A Polícia Militar de Goiás continua com ação violenta contra manifestantes em Catalão. A truculência teve início no último dia 10, durante marcha e panfletaço pela cidade para denunciar a tentativa do banco Itaú em despejar os camponeses Elvira Cândida de Jesus Pereira, seu esposo, João Batista Pereira, seus três filhos e o genro. A mobilização em prol dos camponeses e contra a brutalidade da polícia segue hoje e está sendo repreendida pela PM, também de forma excessiva. Em protesto, neste momento, a agência do Itaú foi ocupada por cerca de 300 pessoas.

A polícia e o homem que comprou, em leilão, a propriedade da família camponesa ameaçam quem participa da mobilização. O caos tomou as ruas da cidade. Alunos e professores da Universidade Federal de Goiás (UFG), campus Catalão, são perseguidos pela polícia. Seguem as agressões também aos militantes do Movimento Camponês Popular (MCP) e de outros movimentos.

Para o MCP, a brutalidade da ação é sinal claro que a PM em Goiás está sem comando. Ainda hoje haverá reunião e negociação com o banco Itaú para evitar o despejo da família camponesa. O MCP espera que o banco bilionário se sensibilize com a situação da família, bem como com o desencadeamento da ação violenta da PM.

 Violência da PM goiana

A ação da polícia teve início quando, durante discurso, do professor de geografia da UFG, Gabriel de Melo Neto, houve crítica ao envolvimento de políticos goianos com o esquema de jogos e propinas, revelados pela operação Monte Carlo, e a relação evidente de Carlinhos Cachoeira com políticos do estado. Gravações amadoras mostram agressões a manifestantes e revelam que o povo não agrediu a PM, como divulgado em alguns meios de comunicação. Cassetetes, cachorros, ameaças, tentativas de asfixia, golpes na cabeça são a tônica de repressão utilizada pela polícia.

O professor Gabriel foi ameaçado de morte e está sob os cuidados de uma equipe de manifestantes. Após o início das agressões, o professor foi ao Ministério Público, onde foi atendido pelo promotor Mário Henrique Caixeta e seguia para o Instituto Médico Legal (IML) para fazer o exame de corpo de delito. Durante o percurso foi informado que o policial Hudson o aguardava no IML, dizendo a todos “eu vou encontrar o Gabriel nem que seja no inferno”. As ameaças também partiram do policial Martins e de outros que ainda não foram reconhecidos.

Taíza Kézia de Melo, conhecida como Pará, do movimento estudantil, grávida de seis meses foi agredida ontem e hospitalizada na Santa Casa de Catalão. O camponês Alan Kardec, gravemente ferido, na cabeça, também foi hospitalizado e está se recuperando. Idosos também foram agredidos.

Dois estudantes do curso de geografia foram detidos ao tentar dialogar com a PM, são eles: Marcelo Rosa e Paulo Mota. Foi realizado boletim de ocorrência das agressões. Os manifestantes agredidos não fizeram exame de corpo de delito, porque médicos de Catalão se recusaram a realizar o exame. O promotor Mário Henrique Caixeta tirou fotos das vítimas. Os médicos temem represálias da polícia militar e preferiram não se envolver no caso.

Apoio

As Comissões de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Goiás e da Câmara dos Deputados, em Brasília, foram acionadas ontem e acompanham o caso. Durante reunião, em Brasília, ontem, do MCP com o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Antonio Carlos Ferreira, também foi reportada os excessos da polícia militar de Goiás. Os deputados federais Domingos Dutra e Marina Sant´anna e o deputado estadual Mauro Rubem se mobilizaram para evitar o agravamento da situação. Será solicitada a realização de audiência pública no município sobre as violações de direitos humanos cometidas por policiais.

