Goiânia: no Dia de Lutas Contra o Aumento da Tarifa o jogo terminou em 3 x 2

Goiânia: no Dia de Lutas Contra o Aumento da Tarifa o jogo terminou em 3 x 2

em 22 abr

O que importa agora é ficarmos frios, atentos, somarmos forças, darmos continuidade ao trabalho de base que vem sendo desenvolvido nessas regiões e virar o jogoPor Fagner Enrique, Grouxo Marxista e Karina O.

Este artigo é a continuação de outro que publicamos recentemente, sobre o Dia de Lutas Contra o Aumento da Tarifa em Goiânia.

G 8Muito se engana quem acha que as empresas de transporte e o poder público são atores inertes no jogo político. O que percebemos em Goiânia, no dia 15 de abril, é que, mais um vez, não estávamos suficientemente preparados – ou, ao menos, que estávamos bem menos preparados do que nossos inimigos. No entanto, consideramos que ainda há esperanças.

Um aquecimento no Terminal Padre Pelágio

Na noite anterior, 14 de abril, o clima pareceu estar esquentando com uma revolta popular no Terminal Padre Pelágio. Trata-se do maior terminal de integração de Goiânia. Um atraso de mais de três horas criou uma situação em que os usuários decidiram quebrar vários ônibus, com um deles inclusive tomando a direção de um ônibus para maximizar os prejuízos das empresas. Os trabalhadores presentes demonstraram um nível bastante avançado de consciência da situação do transporte e do papel das empresas. Nas palavras de um jovem usuário presente: “Na minha opinião o que deve tá acontecendo é rodízio… Um dia no [Terminal] Praça da Bíblia, amanhã já tá bom lá… Hoje é aqui, amanhã é lá no [Terminal] Cruzeiro… A cada dia as empresas tão manipulando o transporte, cortaram um monte de ônibus”! Contrariando a afirmação de alguns motoristas de que os atrasos foram causados unicamente por uma obra de trânsito, um capitão da Polícia Militar, para restabelecer a ordem, tentou organizar a vinda de mais ônibus para levar os passageiros: “Nós vamos então estar colocando os ônibus… Que não é função da Polícia Militar, porém a ordem pública é nossa prioridade… Nós vamos estar colocando os ônibus pra funcionar, coisa que a RMTC [Rede Metropolitana de Transportes Coletivos] e o CMTC [Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos] não está fazendo”. Apesar da diretiva da polícia, as empresas de transporte, alegando “possíveis prejuízos”, fizeram um boicote e orientaram os motoristas a não se dirigirem ao terminal por boa parte da noite.

Esse episódio expressa, de forma concentrada, os posicionamentos dos personagens em cena: a polícia, que intervém de maneira cirúrgica para “restabelecer a ordem” e “resolver o problema”; as empresas de transporte, que interrompem o fluxo das linhas; os poderes públicos extrapoliciais, que se recusam a participar das negociações nos terminais; e os usuários, que mantêm uma profunda desconfiança em relação às empresas.

Revolta Estudantil do Bandeiras

escudosA manifestação do Terminal Bandeiras foi, digamos, a mais próxima do modelo de mobilização descrito no último artigo: a princípio foram convocadas reuniões locais e a partir daí foram definidos todos os aspectos da manifestação. Formou-se, com o auxílio de alguns militantes da Frente de Luta pelo Transporte Público, um grupo autônomo que decidiu se nomear a si mesmo de Revolta Estudantil do Bandeiras. Esse grupo, então, assumiu o protagonismo do processo: definição do trajeto da manifestação, redação do panfleto de divulgação, elaboração da pauta de reivindicações, divulgação e mobilização para a manifestação etc. O ato congregou, de início, aproximadamente 20 pessoas, mas, com a animação da Bateria Auto-organizada, vários estudantes e alguns senhores e senhoras se agregaram à manifestação, que começou paralisando a Avenida Itália. A princípio, o trajeto foi um tanto confuso, mas os organizadores foram entendendo a lógica de interromper o trânsito e parar os ônibus e foram dadas algumas voltas no terminal e nas avenidas da região. Foi lido, em jogral, o panfleto produzido por uma estudante, reivindicando a implantação do passe livre, uma intervenção pública para garantir condições mínimas de qualidade para o transporte e questionando os lucros das empresas e o aumento da tarifa. Ao final, optou-se por fechar o terminal e foi realizada por lá uma assembléia, tentando estabelecer um diálogo com os trabalhadores ali presentes e convidando-os a compor a luta. A manifestação parou um terminal bastante importante da região por cerca de uma hora e meia, sem que a polícia partisse para a agressão física e para a prisão dos manifestantes, apesar de alguns momentos de tensão.

A partir da pauta do transporte estabeleceram-se condições para a articulação entre estudantes de diferentes escolas, possibilitando o fortalecimento do movimento estudantil e criando a possibilidade de uma articulação para além da própria pauta do transporte, como a articulação dentro da própria escola, questionando o seu modo de funcionamento. E, no caso da articulação em torno da pauta do transporte, esta não só aconteceu como também foram os próprios estudantes da região os protagonistas de todo o processo. O trabalho de mobilização para uma manifestação fortaleceu o próprio movimento estudantil, mobilizou pessoas antes desmobilizadas e fortaleceu também práticas democráticas, autônomas e horizontais, que possivelmente serão levadas para outros âmbitos, além de fortalecer a autonomia do próprio grupo, elucidando que a radicalidade de um movimento e de uma manifestação está para muito além da sua estética. Resta saber se esse grupo autônomo vai prosseguir na luta, ampliando o trabalho de base realizado na região, acumulando forças para o enfrentamento à presente ofensiva das empresas de transporte. É também importante ressaltar que o grupo Revolta Estudantil do Bandeiras foi formado num contexto em que se buscava uma descentralização da luta e para organizar um ato bem menor do que os que comumente são organizados pela Frente de Luta pelo Transporte Público, o que demonstra que o caráter vitorioso de um ato não se reduz à quantidade de pessoas presentes: diz respeito à conquista do objetivo político do ato e também à mobilização de mais pessoas para a luta. Também mostra o quão importante é arriscar-se, saindo da zona de conforto, superar táticas engessadas e um modelo pronto sobre o que é um ato vitorioso, pois só assim o movimento é capaz de se ampliar e de se renovar, não se isolando e nem se tornando um movimento morto, que apenas reproduz o passado. Cabe pensar, então, se a manifestação não pode ser considerada uma forma de trabalho de base, dependendo da maneira como é construída e com qual objetivo.

Terminal Parque Oeste – a vitória-derrota de um dia

G 2No Terminal Parque Oeste a manifestação foi frustrada por uma ação inesperada das empresas em conjunto com o costumeiro da polícia. Desde o início do dia, os ônibus passaram com uma frequência muito maior do que o habitual. Linhas que demoravam mais de uma hora estavam demorando 10 minutos. Com isso, desarticulou-se um dos elementos esperados para a mobilização para a manifestação: as aglomerações costumeiras no horário de pico, com as quais havia sido feito um trabalho de mobilização e com as quais havia um contato e relações mínimas. Juntou-se a essa desmobilização pela melhoria a presença ostensiva da polícia e conseguiu-se impedir o protesto de ocorrer. Na manhã do outro dia, no entanto, as linhas do Parque Oeste ficaram todas bem mais demoradas, uma linha foi inclusive cortada no horário da manhã. As empresas não esquecem o prejuízo causado pelas ameaças de mobilização. A manifestação, que foi uma iniciativa autônoma de alguns usuários, foi um momento de aprendizado sobre a atuação das empresas, de experiência de organização da luta em um contexto mais difícil para a organização e de elaboração e discussão coletiva dos problemas concretos do transporte. E se formos comparar o panfleto dessa manifestação com os outros, é possível perceber que é o que mais relaciona os problemas concretos: enumera todas as linhas problemáticas, pontua uma deficiência estrutural na limpeza e uma deficiência na segurança do terminal etc. Talvez esteja aí um possível caminho para continuar a luta no contexto posto, mesmo que com dificuldade nesse primeiro momento.

O que dá para perceber é que as manifestações de terminal realmente não funcionam seguindo a mesma lógica que as passeatas que se costuma presenciar pelas ruas da cidade, com convocatória pública com grande antecedência. Talvez por haver uma maior concretude, um trabalho mais subterrâneo, de contato direto, para além do Facebook, talvez seja melhor para construir uma ação desse tipo. Manifestações nos terminais são sempre temerosas para as empresas de transporte, o que se expressa não só neste caso mas em tantos outros, em que, durante manifestações, foram feitas tentativas de entrar nos terminais, principalmente nos de maior circulação, como o Terminal da Bíblia. É grande o medo dos prejuízos causados por uma revolta com grande contingente de pessoas e desta revolta se expandir para vários terminais. Isto nos mostra justamente o quão importante é ocuparmos os terminais e a necessidade de pensarmos novas maneiras de se conseguir isto. Além disso, este episódio mostra o que já estamos cansados de saber, que os atrasos dos ônibus são causados sobretudo por interesse das próprias empresas, já que a superlotação é mais lucrativa: quando é do seu interesse, os atrasos e as superlotações não acontecem, o que mostra o quão furado é aquele papo de que quebrar e queimar ônibus é negativo porque o atraso vai ser maior, pois os atrasos não são gerados por falta de ônibus e sim por falta de interesse das empresas.

G 5Mobilização policial-empresarial

Atuando, como sempre, consoante os interesses das empresas de transporte de Goiânia, a Polícia Militar mobilizou um efetivo de cerca de 250 policiais militares, deslocado para os locais de concentração das manifestações integrantes do “Dia de Lutas”. Com esse efetivo, foi possível mandar várias viaturas para cada manifestação, o suficiente para intimidar, por meio da sua presença, vários participantes em potencial; é importante observar que este contingente é um bom medidor da legitimidade que a Frente de Luta pelo Transporte Público conquistou e do quanto suas ações incomodam e amedrontam o poder público. A nosso ver, é preciso problematizar se as manifestações convocadas publicamente, ao menos por enquanto, já não alcançaram um momento de esgotamento. Além de serem incapazes, por si só, de mobilizar efetivamente uma grande quantidade de pessoas, elas dão ainda às forças repressivas do Estado a oportunidade de organizar antecipadamente a repressão. Se o “Dia de Lutas” tivesse sido organizado a partir de um trabalho de base de longo prazo, a partir do qual são potencializados os laços de solidariedade e confiança entre moradores, e entre moradores e militantes, e se ele tivesse sido divulgado apenas entre militantes e moradores já comprometidos com a organização de base e com a luta popular, as forças repressivas do Estado, pegas de surpresa, estariam diante de um grande desafio; mas aí entra a seguinte questão: existe hoje esta capacidade de mobilização? Como isso não foi possível, fica a conclusão de que ludibriar a polícia é mais difícil do que parece e requer muito mais força social concreta do que algum tipo de “genialidade tática”.

No entanto, apesar da grande mobilização policial, não houve repressão (pelo menos não uma repressão física direta), nem mesmo na Vila Itatiaia, onde, durante a manifestação do “Dia de Lutas”, foram quebrados quatro ônibus estacionados na garagem do ponto final do bairro e queimado um dos veículos da linha circular do Campus II da UFG. E os policiais militares que foram deslocados para o Jardim Novo Mundo, conversando com alguns manifestantes, disseram estar ali apenas para “garantir a segurança dos próprios manifestantes” e um deles chegou a lhes dizer que apoia as manifestações: “tem que quebrar tudo mesmo”! Isso pode sinalizar uma nova estratégia da Polícia Militar, cujo objetivo é colocar os manifestantes na ofensiva, obtendo legitimidade para reprimi-los fisicamente e prendê-los em novas manifestações e jogando-os contra a população. E mais: essa estratégia parece estar bem afinada com a nova estratégia das empresas de transporte – interromper o fluxo das linhas que atendem o bairro ou o terminal em que ocorrem as práticas de ação direta.

