Por Douglas Rodrigues Barros

Há um novo vilão nos departamentos de humanas: o universal. Da última vez que foi visto, caminhava de sobretudo e chapéu, se esgueirava em algum curso de filosofia antiga ou moderna, relataram testemunhas. Malvado, dizem que seu crime é o de excluir. Aqueles que o acusam se apoiam na particularidade como inclusiva, se esquecendo da Gemeinschaft alemã que pensava o mesmo. Numa única noite a Gemeinschaft ariana em nome do seu absoluto particularismo assassinava à bala cerca de 40 mil mulheres e crianças da Gemeinschaft cigana e judia.

Indelicadeza lembrar disso (outro contexto, dirão). Sem sua cúmplice, a dialética, o problema com o universal é que já é impossível operar o pensamento no nível da contradição e ver que a singularidade está no universal e o universal só é possível de ser pensado pela sigularidade. (Coisa de outros tempos! Dizem). Pobre Derrida com suas reviravoltas gramatológicas, seus discípulos pararam no meio do caminho. Sugerem a identificação e a identidade como fim em si. Assim, a polícia universitária orwelliana tem barrado qualquer discussão. O universal era coisa de subalterno, (afinal, o homem era o homem como qualquer homem), agora é posto de fora. (Há Homens e homens).

Do universal não se fala mais. É europeu. Pobres egípcios e sua imortalidade da alma. Falar de universal é ser convidado ao ocaso; (tarefa da verdade, uma aberração!) Pobre Marcuse, achava que o problema seria a filosofia analítica quando na verdade era a filosofia dita de esquerda! Unidimensiolidade, só se fala do visível. Na treta Hegel vs. Heidegger, o último venceu! Espinosa tornou-se heideggeriano e o corpo assumiu (com ou sem demarcadores) o lugar do fato. “O corpo é tudo o que é o fato!” e até Wittgenstein dançou nessa.

Enquanto isso: Procura-se o universal!

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