Mais uma vez o Estado dá mostras de sua face mais traiçoeira: A de defender os anseios do capitalismo e da sua perpetuação por meio do encarceramento de quem ousa desafiar sua autoridade, seu reinado de infâmias. As mídias, controladas pelos poderosos, insistem em jogar o povo contra o povo, que não percebe que está a esmagar justamente os que lutam com eles.
As prisões e os prisioneiros
Igor Mendes, Elisa Quadros e Karlayne Moraes. Os três foram presos por terem supostamente não cumprido as medidas cautelares de não participarem de manifestações até o fim dos seus processos. A “manifestação” era na verdade uma homenagem aos professores, no dia 15 de Novembro de 2014. Igor foi preso no dia 03 de Dezembro, Elisa e Karlyane estão foragidas.
Tais medidas ainda são os resquícios das políticas de seguranças implementadas para os megaeventos no Brasil (Copa do Mundo e Olimpíadas), que provavelmente criminalizarão e defenderão com unhas e dentes a exploração descarada produzidas a partir destes mesmos eventos.
É preciso ressaltar ainda que os três são a ponta do iceberg. Existem inúmeros processos contra uma infinidade de militantes de todas as partes do país, e que correm sérios riscos de serem presos por formação de quadrilha.
Aquele político que lhe parasita, e que não contente, rouba descaradamente os parcos frutos do seu trabalho; aquele empresário que pinta e borda na suposta “lei para todos”; aquele policial homicida, que participou de chacinas em favelas; Os latifundiários que expulsam campesinos e indígenas das terras com extrema violência… Estes dificilmente serão culpabilizados pelos seus atos. A mídia, o Estado, os Governos, os empresários, os militares, todos eles lutam em unidade, contra um mundo de justiça, sem desigualdades sociais;
Uma batalha internacionalista.
Ao passo que no Brasil a histórica perseguição política ocorre sem muitos empecilhos para os poderosos, no mundo, a história se repete. Exemplificamos dois contextos diferentes: Mumia-Abu Jamal, militante dos Panteras Negras, acusado de matar um policial, foi condenado primeiramente à morte, e depois a prisão perpétua (cercear a liberdade de um indivíduo não é mata-lo em vida?) mesmo após inúmeras retificações de depoimentos, sendo explicitado a coação policial contra as testemunhas. Em 2014, Mumia completa 33 anos de cárcere.
Na Grécia, o jovem Nikos Romanos, que viu em 2008 Alexis Grigoropoulos morto em seus braços devido a um projétil disparado por policiais, foi preso em 2013 por “expropriação de uma agência bancária”; recebeu 16 anos de prisão e recentemente entrou em greve de fome exigindo principalmente o direito de estudar em uma Universidade em Atenas. A negação do pedido gerou revolta e apoio em todo o mundo, onde inúmeras insurreições de rua se deram em toda Grécia.
Uma conclusão inconclusiva
Hoje, 10 de dezembro de 2014, o Comissão Nacional pela Verdade emite seu relatório final, dando conta, dentre outras coisas, das torturas sofridas durante a ditadura civil-militar brasileira. Chega a ser estarrecedor, perceber que o estado jurídico, um dos mecanismos de combate aos militantes daquele tenebroso período, ainda funciona a todo vapor para hoje, 50 anos depois, criminalizar, perseguir, torturar e esmagar quem luta por um mundo mais justo para todos; a Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), foi “carinhosamente” apelidada de “novo DOPS”.
Porém, o ímpeto transformador que habitava os corações dos que lutavam contra a ditadura permanece, se transforma e adapta-se às novas demandas da atualidade. Precisamos ainda fortalecer nossa rede de ajuda mútua para com os perseguidos políticos, para não sucumbirem nos “porões da democracia”. Venceremos! Ninguém ficará para trás!
“Que os poderosos saibam que nossos sonhos serão os seus pesadelos”
Nossa mais sincera e profunda solidariedade com os presos políticos do país, e do mundo inteiro!
 
 
 
 

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