Vila Itatiaia

G 7Em Vila Itatiaia ocorreu sem dúvidas a manifestação de maior repercussão. A Polícia Militar parece ter sido orientada pelas empresas de transporte a permitir que os ônibus fossem quebrados, para que, em seguida, a população do bairro fosse deixada sem condução durante todo o resto do dia. Diante disso, a prática da ação direta pode deixar de ser concebida, por quem está observando de fora, como uma prática defensiva, legítima e racional, que se dá em resposta à repressão policial, e passar a ser concebida como uma prática ofensiva, ilegítima e irracional, dado que não houve repressão policial que justificasse o recurso a esse tipo de ação. Além do mais, com a retaliação das empresas de transporte, uma parte considerável da população, presa no próprio bairro por causa da interrupção do fluxo de linhas para o local, pode acabar condenando a prática, caso não seja feito um debate com a população afetada.

Essa tática da polícia e das empresas intensifica a necessidade de algo um tanto óbvio – embora para alguns não pareça tão óbvio assim: o diálogo com a população. Ao retirar os ônibus de circulação, impedindo as pessoas de se locomoverem pela cidade, as empresas geram um cenário de ira, que tende a ser direcionada contra os estudantes que queimaram os ônibus, principalmente pela massiva criminalização do movimento por parte da mídia. Assim, se os lutadores não têm a pretensão de se constituir enquanto uma “vanguarda esclarecida”, atuando isoladamente, e nem de construir um movimento efêmero, é necessário pensar em ações a médio prazo, em dialogar com os moradores e moradoras do Itatiaia, em criar vínculos com estes e também com os próprios estudantes da Universidade Federal de Goiás (UFG). Caso não se intensifique esta relação com os usuários do transporte da região, o movimento e as ações mais combativas serão cada vez mais isolados. São necessários, mais do que nunca, flexibilidade de táticas e um diálogo com a população. Nesse cenário de possível isolamento, fica ainda facilitada a atuação da repressão sobre os lutadores mais ativos na construção do processo.

Essa atuação da polícia foi, no mínimo, curiosa. É possível que esta passividade da polícia possa também ser usada como pretexto para futuras incursões no campus da UFG, uma vez que se pode argumentar sobre a insegurança do campus, supostamente causada pelos próprios estudantes, e que a ausência da polícia no campus gera riscos aos estudantes e aos patrimônios públicos e privados, gerando um cenário caótico. É necessário ficarmos atentos quanto a isto.

A legitimidade de se causar danos às empresas e de devolver a violência sofrida cotidianamente por elas não deve ser questionada. Contudo, outras questões merecem ser problematizadas, o diálogo feito com a população foi bastante ínfimo, uma vez que o ato começou e terminou dentro do próprio campus e a mobilização fora e até mesmo dentro do próprio campus foi bem pequena, mesmo tendo uma quantidade considerável de militantes organizando o ato. Fica a questão: Será que havia mesmo um real interesse em um diálogo e construção com a população ou o interesse era se fechar em si mesmo? Durante o ato o diálogo foi bem pequeno, a maioria das pessoas que estavam próximas não estava compreendendo o que estava acontecendo, muitas estavam em pânico. Muitos militantes que quebraram os ônibus estavam com o rosto destampado, uma ação impensada e/ou personalista, ambas deveras problemáticas a qualquer movimento. Além disto, nos ônibus queimados foram pichadas as siglas de alguns grupos, o que não só coloca-os na mira da repressão como também aponta para um certo oportunismo, uma vez que o ato não fora chamado por estes e nem protagonizado apenas por estes.

Apesar dos problemas expostos, o ato foi positivo. Não só causou danos às empresas, queimou um ônibus de uma linha completamente sucateada, obrigando-as a substituí-lo, como também pressionou as empresas em um momento decisivo, teve grande repercussão, abriu vários debates sobre o poder das empresas, a violência ou não dos atos e a legitimidades destes, além de mostrar que as táticas de luta devem ser inúmeras, que quando necessário certas táticas devem ser utilizadas. Contudo, não devem nunca serem fetichizadas e nem tratadas como um fim em si mesmo.

G 4Boicote dos gestores escolares no Jardim Novo Mundo

A manifestação convocada e organizada pelo Tarifa Zero Goiânia, planejada para ocorrer no Jardim Novo Mundo no mesmo dia às 12h, não aconteceu. Em parte devido ao fato de que o trabalho de base do Tarifa Zero Goiânia no bairro encontra-se ainda num estágio inicial. Foram realizadas ali algumas atividades: uma Audiência Pública Popular, convocando a população da região para debater os problemas do transporte no bairro e na cidade, que contou com a presença de membros da Frente de Luta pelo Transporte Público; e alguns debates com estudantes secundaristas e alunos do EJA (Educação de Jovens e Adultos) em algumas escolas da região. Como resultado dessas atividades, algumas pessoas passaram a participar do movimento, mantendo o bairro como o seu local de atuação prioritário. Mesmo com um grande esforço de mobilização dos militantes, com panfletagens e diálogos com os usuários do transporte nos terminais, visitas às escolas, e colagens de cartazes e mais panfletagens em vários locais, não foi possível mobilizar muita gente.

Além disso, houve um boicote dos gestores escolares: em uma das escolas, a diretora liberou os alunos para casa mais cedo e disse que não queria ver nenhum deles na manifestação; em outra, o grupo gestor da escola também liberou mais cedo uma parte dos alunos e levou os restantes para um passeio, no shopping, em plena terça-feira. Como os laços entre os militantes e os estudantes da região são ainda demasiado frágeis, a maior parte destes acabou deixando-se levar pelas pressões dos gestores escolares e não compareceu à manifestação, mesmo que no momento das panfletagens estes se mostrassem extremamente empolgados. O que nos faz refletir acerca de outro inimigo que por vezes fica oculto nestas mobilizações, os agentes de dentro das escolas. Por vezes a direção recebe ordens de cima. Em outras vezes, direção, coordenação e professores agem por conta própria, inibindo os alunos a participarem de atividades políticas, seja dizendo isto diretamente, como foi o caso, seja colocando provas nos dias das manifestações ou criando atividades nos dias dos protestos ou mesmo liberando os alunos mais cedo. Isto cria duas claras necessidades: o fortalecimento de laços com os estudantes e a organização dos próprios estudantes, pois só estudantes bem organizados e com uma consciência clara sobre o ato conseguem enfrentar esse tipo de repressão.

Um outro problema pode ter sido também o horário marcado. Um dos estudantes que compareceram ao local de concentração disse que teria sido melhor marcar a manifestação para o fim da tarde, horário em que os estudantes da região já estão acostumados a se concentrar na Praça Washington Luís/Bom Jesus (o local de concentração escolhido para a manifestação), o que: (a) elucida a dificuldade de se atuar em uma região pouco conhecida pelos militantes, pois o desconhecimento da dinâmica de uma região traz o risco de se tentar reproduzir a dinâmica de outras regiões, negando-se a particularidade daquela, e, deste modo, cometem-se grandes equívocos; e (b) enfatiza a relevância de se estabelecer e ampliar laços com os moradores locais, a fim de evitar o estranhamento destes com relação a militantes muitas vezes distantes do cotidiano destes moradores. É preciso, portanto, construir uma relação mais profunda dos moradores locais com os militantes e destes com a própria região. No caso da frustrada manifestação do Jardim Novo Mundo, foi inaugurado um maior diálogo com os moradores da região, o que possibilitará um maior conhecimento da mesma por parte dos militantes: foram trocados contatos com as pessoas que compareceram ao local de concentração, possibilitando uma ampliação da participação em futuras atividades. Assim, mesmo não tendo ocorrido a manifestação, o trabalho não foi em vão: houve, além da divulgação da luta, um estreitamento de laços com os moradores do bairro, o que já é em si um ganho considerável.

Centro

A manifestação puxada pela Frente Independente Popular (FIP-GO), marcada para ocorrer no Centro pela manhã, também não ocorreu, mesmo sendo feita uma boa mobilização e tendo sido o Centro palco de grandes mobilizações puxadas pela Frente de Luta Pelo Transporte Público. Talvez isto indique um certo esgotamento, por ora, das mobilizações nesta região. De todo modo, essa primeira tentativa de atuação conjunta destas duas frentes se mostra interessante, pois aumenta a força de mobilização para a luta e demonstra uma certa maturidade, uma vez que a FIP-GO nasceu de um racha da frente original, demonstrando-se que é possível superar certos problemas para a realização de ações concretas.

Conclusão

G 1No Dia de Lutas Contra o Aumento da Tarifa em Goiânia, o jogo terminou em 3 x 2: 3 para as empresas de transporte, que conseguiram, por enquanto, não só impor o aumento da tarifa (de R$ 2,70 para R$ 2,80) como também garantir para si um subsídio de R$ 4,5 milhões, a ser pago pelo governo estadual, além de terem inaugurado uma nova tática de combate às manifestações e às revoltas nos terminais, frente à qual usuários do transporte e militantes não sabem ainda o que fazer: interromper a circulação de ônibus para o local pelo resto do dia; e 2 para os usuários do transporte, que, por meio da prática da ação direta, conseguiram impor prejuízos consideráveis às empresas e que estabeleceram ou podem vir a estabelecer, em determinadas regiões da cidade (Jardim Novo Mundo, região do Terminal Bandeiras, Vila Itatiaia, região do Parque Oeste), núcleos de discussão e mobilização para a luta pelo transporte público. Decisão apertada, com direito a jogadores chorando de emoção nos últimos lances.

Ao contrário do ano passado, desta vez o aumento foi anunciado com duas semanas de antecedência. Os 10 centavos a mais só serão cobrados a partir do dia 3 de maio, um sábado. Além da antecedência, vinculou-se o reajuste tarifário a um “pacote de melhorias” das empresas. A princípio, as empresas concordaram; agora já convocaram uma reunião no feriado para discutir algumas exigências que não poderão ser cumpridas, enquanto alguns usuários e jornalistas já estão questionando a relação aumento-melhoria (como é possível ver aqui). Existe um espaço considerável de manobra e vemos que, apesar das manobras no dia do protesto, empresas e poder público estão ainda em conflito, o que as coloca, de certa maneira, na defensiva. Se conseguiremos aproveitar esse momento, dependerá da nossa imaginação tática e da nossa capacidade de prosseguir a mobilização. O que importa agora é ficarmos frios, atentos, somarmos forças, darmos continuidade ao trabalho de base que vem sendo desenvolvido nessas regiões e virar o jogo.

Os leitores portugueses que não percebam certos termos usados no Brasil
e os leitores brasileiros que não entendam outros termos usados em Portugal
encontrarão aqui um glossário de gíria e de expressões idiomáticas.


