Que direitos? Que humanos? Da Itália da década de 1970 ao Brasil do século 21

Sem empolgamentos nem exageros, procuramos aqui fazer um relato sóbrio de alguns atos que colocaram a questão dos direitos humanos e da repressão policial.

Belo Horizonte

No Instituto Helena Greco, em Belo Horizonte, no contexto da Semana Internacional dos Direitos Humanos, realizou-se no dia 9 de dezembro um debate dedicado à luta pela erradicação da criminalização dos movimentos sociais e da política de encarceramento em massa. Participaram representantes do MST, do Grupo de Amigos e Familiares de Pessoas em Privação de Liberdade e das Brigadas Populares. Foi também convidada para a mesa uma pessoa ligada à defesa de Cesare Battisti, que expôs os problemas que estão em jogo neste caso e as dificuldades com que têm deparado os apelos à solidariedade. A assistência era pouco numerosa mas bastante interessada, e talvez uma coisa compensasse a outra.

São Paulo

ato-1Na cidade de São Paulo, entre 40 e 50 pessoas manifestaram o seu apoio ao preso político Cesare Battisti. Desde às 18h30, o grupo estendeu suas faixas pelo calçadão da Avenida Paulista, em frente ao prédio do Tribunal Regional Federal, onde fizeram panfletagem, explicando o caso para as pessoas que passavam pela rua,  e puderam trocar idéia com a população. Embora não tenha sido massivo, os manifestantes avaliam que o evento cumpriu a sua meta, pois pela primeira vez o caso de Battisti fora levado às ruas da capital paulistana, conseguindo agregar mais pessoas à luta. Além disso, entre os participantes, se começou a desenhar uma pequena agenda de manifestações para o ano que vem: prepara-se um novo debate e uma nova manifestação já para o mês de fevereiro. O que significa que estamos preparados para uma luta a longo prazo, se necessário for.

Santos (SP)

Em Santos as Mães de Maio da Democracia organizaram três atividades, e houve familiares das vítimas de São Paulo que vieram juntar-se às Mães da Baixada. O ato iniciou-se pelas 11h30 com uma vigília em frente à Prefeitura, com muitas cruzes negras, que durou 2 horas. Mobilizou cerca de 80 pessoas, mas muitos transeuntes e passantes na praça contribuíram para aumentar a visibilidade do ato. Por volta das 15h30 houve uma concentração em frente ao Palácio da Justiça, e nas escadarias montaram-se cruzes negras, fotos dos assassinados e faixas. Apesar da chuva, os manifestantes permaneceram protestando com megafone. Às 18h houve um debate na OAB de Santos, com a presença, além das Mães de Maio, da OAB-Santos, CUT-Baixada Santista, Settapor (Sindicato dos Trabalhadores do porto) e representantes das «associações de trabalhadores» da Polícia Civil e da Polícia Militar. O debate teve cerca de 40 pessoas. Ainda não temos notícias dos atos semelhantes ocorridos nos outros estados.

Joinville (SC)

joinville1No começo da noite de 10 de dezembro, na praça da Bandeira, em Joinville, aproximadamente 13 pessoas ligadas às organizações políticas, entidades de classe e movimentos sociais, todas participantes do Comitê de Apoio aos Movimentos Sociais, realizaram a exposição de um jornal mural sobre a questão do Cesare Battisti e distribuíram 1200 panfletos questionando a prisão e buscando informar sobre a criminalização das lutas sociais no Brasil e no mundo. A atividade foi prejudicada pela chuva fina e no final do dia a água do céu engrossou, mas isto não impediu as pessoas de perguntar do que se tratava e trazerem questionamentos referentes à maneira como a mídia está abordando o caso e elogiando a ação do Comitê de Apoio, pois acrescentava uma visão diferente de tudo que haviam ficado sabendo a respeito. O momento também serviu para divulgar o evento do próximo sábado, 12 de dezembro de 2009, quando acontecerá o debate sobre o caso Cesare Battisti e as recorrentes tentativas de criminalização e perseguições às organizações políticas anti-capitalistas, movimentos sociais e entidades de classe ocorridas em Joinville. Saiba mais aqui.

É pouco? É muito? É aquilo que se pode fazer com as forças que se têm. Conseguir mais depende de todos nós. Passa Palavra

Foto de São Paulo: José Roberto Amorim Coutinho Junior

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