Por Cacique Neilton

 

Chegaram 15 viaturas da polícia, conversaram com a gente e falaram que estavam ali para mediar a situação com a gente. Nós falamos que já estávamos conversando com o MPF e o MPI e que a polícia devia mediar com os fazendeiros e mandá-los embora. A polícia então tirou as viaturas e colocou elas de um lado e de outro e abriu o caminho e deixou os fazendeiros frente à frente com a gente. Os fazendeiros já chegaram atirando e batendo de pau na gente. Queimaram dois carros da gente. Atiraram em Nega, eu vi Nega tombando, agarrei ela e aí atiraram em mim e eu consegui ouvir as últimas palavras dela. Aí chegaram dois caras e disseram que iam socorrer a gente e jogaram a gente em uma caminhonete e levaram pra Potiraguá. Nega morreu na estrada.

O pessoal me fez um curativo em Potiraguá e me mandaram para fazer a cirurgia em Itapetinga. Depois da cirurgia, me mandaram pro Costa do Cacau. Cheguei no Costa do Cacau e me mandaram pra um neuro, por que minha perna direita não está se movendo.

Tem muita gente espancada, gente baleada, gente com braço quebrado, tem um neto do cacique Jovino que foi baleado na nádega esquerda. Ele teve alta, mas a bala vai ficar alojada, porque é mais seguro deixar aonde está.

 

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