Comentários 43

    • Steve No Protesto

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      abr 22, 2014

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      Na verdade no Itatiaia a manifestação seguia em marcha por uma avenida do bairro, em direção a uma escola. No meio do caminho a manifestação foi interceptada pela polícia que exigia que a rua fosse desbloqueada. Munidos de apenas um megafone xs manifestantes argumentaram sobre o direito de estar nas ruas e sobre as pautas defendidas pela manifestação. Muitas pessoas saíram de suas casas para ver oque estava acontecendo e ouviram as falas com atenção. Além das faixas e panfletos que serviram para se comunicar com os moradores que observavam. O maior número de manifestantes eram estudantes de uma escola secundarista do bairro e não da UFG como o texto dá a entender. A depredação não foi parada pela polícia militar por ter acontecido dentro do campus e não por uma suposta benevolência da polícia, como o texto supõe. O ônibus e paredes foram pichadas com palavras de ordem e siglas de grupos que compuseram a manifestação como UNIPA, FIP, RECC e MEPR e é tão oportunismo quanto faixas assinadas pelo Tarifa Zero Goiânia exibidas no Terminal Bandeiras. No geral o ato do Itatiaia foi vitorioso, principalmente, pela radicalização efetuada por estudantes secundaristas e coletivos como os citados acima, que conseguiram dar visibilidade para a atividade e manter o debate sobre transporte coletivo na ordem do dia da mídia e da sociedade goianiense.
      Quanto ao exposto sobre os eventos furados, especialmente do Jardim Novo Mundo, caberia uma autocrítica do grupo TARIFA ZERO GOIÂNIA, já que neste texto do Passa Palavra é o único grupo que aparece o nome diversas vezes. Puxaram uma manifestação onde não existia um trabalho consolidado que possibilitasse o protesto, dividindo militantes da FRENTE que acabaram não compondo onde os atos realmente aconteceram. E, me parece, fizeram questão da tentativa frustrada por preciosismo, além de uma postura sectária de não atuar com coletivos que tenham concepções diversas das suas, tendo inclusive esvaziado os espaços de deliberação coletiva da FRENTE nas vésperas do Dia de Lutas.
      A tentativa de atividades múltiplas demonstrou que a FRENTE não possui uma base tão consolidada em nenhuma região específica da cidade, além de o problema do fracionamento de militantes e coletivos ter enfraquecido os atos que conseguiram acontecer, já que no Itatiaia cerca de apenas 100 manifestantes estiveram envolvidos enquanto no bandeiras algo em torno de 30…

    • Capra Aegagrus

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      abr 22, 2014

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      Sobre o comentário acima, é elucidativa a tentativa de apontar que a manutenção do “debate sobre transporte coletivo na ordem do dia da mídia e da sociedade goianiense” se deveu apenas à “vitória” conseguida com a quebra de janelas e ao fato de se incendiar um ônibus. Desconsidera todo um processo de luta que se intensificou no ano passado, em Goiânia e em grande parte do país. Por outro lado, será que o debate se mantém em evidência apenas por uma manifestação, ou por ser um problema cotidiano na vida dos trabalhadores da cidade, que realizaram mais de 30 ações espontâneas em terminais apenas este ano?

      Os grupos que tentaram descentralizar a luta com certeza devem fazer uma autocrítica sobre suas propostas e ações, mas não devem ser criticadas simplesmente por pretenderem mudar o roteiro das manifestações e do contato com a população. Ou não se deve alterar as táticas quando estas estão sendo cada vez mais antecipadas pela polícia e pelos empresários? Até quando se vai depender da tutela institucional de universidades para radicalizar as ações?

      Por fim, o texto é assinado por três pessoas e não por um coletivo específico.

    • Tiao

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      abr 23, 2014

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      Tarifa Zero, por favor, assumam logo que voces tem sido o proncipal motivo da desorganizacaovda luta popular em Goiania. Seria a maior contribuicao que poseriam dar. Abracos.

    • Ubaldo

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      abr 23, 2014

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      Nao queria me expor assim pra nao ser pego vg mas uma coisa me intriga pt

      Primeiro comentario foi assinado por um tal Steve No Protesto pt Primeiramente pensei se tratar de uma brincadeira gramatical com o verbo estar pt

      Contudo vg como eh forte minha paranoia vg devo lembrar que steve eh uma giria que policiais usam para se referirem uns aos outros pt Talvez este rapaz que considera radicalidade apenas o ato de se jogar pedras para um exibicionismo midiatico seja de fato um steve vg no caso vg presente no protesto e desejoso em comprometer militantes de esquerda pt

      E cuidado pt Steve pode nao apenas estar no protesto vg como tambem nas reunioes pt

      Se algo acontecer comigo vg ja sabem no que desconfiar pt Saudacoes

    • João

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      abr 23, 2014

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      “Fica a questão: Será que havia mesmo um real interesse em um diálogo e construção com a população ou o interesse era se fechar em si mesmo? Durante o ato o diálogo foi bem pequeno, a maioria das pessoas que estavam próximas não estava compreendendo o que estava acontecendo, muitas estavam em pânico.”

      Pro Tarifa zero as assembleias horizontais nos bairros garantes um maior dialogo e uma maior mobilização, preferem assembleias do que manifestações. O fracasso do ato no Novo Mundo nos mostrou que no lugar onde possuem o “trabalho de base” mais forte não obtiveram base nem pra trazer 30 pessoas

    • Capra Aegagrus

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      abr 23, 2014

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      Nota-se facilmente um interesse dos críticos que acima se manifestaram em apontar o Tarifa Zero como responsável pelo texto, e pelo suposto fracasso na ação do Jardim Novo Mundo. Nem um, nem outro. O texto não é assinado pelo coletivo. E camaradas que assinaram o texto fizeram a crítica da tentativa do coletivo em organizar o ato no Novo Mundo e os possíveis motivos de seu insucesso.

      Trabalhos deste tipo demandam tempo e criação de laços de confiança e solidariedade com os moradores dessas localidades, e não podem ser medidos apenas pela quantidade de pessoas mobilizadas em uma primeira manifestação.

      É mais fácil fazer uma manifestação com uma estrutura já consolidada, e com um simbolismo já difundido pelos meios de comunicação. Os problemas são os limites dessa estrutura, já que a polícia e as empresas estão se antecipando às manifestações e, com o passar do tempo, essa estrutura tem também encontrado limites na mobilização de um contingente grande de pessoas.

      São tentativas de superação desses limites, e é óbvio que erros serão cometidos.

      Até o momento as posições parecem indicar uma tentativa de se fazer a crítica a uma aposta tática e estratégica não pelo que elas carregam em si, mas sim por ser um coletivo ou indivíduos que as defendem. Se crítica um grupo, não a proposta de descentralizar a luta e envolver um número maior de pessoas em sua construção.

    • tomatecruévitaminacomotuetuaprima

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      abr 23, 2014

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      Alguns ficam só no falatório, esses são muito piores que aqueles que têm uma prática guiada mas não teoria. Um debate tão prolongado que se forem colocar em votação tudo o que querem a vida seria 16 h diárias de assembléias e ações que são boas nada. Um desperdício de tempo do caralho! Ação sem teoria e teoria sem ação, os dois extremos são terríveis, e o tarifa zero a cada dia que passa de mostra perto do segundo.

    • Maoista

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      abr 23, 2014

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      Tarifa Zero só desmobilizando, falando que o ato foi ruim! Fazem coro com os trotsquistas! Quinta coluna!

    • Classista Operario

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      abr 23, 2014

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      O texto ficou bom com excecao da parte sobre o Itatiaia. O TZ foi a unica organizacao que nao participou da maior manifestacao do dia de lutas, ficaram sentidos. O mais intrigante fica para a autoria do texto que foi assinado por militantes, nao pela organizacao, porem para responder as criticas fou escalado o antigo lider. Assumam-se. Assumam que esta e avaliacao do TZ e que o lider a aprovou.

    • Capra Aegagrus

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      abr 23, 2014

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      Não são por poucos motivos que o texto e os autores têm razão em indicar mais uma vitória dos empresários e das autoridades. Parte da esquerda goianiense (e não só) é incapaz de debater as críticas feitas às posições táticas e estratégicas adotadas. Não aceitam que algumas críticas públicas têm por objetivo abrir novas possibilidades de luta, criar novas formas de enfrentamento, angariar mais apoio e, assim, fortalecer o movimento contra os inimigos comuns, que neste caso são os empresários e as autoridades.

    • Karina O.

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      abr 23, 2014

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      A dificuldade de interpretação e análise de texto da esquerda Goiânia tá foda, hein.

      O texto é assinado nominalmente, não por qualquer organização, e se assim o é, a partir de uma análise racional pode-se inferir duas coisas: a discussão não foi feita coletivamente e/ou tal análise não é consensual, mas uns preferem usar subterfúgios rasteiros, de modo a fazer tais ataques gratuitos e a se negar a fazer o debate, rebatendo tais críticas.

      O texto está baseado em pontos concretos, tanto de crítica quanto de positividade e não privilegia nenhum grupo, se discordam de tais pontos, rebatam-nos e vamos verdadeiramente ao debate, não a calunias.

      Por mais díficil que possa ser para alguns de vcs entender, alguns grupos não privam as ações individuais de seus integrantes e há indivíduos que compõe certos grupos que conseguem pensar para além dos mesmos. Inclusive, se vcs tivessem lido o texto com uma perspectiva de análise e não doidos para virem atacar um coletivo, que não assina o texto, teriam percebido que o mesmo coletivo é criticado no texto, por trabalho de base insuficiente e distanciamento da realidade onde o ato seria feito. Teriam entendido também, já que está bem claro no texto, que a análise do ato no itatiaia foi positiva, o que não quer dizer que não se deve ponderar certas questões.

    • Karina O.

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      abr 23, 2014

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      E ao Steve no protesto, conforme já respondido em outros espaços:

      O ponto é que o trajeto planejado não foi seguido, sendo bem curto, no ponto de concentração estava inúmeros manifestantes perdidos e sem ninguém para informar que não iriam mais se concentrar na escola e o contato com a população foi precário. Imprevistos acontecem, por mais que se planeja, alguns elementos novos aparecem e impedem o planejado, o questão levantada no texto foi o seguinte: isso tudo foi um imprevisto ou realmente o interesse era restrito a quebra e queima de ônibus?
      O texto não fala da composição dos participantes do ato, não dando a entender em nenhum momento que ele era composto em sua maioria por estudantes da UFG, tampouco, aponta para uma benevolência da polícia, o texto é bem claro ao expor as possibilidades de dois interesses, o das empresas, de se criar uma tensão posterior entre moradores e manifestantes ou o de futuras incursões da PM no campus. A polícia pode intervir na UFG se reitor autorizar, qual o interesse dele em não ter pedido a intervenção da polícia? A pichação citada foi as dos ônibus, não as da parede e tá claro no texto o reconhecimento que estes grupos participaram da organização do ato e a questão do oportunismo é que embora construíram o ato, o mesmo estava sendo chamado pela Frente e a ação não foi feita só pelos grupos presentes, seria mais coerente a pichação ter sido no nome da Frente. A bandeira do TZ no Bandeiras foi um equívoco mesmo e chegou lá por um mal entendido, de toda forma, um equívoco, ainda que seja diferente uma faixa com conteúdo da luta com assinatura do grupo, com a mera bandeira do grupo. E temos acordo sobre a positividade do ato.
      Você deve ter lido apressado,pois o texto cita a Frente diversas vezes, cita a FIP e a Revolta Estudantil, sendo o Tarifa Zero citado apenas duas vezes. Curioso você focar só no novo mundo, uma vez que no centro também não aconteceu a manifestação e um tanto quanto sem sentido um ataque de divisão de militantes uma vez que a proposta do dia de lutas era justamente a descentralização da luta com inúmeros atos acontecendo. Fragmentação era um resultado direto disso. Não faz sentido nenhum acusar um grupo de sectarismo se o mesmo tá construindo algo em conjunto com outros grupos. Já parou pra pensar que se um grupo/individuo não consegue participar de todas reuniões não é um boicote, um esvaziamento deliberado, pode ser tão somente uma impossibilidade de ir?
      A experiência foi necessária, é necessária sair da zona do conforto e nos arriscarmos em novas ações, mas realmente, fomos derrotadxs, ao menos neste dia. Mas isso foi pedagógico, mostrou que é necessário fazer um árduo trabalho de base e que é necessário dar uma renovada nas táticas, uma vez que os atos de rua, já estão dando uma esfriada.

    • Taiguara

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      abr 23, 2014

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      Maoista,
      só para eu tentar entender, me diz: um bom médico é aquele que diagnostica a doença ou aquele que diz o que o paciente quer ouvir?

