Por vidaventovela

10 de outubro de 2026

O mesmo dilema, oito anos depois

Estamos a poucos dias do segundo turno das eleições de 2026, entre Lula e Flávio Bolsonaro. Flávio está na frente. O campo bolsonarista tem maioria no Congresso.

E nós vivemos de novo o dilema de oito anos atrás. Naquela época, a esquerda afirmou que, se Bolsonaro ganhasse, o terror tomaria conta de tudo e toda perspectiva de ganho social seria perdida. Depois, mobilizou-se pela prisão de Bolsonaro, com uma postura que lembra o populismo penal que as gestões petistas praticam nos governos estaduais.

O fato é que, mesmo com Bolsonaro preso e apenas o filho como porta-voz, o Flávio venceu o primeiro turno e chega ao segundo com vantagem. A pergunta, então, é uma só: qual é a visão estratégica que devemos ter para este momento?

Um saldo negativo

O saldo das organizações e dos movimentos sociais que se mobilizaram para fins eleitorais é, em geral, negativo. O melhor exemplo é a última eleição presidencial: foi seguida essa mesma lógica e hoje o povo está ainda mais à direita.

Se for repetida a fórmula, daqui a quatro anos a tendência é piorar ainda mais. Já vivemos um período difícil no país. Os movimentos sociais perderam credibilidade, assim como a maioria das instituições sindicais e associativas da classe trabalhadora.

O governo não corresponde aos anseios das pessoas frente a seus problemas. O voto no Flávio Bolsonaro, muitas vezes, é mais um voto contra o governo.

Nem mais nem menos ingênuos

É preciso ter claro: os milhões de brasileiros que votaram em Bolsonaro não são nem mais nem menos ingênuos que os que votaram em Lula. São, em sua maioria, trabalhadores muito explorados. Estão buscando construir uma interpretação da realidade, muitas vezes movidos por uma indignação que nasce da sua própria condição de classe.

Do outro lado, quem vota no candidato do PT não está, necessariamente, despertando uma consciência de classe. Muitas vezes esse voto também está ligado a visões ingênuas ou simplistas da realidade, por mais que agradem ao gosto da esquerda.

Portanto, a questão não é louvar quem aposta no governo Lula, com voto crítico ou não, e demonizar quem vota em Bolsonaro. A questão é: os movimentos vão às ruas disputar a consciência do povo? E de que forma?

O limite da campanha do medo

A campanha não diz “o governo Lula tem vários problemas, mas o projeto de Bolsonaro é pior”. Diz “Lula, Lula, Lula, é 13, para sonhar de novo, para ser feliz”. E completa: se for o Flávio, vai acabar o bolsa família, as universidades, vai acabar tudo.

Mas o que vimos? Houve desmontes, sim, só que nem sempre generalizados como foi alarmado. Que conquistas são essas que se desmancham logo nos primeiros meses do governo Bolsonaro. São como casas sem fundamento.

Por isso, o melhor movimento estratégico não é tentar virar o voto de quem não votou em Lula. No curto prazo pode render um benefício momentâneo. No médio prazo, traz enormes contradições: a massa convencida agora tende, como nos últimos anos, a se decepcionar, se frustrar e migrar para os candidatos da direita.

Também é preciso dizer: esse clima de terror e alarmismo tem, muitas vezes, influência de quem ocupa cargos no governo federal e nos partidos. Gente que teme perder o posto e ter que procurar outro emprego ou se pendurar em outro governo.

E quando a base, passada a eleição, começar a ver as capitulações, a corrupção e a miséria que continua, ficará mais indignada ainda com o processo eleitoral. Mesmo que houvesse intenção de mudar, o Estado não tem capacidade de responder. Parte dessa base irá para a abstenção; outra parte, para a direita. Não à toa a abstenção é alta, mesmo enquanto deputados mantêm verdadeiros currais no interior, levando gente para votar como gado em troca de cargos e contratos temporários nas prefeituras.

