Com irreverência e radicalidade, grupos culturais de diversas linguagens junto ao Movimento Passe Livre-SP fizeram a primeira manifestação da recém-criada Rede Cultural de Solidariedade Autônoma (RECUSA). Por Passa Palavra 

No último sábado, 17 de agosto, grupos culturais de diversas linguagens junto ao Movimento Passe Livre-SP fizeram a primeira manifestação da recém criada Rede Cultural de Solidariedade Autônoma (RECUSA) em frente ao hotel Jaraguá no centro de São Paulo, onde acontecia o II Seminário Procultura do Ministério da Cultura  (MinC) com empresários e produtores culturais.

A participação no evento oficial estava condicionada ao pagamento de R$ 250,00 para os convites comprados com antecedência e R$ 350,00 no dia do seminário. Lá a proposta era discutir o projeto de lei do Procultura (6722/2010), que institui novas regras para o fomento e o incentivo à cultura, como o abatimento fiscal de 4% para 6% para todas as empresas que financiarem projetos culturais. O projeto ainda precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado.

Entretanto, do lado de fora, recusando a política do cafezinho às portas fechadas, trabalhadores da cultura, ativistas, agitadores culturais e integrantes de movimentos populares se organizavam num café de rua – “Café Batucada: também quero decidir!” – para denunciar as negociações do MinC e dialogar com a população sobre cultura como direito e não como mercadoria.

A manifestação começou às 10h da manhã do sábado e numa mistura de recusa, festa, denúncia, ironia e provocação estendeu toalhas na calçada do hotel Jaraguá e serviu um grande café da manhã coletivo, com direito a frutas, bolachas, pães, bolos, sucos e, claro, café para os passantes, que puderam ouvir o som da Fanfarra do M.A.L  (Movimento Autônomo Libertário), a rádio poste e cenas com personagens ilustres como a ministra Marta Suplicy e Carmem Miranda.

Ao meio-dia, os manifestantes ocuparam o teatro do hotel Jaraguá, onde acontecia o evento oficial. Sem conflitos, apresentaram seu gesto de recusa através das marchinhas compostas pelo grupo, batucada, jogral e até uma rádio novela, produzida especialmente para o ato, “O casamento de Governoso Minquel Pau-Mandado com Bradesca Itaulícia do Patrocínio“. Com o constrangimento causado nos convidados do Seminário, a RECUSA conseguiu deixar seu recado: disposição para experimentar novos formatos de se manifestar sem negar a necessidade de se correr riscos – da ação direta.

A rede em construção

A RECUSA se formou a partir de conversas chamadas pelo Movimento Passe Livre-SP, após a jornada de lutas pela redução da tarifa em São Paulo, com diversos coletivos e grupos culturais em torno da construção de uma rede de articulação e fortalecimento das lutas de trabalhadores, ativistas, agitadores da cultura e movimentos populares. Essa rede está aberta e em construção e terá seu próximo encontro no dia 02 de setembro, no Espaço Cultural Carlos Mariguella, em Guaianases, zona leste.

 Veja abaixo o vídeo do ato de sábado.

1 COMENTÁRIO

  1. Fantastica intervensão o Ato com uma maravilhosa apresentação no palco da democracia ditotorial rsss

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