    • Fagner Enrique

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      abr 23, 2014

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      É complicado ter que lidar com pessoas não sabem ler num artigo o que nele está escrito ou que preferem distorcer o que nele está escrito para viabilizar ataques rasteiros. No caso de certos “críticos” individuais acima, diga-se de passagem, o analfabetismo funcional é patente já há algum tempo – ou talvez o patente mesmo seja, na verdade, o hábito desses indivíduos de recorrer a práticas políticas muito abjetas. São ataques muito rasteiros os que estão sendo feitos ao Tarifa Zero Goiânia, o que demonstra claramente qual é o – baixo – nível em que esses “críticos” individuais se situam. Mas vejamos:

      1) O texto foi assinado por três militantes, não por um coletivo. Não é um texto do Tarifa Zero Goiânia. Se fosse estaria assinado Tarifa Zero Goiânia. Mas não está. O problema é que certos indivíduos são incapazes (mentalmente incapazes mesmo, ao que parece) de conceber a possibilidade de uma crítica ser publicada por um ou mais militantes sem que o autor dessa crítica seja o coletivo em que eles militam. Penso eu que isso se deve ao fato de que em certos coletivos as pessoas têm a sua individualidade completamente anulada pelo grupo. Não é caso no Tarifa Zero Goiânia. Além do mais, como já colocado por um comentador acima, o nosso texto avaliou criticamente a tentativa de realizar uma manifestação no Jardim Novo Mundo pelo Tarifa Zero Goiânia. Mas o que podemos fazer? Algumas pessoas ou não sabem ler ou pretendem distorcer deliberadamente o que escrevemos! Outra coisa que não são capazes de entender – ou que se interessam por fazer não entender – é que o Tarifa Zero Goiânia não possui um líder, pois a sua organização é horizontal, o que é difícil de aceitar, pois não há princípio mais simples do que o da horizontalidade.

      2) Certos indivíduos demonstram uma estreiteza – ou uma má-fé – incomensurável: pretendem que suas práticas permaneçam intocáveis do ponto de vista da crítica para que elas permaneçam intocáveis também do ponto de vista da prática. A crítica feita a partir da esquerda é para eles muito perigosa, mais perigosa talvez do que os ataques dos capitalistas e do Estado capitalista. E mais: toda crítica é sentida como um ataque.

      3) Como é possível conferir no artigo anterior (aqui: http://passapalavra.info/2014/04/94006), a proposta de descentralização da luta foi assumida pela Frente de Luta pelo Transporte Público. Mas o Tarifa Zero Goiânia é acusado ao mesmo tempo de ter fragmentado a luta – através da proposta de descentralização da luta, votada e aprovada por voto majoritário em reunião da Frente – e de ter esvaziado deliberadamente a Frente – o que é no mínimo curioso, já que os militantes do Tarifa Zero Goiânia estavam se empenhando na mobilização para um ato componente do mesmo “Dia de Lutas” (foi cobrado da Revolta Estudantil do Bandeiras participação nas reuniões da Frente?). Se a proposta era descentralizar, não faria sentido algum que os militantes do Tarifa Zero Goiânia se engajassem numa dupla jornada: visitas às escolas, panfletagens etc. no Jardim Novo Mundo, de um lado, e participação nas reuniões da Frente, de outro. Isso revela que se trata mais de uma oportunidade de ataque ao Tarifa Zero Goiânia do que de uma crítica à fragmentação da luta.

      4) Fizemos também duas outras críticas que para os “críticos” rasteiros acima são como que uma heresia: criticamos a realização de certas ações durantes as manifestações por mera razão estética e criticamos o fetiche de certos indivíduos pela “ação direta”. Essa crítica é certamente muito dolorosa para pessoas que chamam de radicalismo a queima de um ônibus e a destruição de outros mais. Ainda mais porque afirmamos que em certos casos “a prática da ação direta pode deixar de ser concebida, por quem está observando de fora, como uma prática defensiva, legítima e racional, que se dá em resposta à repressão policial, e passar a ser concebida como uma prática ofensiva, ilegítima e irracional, dado que não houve repressão policial que justificasse o recurso a esse tipo de ação” e porque afirmamos também que “com a retaliação das empresas de transporte, uma parte considerável da população, presa no próprio bairro por causa da interrupção do fluxo de linhas para o local, pode acabar condenando a prática, caso não seja feito um debate com a população afetada”. Se a luta de classes for reduzida pelos lutadores anticapitalistas a um esporte cheio de adrenalina, como o é por certos “lutadores” ditos “combativos”, a classe trabalhadora está fadada a ser brutalizada pelas classes capitalistas por mais alguns séculos ainda.

    • Grouxo Marxista

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      abr 23, 2014

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      Alguns pontos a serem considerados:

      Não se questionou o mérito da ação feita no Itatiaia. O que fizemos foi avaliar a estratégia da polícia e das empresas em resposta à ação feita. Não contávamos com essa reação — então o lógico é aprender com isso e dar os próximos passos.Vimos que a ação se aproveitou de alguns dos limites da manifestação do Itatiaia — um certo auto-fechamento e a falta de diálogo prévio ou posterior. Por mais impacto midiático que uma ação tenha, temos que lembrar que não é a mídia que vai motivar ou organizar qualquer transformação efetiva. Quando a mídia organiza e dá sentido, rola coisas horrendas que nem a Revolta dos Coxinhas de 20 de Junho.

      Somos nós, trabalhadores e estudantes organizados, que faremos qualquer mudança. Então não basta pensar o impacto midiático, mas pensar como fazer com que as ações ampliem a insubordinação coletiva dos trabalhadores de Goiânia, ampliem seus laços de solidariedade, sua confiança na sua capacidade de ação. É isso que vai garantir, a médio prazo, que nossas vitórias não se voltem contra nós como ocorreu ano passado. Ao contrário de alguns camaradas, os trabalhadores aprendem com a experiência. Sabem que não adianta lutar e depois voltar atrás, porque só piora a sua situação. O ano passado inteiro foi didático nesse sentido.

      É inclusive só isso que pode garantir que a luta tenha algum potencial revolucionário — a não ser que achemos que a revolução vai vir do crescimento (ou pelo menos a renovação dos quadros que sempre vão saindo quando amadurecem) ad infinitum do nosso grupo e não da classe trabalhadora como um todo.

    • Exu

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      abr 23, 2014

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      1 – Sobre Steve No Protesto: Como o próprio nome diz… Ele entregou todas as organizações e até local de estudo de quem supostamente teria (ele diz) ateado fogo no ônibus. Isso é muito perigoso e maluco, tendo em vista as várias perseguições que companheiros já sofreram em Goiânia na luta pelo transporte.

      2 – Acompanhei meio atrasado a manifestação no Itatiaia e um momento me marcou, quando ouvi de um cara (desses que se acham donos dos atos) “Não conseguimos uma manifestação de MASSA, mas avançamos na RADICALIZAÇÃO”. Estão aí os dois possíveis resultados de um protesto de sucesso ; D

      3 – Um grande colaborador da destruição da cultura de debate na extrema esquerda goiana é a velha clichê MENTIRA. Por mais ridículo que pareça ela está lá, seja em coisas simples como multiplicar pessoas e ânimos em relatos, ou aniquilar a memória de lutadores que se afastaram.

    • Acampamento Pedro Nascimento

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      abr 24, 2014

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      o pessoal do tarifa zero goiânia já foi expulso do acampamento pedro nascimento, uma ocupação de famílias sem-teto em goiânia, pelos próprios moradores.

    • Observador

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      abr 24, 2014

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      É curioso ler “A manifestação convocada e organizada pelo Tarifa Zero Goiânia… não aconteceu”

      O Tarifa Zero Goiânia parece um braço do PSTU. Condenam a validade da ação de depredação, o famoso vandalismo, alegando que não dialoga com as massas. Isso pode ser lido no site do PSTU.
      Vangloriam-se, tal qual o PSTU, de ser os portadores da tábua de salvação para o trabalho de base, já que são o único grupo composto por pessoas imaculadas de toda heresia anarquista ou comunista.Porém, assim como o PSTU, não conseguem mobilizar trinta pessoas pra uma manifestação.
      Dizem não ter líderes, mas assim como o PSTU, tem seu timoneiro ideológico, que controla com mãos de ferro todos os rumos que seus discípulos tomam.
      Bradam, da mesma forma que o PSTU, que são os campeões na defesa da democracia, desde que nenhuma opinião ou proposta seja contrária, ou simplesmente divergente, do decidido pela sacro-santa direção de seu grupo.
      Assim como o PSTU, o TZ tem a prática deliberada de acusar TODAS as outras correntes que compõem espaços plurais de luta com o rótulo de autoritários e de aparelhadores.
      Da mesma forma que o PSTU, o TZ tem por método o voto de cabresto, chegando a levar mais de dúzia de ativistas para reuniões importantes, no intuito de fazer passar suas propostas principais.
      Se dizem contra sindicatos, mas flertam com o STIUEG, ligado à CSP-CONLUTAS, inclusive trazendo pautas e concepções deste sindicato e corrente sindical para dentro de reuniões da FRENTE.

      O texto tem boas contribuições, mas é mentiroso sobre o ato do Itatiaia, além de leviano ao acusar grupos de oportunismo, pelo simples fato dos grupos portarem bandeiras, escudos e fazerem pichações com seus nomes.
      Eu acompanhei mais ou menos de perto o processo de organização deste dia de lutas e sei que só tinha perspectiva de DUAS manifestações, no Itatiaia e no bandeiras. O Tarifa Zero ao invés de compor nestes atos, pra garantir uma boa organização e força pra mobilizar, lançaram-se, com o principal intuito de autopromover sua sigla, à tentativa de um ato no Novo Mundo, já que gritavam delirantemente que eram o ÚNICO coletivo em Goiânia com trabalho de base e, consequente, capacidade real de mobilização. Mas a realidade se mostrou dura para nossos filantropos e os estudantes e trabalhadores que, segundo a sua pregação, estariam convertidos à base do Tarifa Zero não compareceram e, assim, o ato-fantasma “mostrou”(?) sua triste figura. Desesperados, desfraldaram suas bandeiras no Terminal Bandeiras, desculpem a repetição, e quando chegaram no Itatiaia tudo já tinha acontecido. Com o ego coletivo ferido por serem a única organização da Frente de Lutas que não esteve presente no combativo ato na região do campus 2 da UFG, passaram a denunciar como oportunistas os coletivos que compuseram a manifestação e cujos nomes estavam escritos em pichações.
      O Tarifa Zero é o grupo mais sectário de Goiânia. Para este grupo nenhuma outra organização é honesta ou confiável. Somente eles são orientados por boas propostas, bons métodos e bons caráteres. Lançam-se em campanhas sistemáticas de difamação de grupos e indivíduos que tenham uma atuação visível, mas que não tenham concordância com as deliberações ditadas pelos dirigentes do TZ que, pra quem não sabe, são comentadores em alguns posts acima.
      E ainda argumentam que o texto não é uma análise do TZ, mas sim de três indivíduos. Só não esclarecem que os três indivíduos pertencem à organização Tarifa Zero

    • Capra Aegagrus

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      abr 24, 2014

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      As calúnias, as difamações e a esquizofrenia é tanta entre os comentadores que logo mais vão acusar o Tarifa Zero de serem os responsáveis pela derrota da Comuna de Paris. Claro, que sem sequer debater os pontos táticos e estratégicos colocados pelos autores no texto.

    • Passa Palavra

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      abr 24, 2014

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      O Passa Palavra não publica comentários insultuosos, nomeadamente contendo injúrias pessoais. Os leitores que pretenderem participar nos debates deverão abster-se de insultos.

      Coletivo Passa Palavra

    • Grouxo Marxista - Militante Autônomo

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      abr 24, 2014

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      Em primeiro lugar, os posicionamentos colocados aqui parecem confirmar a hipótese que a disputa entre organizações parece mais relevante para alguns do que a luta contra as empresas e o poder público. Pra facilitar, dividi minha resposta em duas partes: 1) O PODER DAS CRÍTICAS e 2) A HISTÓRIA DE ACORDO COM A CONVENIÊNCIA. Na primeira, rebato a acusação de desmobilização pelo texto. Na segunda parte, esclareço o processo pelo qual o coletivo se propôs construir um ato no Tarifa Zero. Alguns vão se surpreender, mas a proposta não partiu deles, e sim da própria Frente de Luta.

      1) O PODER DAS CRÍTICAS

      Para esses disputadores, uma análise do que ocorreu é mais desmobilizadora do que 250 policiais ou orientação dos diretores das escolas. Ou ainda mais do que a desilusão provocada pelas empresas por meio da piora da qualidade do serviço e pela nossa incapacidade de lutar contra isso. Esquecem os inúmeros jornalistas que falaram no dia após os atos “não adiantou nada — vai aumentar a passagem mesmo assim”. Ou ainda mais que os inúmeros professores e estudantes conservadores da UFG que estão aproveitando esse momento de intenso debate pra tentar isolar o movimento estudantil mais radicalizado na surdina.

