Por M.h.

Os barulhos do vazio estridente dessa casa vazia me fazem querer correr e me esconder debaixo dos cabelos da minha mãe, mas quando eu percebo que não tem mais ninguém, que apenas me restou a mim e que de mim devo fazer casa, meu peito incha e quase explodo em desespero,

os cabelos dela estão pela casa e as lembranças de um dia ser amada em parágrafos curtos parecem cenários que nunca existiram.

o silêncio foi e sempre será a tortura dada por aqueles que um dia disseram me amar

*

A solidão veio quando dois rios díspares que tão perto nasceram juntos se dissiparam.
a solidão a abraçou, se fincou em cada célula morta, e dançou com a chuva em formato de lágrimas que caiu, caiu e não cansou.
a solidão por fim veio, e ela não fugiu, e a solidão se misturou, se entrelaçou, e se consolidou com sua alma.

*

Eu nunca me calei no tribunal do
finlandês perverso, que ameaçava tirar
a minha voz.
Mas eu me calei diante da monstruosidade feroz do meu Ser em me dizer não,
mesmo quando isso feria minha intuição.
Eu enxerguei a sabedoria da minha mente como um delírio;
Eu me tornei o finlandês perverso que estridentemente ansiava comer a minha alma e fazer pó da minha existência,
e quando eu percebi isso… Eu o ceifei.

*

ela estava lá, juntando os pedaços de todas as suas vísceras jogadas e pisadas pelo chão. o sangue não escorria mais; as cicatrizes foram se tornando as coisas que ela mais apreciava em si. as lágrimas agora estavam se acumulando como sinal de sua liberdade.

no entanto, nada é tão belo assim.

aquele sentimento personificado, ele chegou tão singelo, como o sol que vem aparecendo ao amanhecer sem machucar.

até finalmente a abraçar, ela nem pôde suspirar de alívio — apenas sentiu tudo sendo jogado para o lado de fora novamente. transbordava sangue. tudo doía.

aquele sentimento personificado, agora como se estivesse pisando no solo do sol.

nada mudou(?)

*

Naquela manhã me entregaram a
cabeça de uma rosa decapitada.

Todos estavam te rodeando, papeando em como você era jovem demais.
Era estranho, eu cresci acreditando que era perfeitamente capaz de expressar
os ecos da minha cabeça,
mas quando eu senti sua mão gelada, eu não pude respirar,
eu não consegui te olhar.

Às arvores do lado de fora foram as únicas que me mandaram a brisa suave. brisa que mais se parecia com um dos seus abraços medonhos,
não parecia estranho? Eu percebi que nunca aprendi a me expressar…
Até eu desaguar na espuma de um oceano pronto para levar minhas lágrimas, e mandar as palavras.

A pintura em destaque é de Mark Rothko (1903 – 1970)

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