Apresentação de Stanislau Bandeira Preta

Por Stanislau Bandeira Preta

 

Olá

Eu sou o Stanislau Bandeira Preta e surgi para trazer conforto e resignação a todos os autonomistas, comunistas libertários e anticapitalistas irredentos que se tornam agressivos e tacirtunos lendo e fazendo análises no Passa Palavra. Quero trazer um sopro de música, de comédia e de niilismo alegre para combater a música, a comédia e o niilismo triste que vem do outro lado, isto é, de dentro de todos nós.

A inspiração do meu nome é Stanislau Ponte Preta, pseudônimo de Sérgio Porto, que publicou após o golpe militar de 1964 seu Febeapá, o Festival de Besteira que Assola o País, que tanto nos fez rir e aos nossos antepassados. Seja dito de passagem que Sérgio Porto, Millôr, a turma do Pasquim, o Henfil e milhares (milhares mesmo) de pequenos ou anônimos jornais independentes e artistas da imagem e da palavra demonstram com sua pulsão de vida que não é porque vivemos tempos tristes que temos de escrever mal, com hermetismos de universitário, nem tampouco sermos mal humorados. Longe do besteirol do mercado da alta e da baixa ajuda, é preciso pontuar também que… que droga, já estou escrevendo de novo como um universitário.

Importância do pseudônimo. O pseudônimo é importante em épocas históricas nas quais se sabe que o nome não é mais necessário. Em matéria de Gemeinschaft e Gesellschaft já se sabe que toda modernidade desterritorializa o sujeito destrói a comunidade e torna inútil, porque ultrapassado, o nome. Que o nome seja uma homenagem e assim crie sua própria linhagem de celebração da vida, portanto. Portanto: Stanislau Bandeira Preta

Apresentação de Stanislau Bandeira Preta

Para demonstrar que sou de fato humorista farei uma série de piadas com o objeto principal de meu raciocínio o Brasil. O Brasil é objeto principal principalmente por motivos econômicos: não tenho dinheiro para viajar; de estilo de vida: não tendo dinheiro também não estou afim de ir de carona e a pé até a fronteira; psicológicos: desconfio de toda informação vinda a respeito do estrangeiro.

Felizmente para nós meus conterrâneos mais afortunados entram cheios de informações do estrangeiro no Brasil e o próprio mundo se faz presente na velocidade narcótica das intoxicantes redes ditas sociais, que viciam e matam mais que crack. Sendo assim, minhas piadas sobre o Brasil envolverão o mundo também. Se queres ser universal fala da tua aldeia frase atribuída a Tolstoi. Menos que isso, preciso dizer: nada mais inseguro de viver que uma aldeia no Brasil qualquer acampamento eles passam o trator por cima, não importa se é Katia Abreu, Teresa Cristina ou a nova ministra do planejamento, toda direitista leal tem sua mania de sair bonita e arrumada derrubando terra indígena, talvez o verdadeiro empoderamento da música sertaneja de mulheres seja esse, sambar em cima do caixão da criança indígena morta de fome, de bala ou tristeza. Mas, cheguemos à piada:

O Brasil tem dois partidos: Globo e Record. Eu voto na Globo

O Brasil tem dois partidos: Israel e Hamas. Pode votar nulo?

O Brasil tem dois partidos: milícia e tráfico. E agora?

O Brasil tem dois partidos: Lula e Bolsonaro. Seriam no final a mesma pessoa? Tal como naquele desenho animado Scooby Doo, no final tiram a máscara do vilão e sempre se surpreendem. Quando conseguem capturar o vilão, claro. Bem se vê que Scooby Doo não é brasileiro.

Fiquei sem fôlego. Prometo aprimorar para o futuro minha piada “O Brasil tem dois partidos” e apresentar a segunda, “Porque o Brasil atravessou a rua?”

Atenciosamente seu,

Stanislau Bandeira Preta

Apresentação de Stanislau Bandeira Preta

 

As artes que ilustram o texto são da autoria de Dan Witz (1957-).

1 COMENTÁRIO

  1. Aguardando novas piadas pra ler na hora do almoço, podia era editar um daqueles almanaques de piada tipo Casseta e Planeta. Afinal, temos que defender a alegria, até mesmo dos alegres que querem usá-la pra fazer proselitismo da tristeza.

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