      A questão é simples. Os empresários e autoridades aprenderam com a experiência. Mudaram suas táticas pra garantir seus lucros. Construíram um consenso em torno das propostas deles por meio de uma pressão constante desde julho do ano passado. Conseguiram um passe livre subsidiado, dinheiro garantido no início do mês, mais R$4,5 milhões por mês de subsídio às gratuidades, mais dez centavos no aumento, mais represália nenhuma pelas práticas ilegais dos empresários ao precarizar o transporte.

      Se nós não refletirmos e avançarmos também, não conseguiremos reverter essa derrota e de quebra ainda perderemos a credibilidade conquistada ano passado. Por isso escrevi (escrevemos) esse texto: para avançar e podermos vencer. Se os camaradas não gostaram de saber da obviedade de que não basta queimar um ônibus pra derrotar as empresas, até porque os trabalhadores já queimaram e quebraram vários esse ano, não foi uma invenção da combatividade classista revolucionária; se os ofende a obviedade de que “as massas” não vão aderir espontaneamente à ação direta porque 80 pessoas resolveram fazê-lo e de que é necessário conversar, debater, deliberar conjuntamente (as vezes até fazer as famigeradas assembleias horizontais, o horror!) então, sinto muito, mas a realidade as vezes é ofensiva mesmo. A pior ofensa, penso eu, é a derrota que iremos sofrer se continuarmos achando que seguindo o mesmo roteiro vamos abaixar a passagem como ano passado.

      A QUESTÃO DO SUPOSTO SECTARISMO DO TARIFA ZERO
      ou A HISTÓRIA DE ACORDO COM A CONVENIÊNCIA

      Vejo que se acusa esse coletivo de sectarismo por tentar compor um ato no Novo Mundo. Mas penso que se está reconstruindo a história pra se adequar às conveniências aqui. Eu estava presente em todos os passos dessa organização do Dia de Lutas e me lembro muito bem que a proposta de que o Tarifa Zero Goiânia organizasse um protesto no Novo Mundo veio justamente do camarada que agora critica essa tentativa de ato como “postura sectária”. Lembro que fiquei com a tarefa de perguntar se o coletivo se interessaria por compor esse ato (geral) lá. Em NENHUM momento foi discutido chamar o coletivo pra participar dos outros atos. Se houve sectarismo, esse estava na proposta de divisão de regiões por coletivos. Inclusive, a Frente Independente Popular ter se responsabilizado exclusivamente pelo Centro também foi proposta do camarada. E claro que eles também poderiam ter se beneficiado de ajuda na mobilização e no debate pra que o ato ocorresse.

      Diante disso, só me resta concluir que a ideia da proposta do camarada era essa: criar uma disputa política de “quem conseguia mobilizar mais”, de “quem radicaliza mais”, etc. Não me parece uma postura muito construtiva pra luta — apesar de, talvez, angariar um ou outro militante pra alguma organização específica. Essa postura de disputa também explica porque o comentador mente repetidas vezes ao falar que os autores chamam o ato no Itatiaia de ruim — quando falamos explicitamente que ele foi interessante e que foi decisivo naquele momento pra que o dia de luta tivesse maior repercussão.

      Eu, particularmente, também considerei o ato no bandeiras bastante importante, não o considerei um “ato fantasma”, apesar do número reduzido de pessoas, pelo fato de a) parar um terminal, coisa que a frente dificilmente consegue fazer e b) ser uma experiência de organização em que pessoas novas estão assumindo o protagonismo e c) fazer tudo isso ao mesmo tempo que o ato no Itatiaia, gerando uma complicação bastante interessante para as empresas.

      Pra mim o mais positivo desse dia, malgrado os atos que não ocorreram, na verdade, foi isso: foi uma experiência de controle da cidade e do transporte consciente e coordenada entre duas regiões bastante distantes. Em cada lugar se utilizou a tática que pareceu mais adequada: em um, por conta do campus da UFG, essa ação contra o ônibus; no Bandeiras, infelizmente não havia santuário nem estávamos dispostos a impor uma ação não discutida com os demais manifestantes.

      E agora pergunto: que ações estão sendo feitas ou planejadas pra continuar a luta pelo transporte no Itatiaia, depois dessa ação direta bem sucedida? Como está sendo aproveitada a discussão criada pela revolta popular em torno do ônibus? Já foram organizados debates, mesas redondas, assembleias ou o que seja em torno dessas questões? Ou vamos esperar que os estudantes e moradores espontaneamente cheguem à conclusão que a ação direta é a arma que nós temos, pra fazer justiça e pra viver?

    • Thalys

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      abr 24, 2014

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      É tanta informação errada misturada com difamação que ficaria impossível manter algum tipo de diálogo pela quantidade de correções necessárias. Felizmente a propaganda dos grupos só interessa aos propagandistas, resta os trabalhadores comuns.

    • Fagner Enrique

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      abr 24, 2014

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      Para o “Observador” não muito perspicaz acima e para os demais leitores do Passa Palavra:

      1) Novamente, o texto não foi escrito pelo Tarifa Zero Goiânia. No Tarifa Zero Goiânia, as decisões são tomadas por consenso. Os militantes do Tarifa Zero Goiânia não se reuniram para discutir o texto escrito por mim, pela Karina e pelo Grouxo, nem deliberaram pela sua publicação assinado Tarifa Zero Goiânia. Somos três militantes do Tarifa Zero Goiânia sim, mas fazemos também uso da nossa autonomia intelectual. Algo que fica evidente que boa parte da extrema-esquerda goianiense não possui.

      2) Nenhum de nós (os três autores do texto) condena a prática da ação direta. Pelo contrário, apoiamos sim a prática da ação direta, mas com ressalvas. Em primeiro lugar, não somos ingênuos a ponto de avaliar as vitórias e derrotas na luta de classes tendo como critério a prática com sucesso ou não da ação direta. E, em segundo lugar, consideramos que a prática da ação direta deve ser defensiva, deve ser uma prática de resistência e que deve haver diálogo prévio com a população local.

      3) Nós três nunca afirmamos que somos os “portadores da tábua de salvação para o trabalho de base” e nem o fez o Tarifa Zero Goiânia. Nós três (e outros militantes do Tarifa Zero Goiânia) insistimos na necessidade do trabalho de base, na formação de núcleos locais de debate e de luta pelo transporte público, o que não significa que somos os melhores em termos de trabalho de base e nem que pretendemos comandar esses núcleos. Pelo contrário, insistimos que esses núcleos devem ser autônomos.

      4) Não, o Tarifa Zero Goiânia não tem líderes nem “timoneiros ideológicos”. Não é incomum que os militantes do Tarifa Zero Goiânia expressem opiniões contrárias sobre diversos temas. E é um fato conhecido por muitos que, nas reuniões da Frente de Luta pelo Transporte Público, em muitos casos, os militantes do Tarifa Zero Goiânia defenderam propostas contrárias e votaram em propostas contrárias. O Tarifa Zero Goiânia também não é um grupo ideológico: entre os seus militantes existem militantes que possuem perspectivas ideológicas diversas.

      5) A afirmação de que o Tarifa Zero Goiânia tem a prática deliberada de acusar todas as “outras correntes” de serem autoritárias e “aparelhadoras” está completamente fora de lugar. Em primeiro lugar, o texto acima não é do Tarifa Zero Goiânia e, em segundo lugar, no nosso texto (meu, da Karina e do Grouxo) não estão escritas as palavras autoritário, autoritária e autoritarismo em lugar nenhum.

      6) Enfim, está claro, depois dessa enxurrada de ataques ao Tarifa Zero Goiânia, que o nosso texto (meu, da Karina e do Grouxo) serviu meramente de pretexto para o ataque ao coletivo em que militamos. E isso se deve ao fato de que certas pessoas que estão agora nos atacando se opunham (sempre se opuseram!) à realização, pela Frente, de qualquer tipo de trabalho de base; e que também se opunham a qualquer proposta de realização de diversos atos simultâneos (proposta que pode até ter sido equivocada, dado que os núcleos locais de debate e de luta pelo transporte estão ainda em fase embrionária, mas que foi uma aposta). Enfim, são pessoas que demonstram ter um fetiche por manifestações com enfrentamento e ação direta e que demonstram conceber a luta social como um esporte radical. Uma parte da população do Itatiaia pode ter apoiado a ação, mas escrevemos muito claramente que “com a retaliação das empresas de transporte, uma parte considerável da população, presa no próprio bairro por causa da interrupção do fluxo de linhas para o local, pode acabar condenando a prática, caso não seja feito um debate com a população afetada”. Ou seja, está muito claro que não somos contra a prática da ação direta, mas que consideramos que ela deve ser defendida, justificada, legitimada para a população local, o que só pode ocorrer através de um trabalho de base que dá início a um diálogo duradouro. Se uma parte considerável da extrema-esquerda goianiense pretende que a queima de um ônibus e a quebra de mais quatro vai fazer os moradores da Vila Itatiaia lançarem-se às barricadas para a luta final, temos aí um grande, um enorme problema.

    • João

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      abr 24, 2014

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      O Tarifa Zero é tão ridiculo que faz uma enorme analise teorica sobre problemas comuns do cotidiano que podemos enxergar na pratica, e que colocam como uma descoberta grandiosa, quando na verdade muitos ja conhecem e os enfrentam a muito tempo

    • Capra Aegagrus

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      abr 24, 2014

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      O comentário do João, logo acima, se destaca por levantar ao menos um argumento referente à reflexão e à prática de luta. Ufa! O problema é que ele desqualifica o esforço dos autores (assim eu penso, já que até o momento não conseguiram dissociar o coletivo citado e os autores do texto) em analisar teoricamente os problemas do cotidiano, quando este deveria ser uma das principais tarefas dos militantes, para que a prática de luta seja orientada sobre um reflexão da realidade em que estão inseridos.

      Ou devemos sempre orientar nossa prática a partir apenas de citações de pessoas que morreram há 100 ou 200 anos? Ou apenas a partir de algum jornal produzido pelos dirigentes dos grupos políticos? Não seria o caso de refletirmos sobre os problemas cotidianos que pretendemos enfrentar e encontrar soluções para eles? E escrever e publicar os resultados dessas reflexões?

      Esse anti-intelectualismo acaba impedindo os militantes de ver que a situação é diferente de um ano atrás. Que as empresas, a polícia e os demais órgãos públicos mudaram suas formas de atuação. Que os empresário articularam um acordo institucional que garante a eles, a partir do próximo mês, mais de 6 milhões de reais por mês em subsídios, além do aumento da tarifa. E isso sem que o contrato de concessão sequer fosse questionado ou alterado. Eles terão direito a controlar a cidade e o deslocamento de centenas de milhares de trabalhadores possivelmente por mais 35 anos! E agora com subsídio estatal.

      A polícia mudou sua tática, basta ver as manifestações que foram cercadas desde o início, diferentemente do ano passado. Qual o objetivo da PM com isso? Será uma análise teórica ridícula refletir sobre isso para orientar as próximas ações?

      Eles recuperaram a luta do ano passado, mostrando uma força que ainda não temos para enfrentá-los. E o texto busca abrir o debate e apontar caminhos para tentar superar a situação. Mas não devemos pensar e escrever sobre isso, nós os militantes de base? Devemos apenas fazer pichações que fulano ainda vive, que sicrano não morreu e ações “combativas” para poder construir outra sociedade, não baseada na exploração?

    • Passa Palavra

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      abr 24, 2014

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      O Passa Palavra repete que não publica comentários insultuosos, nomeadamente contendo injúrias pessoais. Os leitores que pretenderem participar nos debates terão de se abster de insultos.

