrar em greve.

Os 73 alunos e estudantes que foram presos começaram já a ser liberados, mediante o pagamento de fiança, fixada no valor de um salário mínimo para cada um. Sindicatos, movimentos sociais e outras entidades contribuíram para que o montante fosse alcançado.

A assembleia desta noite ainda deliberou pela realização de uma

NOVA MANIFESTAÇÃO:

#ff0000;">Quinta-feira, dia 10/11, às 14h,

#ff0000;">na Faculdade de Direito do Largo São FranciscoUSP#ff0000;">.

Em seguida, outra assembleia de estudantes acontecerá no mesmo local, às 18h.

Fotografias do ato desta terça-feira

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Fotografias: Passa Palavra

14 COMENTÁRIOS

  1. ENFIM, RETORNO À (A)NORMALIDADE. PARABÉNS, VCS VENCERAM UMA BATALHA, MAS NÃO SE ESQUEÇAM QUE A GUERRA NUNCA ACABA. AQUI, MAIS AO NORTE, SIM, BEIRANDO À BOLÍVIA, NÓS RESISTIMOS, JÁ SÃO MAIS DE 30 DIAS DE OCUPAÇÃO DE REITORIA DE UMA FEDERAL. VIDA LONGA A QUEM TEM CORAGEM DE NÃO VIVER DE JOELHOS!

  2. AH, LEMBRANDO, A UNIVERSIDADE QUE EU FALO É A UNIR (UFRO), RONDÔNIA. UM PROFESSOR FOI PRESO PELA PF, TAMBÉM O FORAM 2 ESTUDANTES.

  3. NOTA PÚBLICA DOS PRESOS POLITICOS DA USP

    São Paulo, 08 de novembro de 2011 – 14h15.

    Nós, estudantes da USP, que lutamos contra a polícia na universidade e pela retirada dos processos administrativos contra estudantes e trabalhadores, viemos por meio desta nota pública, denunciar a ação da tropa de choque e da polícia militar na madrugada do dia 8/11.
    Numa enorme demosntração de intransigência em meio ao período de negociação e na calada da noite, a reitoria foi responsável pela ação da tropa de choque da PM que militarizou a universidade numa repressao sem precedentes. Num operativo com 400 homens, cavalaria, helicópteros, carros especializados e fechamento do Portão 1 instalou-se um clima de terror, que lembrou os tempos mais sombrios da ditadura militar em nosso pais.
    Resistimos e nos obrigaram a entrar em salas escuras, agrediram estudantes, filmaram e fotografaram nossos rostos (homens sem farda nem identificação). Levaram todas as mulheres (24) para uma sala fechada, obrigando-as a sentarem no chão e ficarem rodeadas por policiais homens com cacetetes nas mãos. Levaram uma das estudantes para a sala ao lado, que gritou durante trinta minutos, levando-nos ao desespero ao ouvir gritos como o das torturas que ainda seguem impunes em nosso país. Tudo isso demonstra o verdadeiro caráter e o papel do convênio entre a USP e a polícia militar.
    A ditadura vive na USP. Tropa de choque, polícia militar, perseguições a estudantes e trabalhadores, demissão de dirigentes sindicais, espionagem contra ativistas e estudantes, repressão através de consultas psiquiátricas aos moradores do CRUSP (moradia estudantil).
    Nós, que estamos desde as 5h sob cárcere e controle dos policias, chamamos todos a se manifestarem contra a prisão de 73 estudantes e trabalhadores por lutarem com métodos legitimos por seus direitos.
    Responsabilizamos o reitor Joao Grandino Rodas, e toda a sua burocracia acadêmica e o governador do estado de SP Geraldo Alckmin, junto ao seu secretário de seguranca pública, por toda a repressao dessa madrugada. Reafirmamos nossa luta contra a polícia, dentro e fora da universidade, que reprime a população pobre e trabalhadora todos os dias.

    Fora PM!
    Revogacao do convenio!
    Retirada dos processos!
    Liberdade aos presos politicos!

    .”Pode me prender, pode me bater, pode até deixar-me sem comer, que eu não mudo de opinião! Porque da luta eu não saio não!”

  4. O título está errado. O correto seria Polícia ocupa reitoria da USP. Quem desocupou e à força foram os estudantes.

  5. Quando os estudantes da principal universidade passam a ser tratados como os demais trabalhadores temos a prova cabal de que a universidade deixou de ser de elite e foi absolutamente proletarizada.

    O mais absurdo em tudo foi o cerco ao CRUSP. Usaram o mesmo tratamento dado às populações penitenciárias. Isola-se primeiro os outros pavilhões antes de agir do sobre o pavilhão específico.

  6. E os senhores professores, da História, Filosofia, Ciências Sociais e Geografia, o que pensam eles sobre os fatos acontecidos? Alguém tem notícia deles? Marxistas, pensadores críticos uspianos, o que pensam? Será que já redigiram um manifesto comentando “dialeticamente” o ocorrido, com solicitações de assinaturas de apoio pela internet?

  7. Não entendo o porquê de toda essa indignação.

    Será que a PM não pode realizar uma simples reintegração de posse?

    Alguns alunos alegaram que a universidade deve ter autonomia, contudo, autonomia securitária é algo indelegável; o Estado jamais poderá delegar o poder de polícia para outra entidade, isso é absurdo. Se se admitisse isso, teríamos que após um assassinato na USP admitir que as próprias autoridades administrativas devam fazer as diligências, as prisões, as investigações, o inquérito, etc.