A população de Catalão, assustada com a polícia militar, apoia os manifestantes. Pessoas ligadas a sindicatos, igrejas, movimentos sociais, diretório acadêmico e demais organizações aderem cada vez mais à causa. Com o apoio do MCP, os manifestantes agredidos estão tomando as medidas junto ao Ministério Público e outros órgãos para que os abusos cometidos pela polícia sejam investigados, apurados e as providências cabíveis sejam tomadas.

Os manifestantes não vão se calar diante de uma série de injustiças que está ocorrendo em torno do caso. O acampamento na comunidade Ribeirão, na propriedade do casal João e Elvira segue montado para evitar a ação de despejo da família e mobilizações pelas ruas da cidade serão intensificadas. Com a truculência da polícia mais pessoas se juntaram ao acampamento.

Comunicação MCP

Mais informações em: http://www.mcpbrasil.org.br/noticias/denuncias/item/539-segundo-dia-de-viol%C3%AAncia-contra-manifestantes-em-catal%C3%A3o

 

 Assista vídeos e veja fotos da manifestação aqui. Para maiores informações sobre a repressão em Goiás aqui.

 

 

2 COMENTÁRIOS

  1. Olá a [email protected]… quero parabenizar a equipe desse site por permitir visibilidade a violência que os trabalhadores em suas mais diversas funções laborais e lugares estão sofrendo país afora.

    No caso em questão: A atitude truculenta e desnecessária da Polícia Militar de Goiás (PM-GO) – Regional de Catalão/GO – que atentou contra o Estado de Direito e a Constituição Brasileira, ferindo brutalmente o Professor Ms Gabriel de Melo Neto (UFG/Catalão), o estudante do Curso de Geografia Marcelo Nascimento Rosa,outros estudantes da UFG/Campus Catalão, bem como vários camponeses no dia 10 de abril de 2012, necessita ser denunciada.
    Os feridos, além de terem tido dificuldades e alguns serem impedidos de registrar a ocorrência da violência e de realizar o exame do corpo de delito, estão sendo constrangidos e ameaçados. A PM-GO em nome da proteção do patrimônio do Banco Itaú que não estava, em nenhum momento, sendo ameaçado, pois a mobilização dos camponeses é pacífica, desferiu ações violentas contra dezenas de trabalhadores.
    Essas ações truculentas da Polícia Militar em nome da suposta proteção a agência financeira não se justificam, pois ferem o Estado de Direito e os direitos humanos dos camponeses que estão sendo lesados. Não houve respeito e sequer foram ouvidos os proprietários camponeses que estão sendo despejados de suas terras. Quero deixar o apoio e solidariedade a todas as organizações e entidades envolvidas ativamente nesta mobilização com destaque para o Movimento Camponês Popular e, principalmente, aos camponeses e ao professor Gabriel de Melo Neto e todos os outros que foram agredidos. Conclamamos todos (as) que sejam solidários, repudiando e denunciando mais uma das atrocidades cometidas contra os trabalhadores do campo neste país de injustiças e desmandos, onde a violência tem sido a resposta contra aqueles que lutam apenas para que seus direitos sejam preservados.

  2. Direitos Humanos para humanos direitos?
    Ou direitos humanos para diferendes classes sociais? Especulação imobiliária?
    Dominínio capitalista?

    A sociedade brasileira vive numa cultura autocrática e
    neopotista. Os detentores do poder político-econômico
    gozam em sua maioria da impunidade. Eles ignoram ou
    transgridem as principais normas e princípios
    estabelecidos, em detrimento da imparcialidade, da
    eficácia da justiça e da polícia.

    Com isso, as profundas desigualdades na sociedade
    brasileira está mais próxima no meio rural e a
    ausência de uma verdadeira reforma agrária. Criando assim,
    situações em que são expulsos para o meio
    urbano recuando para a periferia das cidades os agricultores privados de terra.
    Apesar do reconhecimento constitucional de sua
    necessidade e dos textos legislativo instituídos para
    organiza-la, a reforma agrária é letra morta, por causa da
    falta de uma real vontade política para realizá-la e de
    numerosos atores locais principalmente do mundo jurídico.

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