      Coletivo Passa Palavra

    • Anti-Vanguarda Bernardiano

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      abr 24, 2014

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      Olá meus queridos amigos,

      Após ler este texto fico me perguntando primeiramente qual a necessidade dele? É um registro histórico de acontecimentos? São Críticas? Ou um ataque sutil a outros grupos que participam do contexto da luta de classes na capital Goianiense?

      Afinal de contas, se é uma visão, é uma visão restrita a três pessoas que escreveram o texto, porém ficam nas entrelinhas algumas vezes que uma das intenções era deslegitimar a luta construída por outros grupos e aí a discussão se torna uma discussão de grupos mesmo o Tarifa Zero tentando em seu discurso se desprender dessa ideia, são e agem como um grupo de afinidade ideológica, e assim mesmo que tentem desvincular a ideia de um grupo agem sob um discurso que os unifica, então tem que saber responder dessa forma, de um grupo de afinidade ideológica que entra em contradição com os demais grupos, e não vir com o discurso do bom samaritano se colocando enquanto diferentes, afinal são partidários de um modelo de organização( o autogestionário) e travando um debate desta maneira entram em contradição com a própria ideia do expontaneísmo. Afinal de contas qual o modelo certo de organização dessas lutas? Ora pois o texto por sinal muito bem escrito deixa transparecer que não houve sequer uma contribuição nas lutas em que não houveram a participação de membros do Tarifa Zero ou do modelo de auto-organização. Mas afinal o que é essa auto-organização popular? Como realizá-la sem se estabelecer como vanguarda? Eis que um texto como esse se torna a grande contradição dos próprios autores, que mesmo que (na boa vontade) este texto não seja algo que tenha a intenção de ser influente no processo das lutas, acaba sendo, acaba sendo sutilmente uma propaganda ideológica, e os autores entram em contradição com a própria ideia que combatem: a vanguarda, ora pois se existe um conteúdo crítico aos demais movimentos porquê não fazê-lo como uma autocritica interna dentro dos movimentos, ao invés de no ego intelectual(que é uma coisa estritamente capitalista) publicar textos de maneira oportunista? Parece-me que os membros do Tarifa Zero (não todos é claro mas alguns) se colocam propensos ao dialogo na ideia de autogestão mas depois com textos como esse entram em contradição com seu próprio discurso, estendem uma mão e batem com a outra. E isso é confirmado na sua retórica onde com afinidade os membros fazem críticas a “interpretação da esquerda goiana”, o que me parece um pouco problemático, porque claramente tentam se afirmar de maneira discursiva sob outros grupos que travam as lutas no contexto classista de Goiás. Parece-me uma postura um tanto preconceituosa que tem para mim claramente uma raíz nos membros do Tarifa Zero que não são de Goiás, e estão por aqui de passagem. Meus caros colegas Tarifa Zeros ocultos intelectuais orgânicos, antes de vocês sempre existiu luta de classes em Goiás, e sempre houveram grupos inclusive autogestionários combatendo o capital em Goiás, e isso não é vanguarda, isso é uma realidade percebida pelo materialismo histórico, o capital oprime e a população reage, os movimentos sociais reagem, uns oportunistas, outros espontâneos não cometam esse erro histórico e infantil de intelectuais que tentam se afirmar em cima de outros movimentos, já que você ao menos pessoalmente se colocam propensos a dialogar, porque dessa maneira vão se tornar intelectuais de gabinete fazendo a autogestão de gabinete do próprio quadrado. O socialismo autogestionário não vai acontecer por meio de textinhos intelectuais, mas sim nas ações combativas, na rua, e não numa disputinha de ego ideológica.

    • Lucas

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      abr 24, 2014

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      impressiona o teor anti-intelectual de certos leitores. Pensar assusta tanto assim? De repente fazer um debate público virou prática capitalista?

      Acho que a FALTA de uma tradição de construção coletiva de pensamento que contemple suas contradições (sem que elas sejam consideradas ATAQUES) faz com que os militantes deixem de realizar uma leitura analítica e crítica dos textos e passem a enxergar neles uma quantidade maluca de conteúdos projetados, coisas que são esperadas desta ou daquela pessoa identificadas com esta ou aquela corrente ideológica, enfim, economiza-se o esforço de uma leitura para poder simplesmente dizer o que dá na telha.
      O resultado são comentários sem pé nem cabeça, sem nexo e que entram em contradição própria inumeras vezes com o objetivo de denegrir e não de debater idéias, como o desta “Anti-Vanguarda” acima.

      Desde a polêmica sobre o feminismo neste site eu aguardo impaciente pelo surgimento de novos espaços virtuais em português onde os militantes de esquerda possam desenvolver suas idéias, trocar reflexões e críticas. Infelizmente eu ainda não encontrei este outro lugar (será fata de mais empenho na busca?). Creio que a cultura militante no Brasil, ao menos, ainda não tem em alta estima o debate público das ideias. Seria engraçado se não fosse triste, o fato de que uma grande parcela destes militantes se formem justamente no âmbito universitário. Será que leem Marx e Bakunin para depois botar fogo nas bibliotecas, ou será lhes parece heresia tentar fazer o que seus ídolos fizeram: botar a cabeça para funcionar e PUBLICAR suas idéias? [acaso eles também não criticaram, atacaram, foram criticados e atacados? será isso o fim do mundo?]

    • CEPAE

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      abr 25, 2014

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      Eu participei de 3 reuniões de preparação pro ato no itatiaia. Também passei nas salas da minha escola, distribuindo panfletos e colando cartazes. Falamos na rádio da escola sobre a mobilização. eu mesmo ajudei trocar ideia com a galera de outra escola.
      na hr da manifestação qdo a polícia fechou o caminho e uns de moto correu atras dumas pessoas dentro da UFG, a gente já voltou revoltado. Pessoal estava na cabeça que quebrar os onibus ia dar prejuízo e mandar o recado da manifestação. Também pra que servisse de incentivo nas outras manifestações que iam acontecer, mas acabaram não rolando. Eu nunca tinha participado de uma rebelião. Foda que não conseguimos botar fogo em mais ônibus. Estamos pensando em fazer outra manifestação no setor.

    • Karina O.

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      abr 25, 2014

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      Anti-Vanguarda Bernardiano, a proposta do texto é a de uma análise do Dia de Lutas Contra o Aumento da Tarifa, afim de se pensar a luta, tanto nas nossas táticas – certeiras ou não – quanto nas táticas dos inimigos – certeiras ou não – para que se faça um debate publico disto para que possamos avançar na luta.

      A visão parte de três militantes,mas não afim de deslegitimar nenhum grupo, sendo que nenhum grupo é criticado especificamente, sendo questionado determinadas práticas. O caráter de grupo do Tarifa Zero não foi questionado por seus militantes em nenhum momento, o que se questionou é que aqui, na produção deste texto, tal grupo não se faz presente. O texto não deixa transparecer em momento algum que não houve contribuição nos espaços em que o tz não esteve presente ou onde não houve auto-organização, uma vez que tal presença só se deu no Novo Mundo e lá o ato não ocorreu e a manifestação do Itatiaia, mesmo com as críticas, foi avaliada como positiva. É bastante reducionismo falar de vanguarda por uma possível influência a partir da produção de um texto. Reduzir as críticas a seus próprios grupos não é limitar a luta aos mesmos? A luta só interessa e envolve tais grupos ou vai além dos mesmos? Para mim é bem claro que é muito além. Afinal de contas, porque o medo de debate aberto e público para que possa-se pensar a luta para além dos grupos e sim a partir de táticas concretas? Qual o oportunismo do texto, um vez que o próprio tarifa zero recebe críticas, em que não se crítica efetivamente nenhum grupo específico, em que se avalia as táticas dos inimigos e que ainda os autores se expõe? A auto-gestão por acaso exclui o debate? Pelo contrário, auto-gestão implica o debate, uma vez que se pauta na construção coletiva, sem mediadores. Assim, abre-se perspectiva para todos pensarem a luta, não certos iluminados. Ao falar da dificuldade de interpretação da esquerda goiana, não se critica nenhum grupo e coloca-se tal afirmação única e exclusivamente para os comentadores acima que ignoraram o conteúdo do texto. Curioso que um texto é suficiente para se criar “intelectuais de gabinete”, “intelectuais orgânicos” e que seu objetivo se resume a ego, se queremos o avanço da luta, o que devemos fazer? Nos fechar nos próprios grupos sem pensar a luta ou restringir o pensamento a eles? Afinal, se não os próprios militantes que constroem as lutas cotidianas que devem pensá-las e debate-las, quem são? Por acaso, defende uma separação entre quem faz e quem executa? Ou a luta não deve ser pensada, deve ser irracional? E desde quando pensar a luta se opõe as ações combativas, à rua? Por acaso tais ações são irracionais? Tenho claro que não, são construídas e pensadas coletivamente e se o interesse é o avanço da luta, não há porque se reduzir tais análise ao próprio grupo, uma vez que a luta é muito maior do que estes. Essa suposta oposição sobre pensar a prática e a própria prática é extremamente preocupante, não devemos todos sermos “intelectuais” das lutas que encampamos? Se isso não é feito por nós militantes, por quem será?

    • Wagner Augusto

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      abr 25, 2014

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      Estou chocado com certas colocações do texto, porque eu estava na manifestação. A única que participei este ano, porque era ali na região da UFG. Vejamos:

      “…uma prática ofensiva, ilegítima e irracional, dado que não houve repressão policial que justificasse o recurso a esse tipo de ação. ”
      O movimento social vai ficar eternamente à mercê de serem atacados e esmagados pela polícia pra esboçarem alguma ação? Que ótica pelega, além de desvio teórico gravíssimo da concepção marxista, leva um grupo a embasar seu pensamento em posicionamento tão medíocre?

      ” Fica a questão: Será que havia mesmo um real interesse em um diálogo e construção com a população ou o interesse era se fechar em si mesmo? Durante o ato o diálogo foi bem pequeno, a maioria das pessoas que estavam próximas não estava compreendendo o que estava acontecendo, muitas estavam em pânico.”
      Que sensacionalismo!! Mataria a globo de inveja!!! Pessoas correndo em pânico, que cena!E os autores ainda querem que lhes levemos à sério do ponto de vista teórico, arrogando-se de intelectuais independentes enquanto acusam a todos os outros de
      analfabetismo funcional entre outros rótulos que demonstram o caráter pequeno-burguês e preconceituoso dos mesmos.

    • Arroz com Pequi

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      abr 25, 2014

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      Eu gostaria de saber que análise teórica é essa que faz com que os autores digam que no bairro onde aconteceu a maior manifestação, com maior número de pessoas, além da única em que houve uma radicalização do protesto é o local com menos trabalho de base, acusando os organizadores de se negar a dialogar com as pessoas do bairro, enquanto argumenta que no local onde o grupo deles atuava, Jardim Novo Mundo, é onde o trabalho de base é mais consolidado, porém não foi ninguém pra rua, a não ser o grupo dos autores, que não tem nenhuma ligação de residência, trabalho ou estudo com a vila?
      No Terminal bandeiras, que deu umas 20 pessoas na manifestação, mas que mesmo assim foram pra rua e fizeram seu protesto, teve tanto trabalho de base quanto no Itatiaia. Reuniões com estudantes das escolas aconteceram nos dois bairros, passagem divulgando e mobilizando em salas de aulas aconteceram nos dois bairros. Creio que a principal diferença se deu na abordagem. Enquanto no Bandeiras os organizadores, que eram pessoas da Frente ligadas à RECC (mesmo coletivo que também compôs e participou da organização no Itatiaia) e um jovem do Tarifa Zero, deram ênfase na criação de uma fanfarra com latas e na estruturação de um ato pacífico e sem enfrentamento, no Itatiaia a abordagem das discussões com os estudantes do bairro se encaminhou mais sobre a importância da autodefesa, sobre a legitimidade da violência contra o patrimônio empresarial e sobre as táticas Black bloc.
      Uma das autoras do texto acima argumenta, em sua resposta, que o oportunismo dos grupos que fizeram pichações é porque o ato estava sendo puxado pela Frente e não por eles. Primeiro, esses grupos não compõe a Frente? Sem estes militantes, que participam destes grupos, e mesmo do Tarifa Zero, haveria Frente? Mesmo assim é bom que se saiba, e pode ser verificado por quem quiser, que na divulgação pro ato no Itatiaia, inclusive pela internet, a convocação estava sendo feita e assinada pela RECC, Black Bloc-GO, coletivo Chapéu e Grêmio Damiana da Cunha.
      Analisar teoricamente pode, mesmo quando o texto é medíocre e a fundamentação teórica primária. O que não pode é mentir, atacar de forma rasteira quem trabalhou pra que uma manifestação fosse pra rua e, principalmente, dizer que lugares que não reuniram 10 manifestantes tem uma base mais consolidada que onde a manifestação de fato aconteceu.