    O exercício do direito a manifestação deve ser garantido a todos os brasileiros, nos limites da lei e da constituição. A polícia não é empecilho à realização desse direito, tanto é que todas as marchas e atos são realizados no meio da cidade, sob a vigilância policial; é assim que o direito de manifestação é exercido nos dias de hoje. O aluno da USP que alegar que a PM impede o exercício de seus direitos políticos e que por isso deve se retirar do campus é a um só tempo mal informado e egoísta. Mal informado por acreditar que a polícia é alguma espécie de impedimento as manifestações, por desconhecer que o direito de greve e de manifestação deve ser exercido dentro de certos limites, e que à polícia cabe assegurar esses limites. Egoísta, pois, mesmo que a polícia fosse de fato uma instância repressiva, deveria este aluno então defender a dissolução da entidade policial para que todo e qualquer brasileiro possa exercer de forma livre seus direitos políticos e não defender meramente a sua liberdade interna ao campus em detrimento da repressão de todos os outros cidadãos brasileiros.

    Se, apesar disso, algum indivíduo ou grupo deseja realizar atos ou manifestações de forma ilegal, creio que eles podem fazê-lo, contudo, devem arcar com as conseqüências de seus atos. Se eu quero fazer uma manifestação invadindo propriedade alheia e depredando bens de terceiros, eu posso, contudo tenho de arcar com as conseqüências desse ato. A reintegração de posse é a conseqüência jurídica da perturbação da posse alheia.

    A grande realidade é que esses grupos organizadores desses atos são bastante autoritários. Eles exigem que sejam democráticos com eles, fazendo concessões, negociando, etc. contudo eles mesmos se recusam a ser democráticos, pelo contrário, são chatos e intransigentes.

    Se a USP fosse um prédio ou um pequeno conjunto de prédios eu acharia adequado que a segurança fosse feita por uma guarda interna, sendo chamada a polícia quando se mostrasse necessário; contudo, na medida em que o campus é praticamente uma cidade, onde há intensa circulação de pessoas e bens, além de ser um ponto de interligação entre importantes vias paulistanas, é inadmissível exigir que a polícia não possa adentrar no campus e circular em seu espaço interno.

    Existe muito recalque político entre os alunos da USP; muitos agem como se vivêssemos sob uma ditadura, talvez isso seja fruto de se ler muito do mesmo, de se falar muito do mesmo, de se debater muito do mesmo; os conceitos continuam os mesmos, as bandeiras, as análises e as indicações bibliográficas também. Somado a isso, a vontade dos jovens de serem agente políticos, de exercerem seu papel social, além de uma certa vaidade que todos nós temos. Tudo bem, tudo isso é aceitável levando em conta que estamos falando de jovens, mas acho que seria justo exigirmos mais dos alunos da maior universidade do país.

  8. COMO PODE ACONTECER ESSA TRUCULÊNCIA DENTRO DE QUALQUER UNIVERSIDADE? CADÊ O REITOR? ELE REPRESENTA OS FUNCIONÁRIOS, ALUNOS E PROFESSORES? COMO DEIXOU CHEGAR A ESSE PONTO? NÃO TEVE CAPACIDADE DE EVITAR TUDO ISSO???? NÃO DESEJO ISSO A NINGUÉM. TENHO VERGONHA DE TUDO ISSO, ESTOU INDIGNADA COMO TUDO ESTÁ ACONTECENDO. TORÇO PELOS PENSANTES, POR TODOS ESTUDANTES DA USP OU DE QUALQUER OUTRA FACULDADE, PELOS PROFESSORES, PELO DIÁLOGO, PELA EDUCAÇÃO NESTE PAÍS! ABRAM PARA O DIÁLOGO, PARA A REFLEXÃO, FAZ BEM!!!!

  9. Nada justifica a violência policial contra civis em nenhum contexto e neste também não.

    Se cabem autocríticas ao movimento, acho que é uma segunda história.

    Porque sim, claro, entre nós está posto que somos contra a repressão policial. Mas, historicamente lidamos com ela. E há formas mais ou menos coerentes de se lidar com ela.

    Tem pelo menos duas frentes que alguns estudantes da usp (que às vezes eu suspeito até que sejam inflitrados, porque são os que fazem mais barulho e ganham projeção relativa na mídia burguesa) estão ignorando sistematicamente há alguns anos:
    uma: como agir de forma a abrir um diálogo com a sociedade, ao invés de fechá-lo mais?
    a outra: como garantir que o movimento tenha unidade e reflita coletivamente sobre suas ações, e responda por elas?

    Penso que o movimento estudantil está um prato cheio para a repressão se instaurar e há que se colocar isso também. A direita está disputando, e há sérios riscos de que leve o dce, depois de muito tempo.

    A moça dos videos do link grita, os comentários são desfavoráveis a ela, e a gente continua sendo contra a repressão, mas sente dificuldade em defender a moça. Eu já cheguei a pensar que a formação de moças como essa pra agir assim, individualmente, de maneira emocional e inconsequente, e achar que a mlitância é isso, não é por acaso. Ela afasta as pessoas mais sensatas, que sentem dificuldade em competir, falando, com os gritos, racionalmente, com a irracionalidade. E legitima a direita quando ela diz que estamos exagerando.

    Então, acho que quem está fazendo a formação dessas pessoas é a direita. Que percebeu melhor que nós a importância do movimento estudantil.

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