Por Passa Palavra

A última quarta-feira (04/09) não foi um dia de aula normal na Escola Estadual Albino César, zona norte de São Paulo. Isso porque, depois do intervalo, os estudantes paralisaram as aulas em protesto contra o anúncio de que a escola pode ser integrada ao Programa de Ensino Integral (PEI).

Na manhã seguinte, alguns alunos começaram um agito logo na hora da entrada, do lado de fora do colégio, e a direção os impediu de entrar para assistir as aulas. Então, em um grupo de mais ou menos 40 estudantes, eles caminharam até a Secretaria de Estado da Educação (Seduc) da região para cobrar que os alunos também possam decidir se a escola deve ou não aderir ao PEI, já que isso tem grande impacto sobre suas vidas.

O primeiro motivo apontado pelos estudantes para se oporem ao modelo do ensino integral é a situação daqueles que já precisam trabalhar. É certo ter que escolher entre trabalhar ou estudar? — pergunta um aluno. Sabemos que o mais comum é que a realidade imponha a primeira opção. Eles se perguntam também como a escola faria para oferecer as condições para que passem o dia todo na escola, já que agora, quando ficam apenas meio período, falta papel higiênico nos banheiros e aparecem baratas nas salas de aula. Outro ponto que preocupa é que, até onde sabem, os estudantes não poderiam nem decidir se iriam frequentar o turno de manhã/tarde ou da tarde/noite, e teriam de reorganizar toda a sua rotina a partir de uma decisão da direção da escola.

Ao que tudo indica, haverá nesta próxima semana uma reunião do Conselho Escolar que votará o projeto, mas os estudantes não sabem nem ao certo quando ela vai acontecer — obviamente, não podem votar. A questão não pode, entretanto, se resumir só a uma luta por participação ou diálogo, já que isso por si só não impede que o projeto seja aprovado; o mais interessante desses dois dias de protesto é a demonstração da capacidade de organização dos estudantes. Com isso, eles podem seguir pensando em formas de barrar a mudança.

Na última quarta-feira (11/09), houve a votação do Conselho Escolar na EE César Albino e os votos contrários ao PEI foram maioria. Ainda assim, os estudantes precisam seguir atentos porque é possível que o governo encontre outras formas de passar a proposta, ou volte com a pauta no ano que vem.

Atualização do dia 13/09 às 12h30.

VEJA UM PROCESSO DE LUTA SEMELHANTE EM OUTRA ESCOLA.

7 COMENTÁRIOS

  1. Alguns pontos são bem diferente do que está posto na matéria, os estudantes foram informados da proposta de implantação da PEI, assim como seus pais e responsáveis. O conselho escolar é formado por pais, alunos, professores e funcionários.
    A decisão é feita em conjunto e de acordo com o que a maioria decidir.

  2. Os alunos precisam saber quais pais participam do conselho e quais alunos. Precisam perguntar para os alunos e para a direção fa escola quem participa

  3. Em tese os representantes dos pais e dos alunos são eleitos pelos seus pares para representá-los no Conselho, mas geralmente isso não acontece e é comum que a própria direção “eleja” os membros. Não conheço a escola em questão, mas conheço a rede estadual e posso afirmar que no geral os Conselhos Escolares são pura fachada. Do contrário, os alunos saberiam quem são seus representantes no Conselho. E ainda que não soubessem, seria obrigação dos membros do Conselho ouvir esses alunos.

  4. Os colegiados são formados por pais e alunos após eleições que contam com poucos participantes, o que é compreensível, a maioria dos pais que trabalham têm dificuldade em participar com a escola. Grêmio Estudantil, APM e Conselho de Escola atuam por representatividade e no caso desta matéria apenas 40 alunos se posicionaram contra nesta manifestação, quantos alunos a escola atende? Provavelmente a decisão será direcionada pela maioria.
    O Ensino Integral tem muitas vantagens para os alunos e comunidade e a matéria poderia considerar apresentá-las, como os resultados de aprendizagem pós à implantação do programa nas escolas que já o receberam.

  5. Liliane, é simples então: a escola deve consultar cada um dos alunos, professores, funcionários (limpeza, merenda, administrativos etc.), pais de alunos e responsáveis (tios, avós etc.), mas só depois de promover um debate efetivo – com igual tempo de fala, por exemplo – entre quem é contra e quem é a favor. Deixar o burocratismo e o faz de conta dos mecanismos de representação tradicionais – como o conselho – de vez em quando faz bem, não?

  6. Pelo que, sei a relação de quem faz parte do conselho tem que estar fixada em um quadro público dentro da escola para que toda a comunidade saiba quem é.
    Além disso se o processo foi feito de forma correta ou seja se todos os seguimentos foram eleitos na escola, todas as pessoas saberiam quem, é até porque essa eleição teria que ter sido feita há no máximo 6 meses atrás.
    Me parece que alguma informação está sendo omitida da comunidade…

  7. Dentro das espectativas dos professores e comunidade da região esperamos que este processo de exclusão imposto pelo governo respeite a vontade e a voz do Conselho que e soberano independente da vontade do grupo gestor.
    Apeoesp Norte apoia os Professores da EE Albino César.

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