    • Karina O.

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      abr 25, 2014

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      Wager, creio que você não leu essa parte com atenção, em nenhum momento afirmamos que queimar ônibus, é “…uma prática ofensiva, ilegítima e irracional, dado que não houve repressão policial que justificasse o recurso a esse tipo de ação.” A frase é: “Diante disso, a prática da ação direta pode deixar de ser concebida, por quem está observando de fora, como uma prática defensiva, legítima e racional, que se dá em resposta à repressão policial, e passar a ser concebida como uma prática ofensiva, ilegítima e irracional, dado que não houve repressão policial que justificasse o recurso a esse tipo de ação.” Ou seja, ela não é assim, mas pode ser concebida por pessoas de fora de tal maneira, o que torna mais necessário o diálogo com a população, esse é o ponto defendido.

      Arroz com pequi
      Onde no texto está escrito que o trabalho de base no Novo Mundo é mais consolidado do que no Itatiaia? No texto é bem claro que o do primeiro é inicial, em nenhum momento faz comparação entre trabalhos de base e a questão que coloca do Itatiaia é que não houve grande empenho de mobilização da maioria dos militantes da Frente. O texto coloca inclusive o desconhecimento do tz da dinâmica do próprio bairro.

      Claro que tais grupos compõe a frente e são de imensa importância para a mesma, mas isso quer dizer que é tranquilo instrumentalizar certas ações desta frente para o benefício do próprio grupo? Os grupos pichados não foram todos estes e nem só estes.

    • Fagner Enrique

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      abr 25, 2014

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      Acusam-me agora de ter preconceitos pequeno-burgueses. Era o que faltava… O que fiz foi levantar duas hipóteses. Se alguém é incapaz de compreender adequadamente um texto – mesmo que seja capaz de identificar letras e números – essa pessoa é classificada como analfabeta funcional. Então, das duas uma: ou as pessoas que estão distorcendo o que está escrito no nosso texto – para atacar o coletivo de que fazemos parte – padecem desse mal ou trata-se mesmo de desonestidade. No primeiro caso, é recomendável a busca de ajuda profissional. No segundo caso, não há profissional no mundo que possa ajudar. Enfim, é realmente inusitado que tenhamos ou que ensinar os comentadores hostis a interpretar um texto ou que demonstrar o quanto esses comentadores hostis têm se empenhado em distorcer o que escrevemos, como temos feito. A histeria de muitos comentadores só revela que acertamos o alvo em cheio: os leitores do Passa Palavra perceberam que esses comentadores hostis – alguns dos quais têm partido para insultos e injúrias pessoais, como o atestam os alertas do coletivo do Passa Palavra ao longo dos comentários – resolveram nos atacar, a maior parte deles, unicamente por conta das nossas críticas às ações realizadas na Vila Itatiaia? Nomeadamente, ao fetiche do enfrentamento e da ação direta? Ao comportamento de certas pessoas, para as quais o importante é a estética e o cunho midiático das manifestações e não o estímulo à auto-organização da classe trabalhadora e à sua participação ativa no processo de luta? Uma crítica pontual, feita no nosso artigo, trouxe-nos essa explosão de indignação, o que demonstra que esse fetiche é realmente forte em Goiânia. Paus, pedras e molotovs (ou goianinhos, como se diz por aqui)… A isto foi reduzida a combatividade! O capitalismo será, para esses senhores e senhoras, derrubado na base de pauladas, de pedradas e de shows pirotécnicos. Que será da classe trabalhadora, com essa extrema-esquerda?

    • Pedro Pomar

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      abr 25, 2014

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      Quem tem olhos vê. Estão falando em trabalho de base e não vejo ninguém falando no Grêmio do IFG que foi reconstruído em 2008 e desde então tem atuação ininterrupta nas lutas em Goiânia, sendo um dos maiores mobilizadores da luta contra o aumento de 2009, 2010, 2011 e 2013. Nesse ano foram o melhor local de mobilização e tiveram importante participação no Encontro Nacional de Escolas Técnicas na semana passada.
      Ninguém fala do Grêmio do IEG que começou a ser construído em 2011, teve participação na greve dos professores de 2012, e foi uma das escolas mais mobilizadas em 2013. Neste ano a diretora, uma interventora diretamente mandada pelo PSBD tentou desarticular o grêmio mas não conseguiu. O Grêmio do IEG segue firme na luta, amanhã mesmo farão um mutirão de limpeza da escola.
      O Grêmio do COLU que apesar de todas as dificuldades vai para o segundo ano de trabalho.
      Sem contar certos cursos da UFG em que uma atuação que realmente constrói bases tem até uma década de atuação ininterrupta de determinadas correntes.
      Só a título de exemplo a coordenação do que provavelmente será o único sindicato revolucionário do estado, o SIMSED/Comando de Luta, é composta quase totalmente de uma fornada de jovens que faziam parte do CA de Pedagogia da UFG na década passada.
      Parece que existe trabalho de base em Goiânia e que ele não é tão fácil como aparenta, exigem anos de debates e formação política. Fazer trabalho de base vai muito além de soltar um panfleto no Terminal para pessoas nunca mais veremos na vida.
      Parece que a história da luta em Goiânia tem sido muito mal estudada e mal contada.

    • Fagner Enrique

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      abr 25, 2014

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      Mais um… Ai, ai…

      Pedro Pomar, onde é que está escrito no nosso artigo que outros grupos não fazem trabalho de base? Onde é que está escrito no nosso artigo que os grêmios escolares não têm importância? Onde é que está escrito no nosso artigo que fazer trabalho de base é fácil e se resume a panfletar num terminal para pessoas que nunca mais se verá na vida? Aponte-me onde é que está escrito tudo isso. Deixamos muito claro que somos favoráveis a que não se perca de vista a necessidade de constituir “núcleos de discussão e mobilização para a luta pelo transporte público”; e não escrevemos, caso venham a afirmar no futuro, “núcleos de discussão e mobilização para a luta pelo transporte público do Tarifa Zero Goiânia”; escrevemos “núcleos de discussão e mobilização para a luta pelo transporte público”, o que sugere que esses núcleos a nosso ver podem e devem ser constituídos por outros grupos. E, sobre a afirmação de que consideramos fácil fazer trabalho de base, é exatamente o contrário, pois deixamos muito claro que o ato do Jardim Novo Mundo não vingou por conta de o trabalho de base do Tarifa Zero Goiânia ser ainda muito embrionário no bairro (foi uma aposta feita pelo Tarifa Zero Goiânia e a aposta foi perdida, mas não por completo). E nem sequer desmerecemos as ações realizadas na Vila Itatiaia, pois escrevemos muito claramente que “No Dia de Lutas Contra o Aumento da Tarifa em Goiânia, o jogo terminou em 3 x 2: 3 para as empresas de transporte, que conseguiram, por enquanto, não só impor o aumento da tarifa (de R$ 2,70 para R$ 2,80) como também garantir para si um subsídio de R$ 4,5 milhões, a ser pago pelo governo estadual, além de terem inaugurado uma nova tática de combate às manifestações e às revoltas nos terminais, frente à qual usuários do transporte e militantes não sabem ainda o que fazer: interromper a circulação de ônibus para o local pelo resto do dia; e 2 para os usuários do transporte, que, por meio da prática da ação direta, conseguiram impor prejuízos consideráveis às empresas e que estabeleceram ou podem vir a estabelecer, em determinadas regiões da cidade (Jardim Novo Mundo, região do Terminal Bandeiras, Vila Itatiaia, região do Parque Oeste), núcleos de discussão e mobilização para a luta pelo transporte público”. Mas será que ninguém leu este trecho?! Nele reconhecemos que a ação direta causou prejuízos às empresas (o que é bom); mas, por outro lado, deixamos claro ao longo do texto que isso não é suficiente (reler o artigo umas dez vezes talvez seja necessário para que algumas pessoas percebam tudo isso; outras, que são desonestas e que são de baixo nível, não precisam reler nada, pois o que lhes interessa agora é a difamação). Os três autores do texto acima (eu incluso) não estão desmerecendo o trabalho de ninguém (o que não pode ser dito também a respeito de certos comentadores). Estamos apontando certos problemas que identificamos, para estimular o debate e o avanço da luta. Temos o direito e a capacidade de o fazer e não vamos nos renunciar a fazê-lo. Quem não tolera críticas deveria ter começado por não ler o artigo. Aliás, deveria ter começado por não se envolver com a política.

    • Pedro Pomar

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      abr 25, 2014

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      Fagner, leia novamente o comentário você está muito intimidado. Relaxa. A minha opinião é que o Tarifa Zero dá indícios que superará algumas atitudes, que algumas coisas estão saindo das reuniões e tomando corpo. Isso é bom. Outros grupos, no entanto, não aprendem nada com o processo da luta. O Tarifa Zero ter chegado a algumas conclusões plausíveis é proveitoso para a luta em Goiânia.

    • Fagner Enrique

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      abr 25, 2014

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      Pedro Pomar, li o seu comentário várias vezes antes de postar o meu em resposta. Mas, depois da minha resposta, ao que parece você deu um jeito de dissimular o seu posicionamento inicial, o que seria lamentável. Ou então foi você que não soube se expressar como deveria, para se fazer entender, o que também é de se lamentar. Em todo caso, parece que você não se deixou perder a oportunidade de bater na mesma tecla de vários comentadores acima, atribuindo a autoria do artigo ao coletivo de que fazemos parte. Como você mesmo disse, “quem tem olhos vê”.

    • João Amazonas

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      abr 25, 2014

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      engraçado que ninguém está falando de mais um fracasso comandado pela FIP goiânia. Já que eles também não conseguiram mobilizar e o ato chamado por eles, no centro da cidade, foi o primeiro a não ir pra rua.

    • José Porfírio

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      abr 25, 2014

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      Achei um texto de um dos autores acima, Fagner Enrique, sobre a FIP-GO, com acusações contra o MEPR e outros grupos de Goiânia. As acusações são verdadeiras ou tudo não passa de mais uma dificuldade de interpretação por parte da extrema esquerda analfabeta funcional??

      link do texto:
      http://passapalavra.info/2013/11/87461

    • Rodrigo Araújo

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      abr 26, 2014

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      (O comentário é imenso, mas eu acredito que quem ler não terá o tempo de todo perdido).

      Nossa, alguns agrupamentos da esquerda radical goianiense me deixam boquiaberto. Não por serem goianenses – porque se for reparar nem são tão goianienses como gostam de se fazer passar, várias pessoas vieram de outros lugares, além das organizações que fazem parte terem sede em outros estados (e aqui deveríamos pensar que quem tem forma centralizada de organização e que por isso recebe ordens de seus comitês centrais são outros grupos… Tendo isso em conta só podemos concluir que estas pessoas criticam nos outros exatamente aquilo que elas são, o que se não fosse uma mentira deslavada, ainda é sinal da maior hipocrisia e cara lavada do mundo!)… Sobre este argumento, era ainda importante também consultar os dados sobre a composição de imigrantes na população goianiense, pois Goiânia é uma cidade (como outras do coentro-oeste) que tem altíssima composição de pessoas vindas de outras regiões. Por isso a crítica a alguns setores da esquerda radical goianiense se dá tão somente por serem de pessoas que militam em Goiânia e cospem as maiores torpezas de extrema-direita (notadamente, discurso xenofóbico regionalista) sem terem o mínimo de comiseração em relação aos que ouvem tamanha irresponsabilidade.

      Alguns comentadores chegaram a insinuar que as posições do texto seriam de pessoas que estariam de passagem pela cidade. Bom, primeiro a mentira é tentar vincular o texto ao coletivo (as pessoas do coletivo podem até ter posições como a do texto, mas não foi o coletivo quem o produziu e por isso o texto é de autoria de três indivíduos, como já falaram mais de uma vez). Mas de fato única pessoa que foi do TZ (não sou mais) e somente passou pela cidade fui eu, então aqui acaba o xororô, porque nem militando estou neste momento, minha vida anda conturbada e estou sem tempo. Mesmo assim eu vivi 2 anos em Goiânia, trabalhei, estudei, militei, comi, bebi água, usei a rede de esgoto (e as fossas sépticas), paguei imposto, tirei título de eleitor (a contra-gosto) fiz amigos… Vivi anos dos mais intensos da minha vida. O que mais eu teria de fazer para ser um morador legítimo perante a cidade? Sobre outros membros do coletivo, se as pessoas consideram estrangeiro o sujeito mesmo morando por mais de 5 anos na cidade e por isso as pessoas ainda assim estariam somente de passagem, então Goiânia (e todas as cidades do mundo) são cidades de passagem. Mas como já disse, mesmo se isso tudo fosse verdade, ainda seria um argumento de extrema-direita, o que no mínimo deveria fazer pensar quem solta destas por aí.

      Mas o mais importante que eu queria comentar não é isto, e sim a memória de uma luta que vi de perto e que me parece trazer reflexões importantes para a luta de Goiânia, contribuindo com o esforço dos autores do artigo.

      No Rio de Janeiro, do final do ano passado e início deste ano iniciou-se uma luta contra o aumento das passagens. O Rio nesta ocasião seria a primeira cidade onde o poder público ousaria tentar enfiar um aumento depois das jornadas de junho.
      Aqui o MPL ainda é bastante recente e não tem o trabalho consolidado como existe em outras cidades, mesmo assim o coletivo entendeu a importância estratégica de não deixar ocorrer o aumento e se lançou em uma jornada de luta sem ter parâmetro nenhum se iria dar certo ou não.

      Convocou uma manifestação ainda em dezembro, logo quando da primeira sinalização pública do governo de que iria ocorrer o aumento, e tentou contatar o mais amplo espectro de grupos de esquerda radical possíveis. Aqui cabe uma nota, pois no Rio, diferente de Goiânia, existe uma infinidade de grupos radicais, das mais variadas orientações políticas, o que cria uma rede de solidariedade interessante e pode também ser fator explicativo da persistência da luta de rua por tanto tempo.
      Coerente com sua posição horizontalista e também com esta condição de debilidade, o MPL tentou deixar claro que a movimentação para ser vitoriosa deveria ser de todos os grupos e indivíduos que se identificassem com a pauta. Na sequência dos atos as organizações e indivíduos foram aderindo à luta e a coisa foi ganhando corpo. Porém a cidade já estava um pouco saturada com as manifestações de rua, que não deixaram de ocorrer em nenhum momento desde junho de 2013, e já havia claros sinais que seguido o mesmo caminho não atingiriam nem a população nem o governo com o uso somente da tática de travar grandes avenidas. Foi aí que em uma manifestação pequena (para os padrões locais) um grupo de militantes resolveu que era hora de inovar e fizeram um catracaço na estação de trem da Central do Brasil (lugar onde todo mundo dizia que era impossível fazer). A ação, ocorrida contra as expectativas correntes, pegou a todos de surpresa (inclusive o poder público) e por isso foi um sucesso, repercutindo de forma estrondosa entre a população e entre outros agrupamentos de militantes. Esta ação conseguiu criar interessantes canais de diálogo político entre os usuários do sistema de transporte e os mais dedicados à luta social, criando um corpo social potencialmente forte. Disso decorreu que outros catracaços se seguiram e rapidamente o poder público estadual, acuado ela pressão pública, revogou de uma só vez o aumento em três modais diferentes (barcas, metrôs e trens). Porém ainda restava intacta a estrutura política que sustentava o aumento dos preços nos ônibus municipais e por isso era necessária a criação de uma estratégia para atacar a prefeitura. É aqui que tudo desanda.
      Não se conseguiu avançar em uma discussão sobre a estratégia necessária para alcançar este objetivo e por inércia todos os grupos tentaram seguir a fórmula que havia sido vitoriosa em outra circunstância.
      Porém o poder público já tinha entendido as linhas de força do movimento e a repressão passou a ser intensa nas manifestações que pretendiam chegar às estações de trem. No meio disso aqueles que tratam a luta social como um meio de produzir adrenalina resolveram que era maneiríssimo aumentar ainda mais caos e, favorecidos pelo caos instaurado pela própria polícia, foram lá e jogaram um rojão pro meio do nada, atingindo o câmera Santiago Andrade, que foi a óbito. Qual foi o saldo disso?

      Aqueles canais de diálogo com a população foram abruptamente cortados, porque o grosso da população passou a identificar estes irresponsáveis com os militantes. Por isso a luta perdeu completamente a legitimidade e consequentemente o movimento perdeu sua força. Como resultado não só não se revogou o aumento dos ônibus, como o governo estadual se sentiu confiante para retroceder nas revogações dos aumentos. Isso mesmo, o governo estadual voltou atrás na própria palavra e voltou a anunciar aumento para barcas, metrôs e trens. Claro que o trabalho da mídia aqui foi pesado para fazer a associação entre aqueles lunáticos e o movimento, mas não podemos pensar que a causa da derrota se deveu exclusivamente a atuação do Estado e da mídia, porque eles fazem o que é da natureza deles fazer. E quanto a nós, o que fizemos? O que aprendemos com isto?

      O mais tristemente irônico nisto tudo é que o que aconteceu no Rio serviu de suporte para iniciar uma campanha muito ampla de aumentos por todo o Brasil, inclusive em Goiânia. Ou seja, há a comunicação e articulação das empresas de ônibus em nível nacional, e um revés na luta em um lugar serve de inspiração e reflexão para a repressão atuar em outro lugar (sem contar os diálogos promovidos por meios oficiais entre os governos estaduais e o federal). E em contrapartida, o que os atormentados de algumas organizações de Goiânia dizem : “não escutem eles, são de fora” (!).

      Bom, se eu pudesse dizer alguma coisa, primeiro diria que não se enganem, as divisões regionais só favorecem os capitalistas, porque eles não se prendem em fronteiras, segundo, diria que deveríamos ser todos internacionalistas, terceiro é que deveríamos aprender uns com os outros sobre as estratégias de repressão (e quem sabe no futuro criar formas de solidariedade entre as lutas de diferentes lugares).

      E pros companheiros do TZ Goiânia: não se intimidem com essa gritaria toda, eles já tentaram uma vez implodir a frente, criaram outra frente, mas como são lunáticos ninguém dá importância para eles e tiveram que inserir a frente deles na frente coletiva. Pois bem, vocês estão fortes e sigam o caminho de vocês. Nunca caiam no erro deles de serem vaidosos e nunca se foquem, como eles fazem, na autopromoção da sigla. A sigla é só um meio o que interessa é a luta e é lá onde tudo deve acontecer.

      Saudações de luta!

    • Alexandre de Paula Meirelles

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      abr 30, 2014

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      Olá Companheiros!

      Estou acompanhado esta discussão a um tempo e até então não havia comentado. Também não vou me delongar comentando. É intensamente positivo e saudável a ideia de se pensar a luta que está sendo travada em Goiânia e saúdo os autores deste texto mesmo que não concordando com o que foi dito sobre a questão da ação direta mas entendendo a preocupação dos autores com a luta, emancipação, participação e autonomia do trabalhador e estudante que utiliza o transporte coletivo. Porém não há no que delongar aqui fazendo críticas ao texto afinal muito já se discutiu e se tirou de proveito desta discussão. O que me preocupa é o que tem representado estes textos, aliás não os textos mas a discussão que tem sido feita em torno dos textos, inclusive muito anacrônicos conceitualmente e estruturalmente vide o comentário da “Antivanguarda Bernardiana” e do “Steve no protesto” entre outros. Eis que sempre dentro dos comentários destes textos acabam por se tornar discussão de hegemonia de grupos e a luta em si acaba se tornando um fator secundário. E pra mim isso é muito negativo, além de ser uma grande armadilha inclusive para a ideia de autonomia e luta de classes. Falo isso hoje justamente pelo que ocorreu no texto, não se respeita as atitudes individuais de ninguém como não foi respeitado a individualidade dos autores deste texto, hoje os movimentos sociais em Goiás carregam esse estigma dos GRUPOS, e estes acabam sendo sempre preocupações prévias na organização da luta contra o Capital pois insistem em dentro dos Movimentos Sociais estruturar uma coalizão de forças com outros grupos, já pensando nos frutos a colher, na sua hegemonia e no racha do que na continuidade da luta ou a autonomia do indivíduo no processo da mesma. Não estou criticando o fato das pessoas se organizarem em grupos de afinidade ideológica e prática, mas é um fato que os caminhos que estão tomando as discussões têm se mostrado mais uma reprodução de organizações como Partidos Políticos (que muitos abominam) fazendo correlação de forças, portanto acaba a meu ver se tornando uma Pré-burocracia, já que forma-se a turminha do “já que é desse jeito não serve”, e assim mais uma vez não se respeita as posturas individuais reforçando como não se respeitou a postura aqui dos autores do texto, isso porquê algumas destas(não todas) organizações Políticas parecem não respeitar a postura ideológica e individual de seus próprios membros. Essa é uma grande armadilha e inclusive um inimigo oculto, onde essas organizações políticas parecem mais empresariais do que coletivo de estudantes e trabalhadores,falo empresas porque a ideia de conduzir o trabalhador à uma sociedade sem luta de classes é uma prática advinda das relações capitalistas cristalizadas na História por Movimentos de Vanguarda como o Bolchevismo entre outros, por conseguinte é um fato que Vanguarda é uma prática que não conduz ao socialismo ou comunismo, mas sim remodela a hierarquização dos processos produtivos e aqui se cristaliza isso, na medida em que muitos não conseguem pensar que o trabalhador não precisa ser conduzido mas sim ser um sujeito do processo, como foi visto em alguns momentos na Comuna de Paris e na Revolução dos Cravos por exemplo. Parece-me que alguns grupos talvez não aceitem o fato do trabalhador ser sujeito do processo antes das organizações, parecem não confiar na classe trabalhadora e isso eu abomino com força. Eu particularmente tenho afinidade com as ideias existentes dentro do Tarifa Zero Goiânia, justamente por ser um grupo que respeita essa individualidade dos membros e pela afinidade com a ideia de autonomia e autogestão como uma maneira de se organizar contra o Capital na luta de classes, e vejo os comentários feitos aqui neste texto como uma armadilha para quem pensa na autonomia, acredito que os membros do Tarifa Zero não deveriam dar importância para os ataques feitos ao grupo justamente como uma maneira de prezar pela individualidade de seus membros, eis que assim desta maneira vocês acabam involuntariamente entrando na discussão da coalizão dando vazão à quem quer pensa-los enquanto um certo tipo de Vanguarda(mesmo vocês não sendo), ou seja, os ataques são uma armadilha quanto mais vocês respondem “O Tarifa Zero etc etc”, acredito eu que se afastam justamente um pouco desta ideia da individualidade e autonomia entrando num outro campo de relação de poder. Este foi um fato que eu particularmente e outros companheiros decidimos não entrar em nenhum grupo político a uns anos justamente para ser respeitado e não vinculado a outras pessoas ou grupos em momentos como este, mesmo tendo muita vontade de participar de coletivos que se organizam de maneira autogestionária como o próprio TZ. Assim eu prefiro pensar que “Tarifa Zero” é uma bandeira de luta de todos os trabalhadores e estudantes do que um grupo, como penso outras inúmeras outras bandeiras, isso pra mim traduz o que é uma luta classista.

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