A luta não é entre esquerda e direita

Não é a disputa entre esquerda e direita que rege a história. É a luta de classes. A democracia representativa está em frangalhos e já não dá conta das necessidades do povo.

Se gastarmos nossa energia tentando convencer, pelo mal menor, o trabalhador que votou em Bolsonaro, o resultado será pequeno. E quem for convencido tem grande chance de voltar para a direita daqui a quatro anos. Essa dinâmica já se esgotou.

Nós, lutadores do povo, não podemos ser os funcionários mal pagos de partido, que irão arcar com a ressaca pós-eleição enquanto outros estão em seus cargos. Precisamos construir uma alternativa a partir da organização de base, que não caia no mesmo ciclo da redemocratização da década de 1980, quando grande grande parte do acúmulo dos movimentos sociais foi absorvida pela institucionalidade para disputar o Estado. Basta disso.

O que barra um golpe

Um dos argumentos para deixar de lado qualquer questão para a campanha de Lula é a ameaça de um golpe de Estado e intervenção estrangeira. Mas a história mostra que o golpe pode vir com a direita no poder ou com a esquerda eleita. Na Espanha, em fevereiro de 1936, a Frente Popular venceu as eleições. Em julho, os militares deram o golpe mesmo assim. O mesmo se repetiu em outros momentos da história.

Na Espanha, o que impediu o golpe militar foi os trabalhadores, em sua maioria envolvidos pelo anarquismo e sindicalismo revolucionário, que fez frente aos ataques dos poderosos com greves, barricadas e confrontos nas ruas.

Assim, o que pode barrar um golpe, ou resistir a ele, é justamente o que ainda temos de mais fraco: a organização de base. É nela que precisamos focar para sair de um ciclo que só tende a piorar. Daqui a quatro anos, se nada mudar, será muito pior.

Organize-se

Lula ou Flávio eleitos, a perspectiva para o futuro é de mais arrocho salarial, precarização das condições de vida e perda de direitos. Desse modo, seja o trabalhador que votou em Lula, o que votou em Bolsonaro, o que votou em outro candidato ou o que se absteve: nosso papel é construir a organização de base. Organização de classe, no local de trabalho e no local de moradia, fortalecendo as lutas e a solidariedade nas comunidades, independente do voto de cada um. Esse é o nosso grande desafio.

Muito mais do que dizer “vote” ou “não vote”, temos que dizer: organize-se.

  • Participe da assembleia na sua comunidade e no seu local de trabalho.
  • Apoie as greves e as paralisações.
  • Apoie as ocupações de terra e a construção de hortas.
  • Construa grupos de autodefesa das mulheres nas favelas, nas comunidades rurais e nos territórios indígenas, em todos os cantos.

É assim que vamos criar o futuro, sem cair no imediatismo nem no alarmismo que querem nos impor.

MAIS DO QUE VOTAR OU NÃO VOTAR, É PRECISO SE ORGANIZAR.

As imagens que ilustram o artigo são de Ismael Nery.

48 COMENTÁRIOS

  1. Mais um artigo inútil que visa igualar bolsonarismo e petismo. Diz que é inútil discutir votos, mas está aqui perdendo tempo discutindo o segundo turno e buscando motivos para trabalhadores não votarem e deixarem mais espaço para que um projeto fascista chegue ao poder. Os motivos para essa posição não estão na política e nem no domínio da análise histórica, são mais de ordem psicológica e identitária. São pessoas que necessitam de motivos para se sentirem acima dos 60 milhões de trabalhadores que votaram no PT em 2022 e que reconheceram todas as mortes que o bolsonarismo causou no Brasil em 4 anos. Como se bastasse pedir para que as pessoas lutem em textões para que lutas ocorressem. Quer discutir lutas? Faça um texto sobre isso então, sobre lutas concretas que possam fortalecer a posição dos trabalhadores nos próximos anos.

    Já entendemos que entre Mussolini e Lula vocês votam nulo por ressentimento ao Lula. Não é necessário perder tempo escrevendo esses “artigos” e fingir que votar se opõe a lutar concretamente.

  2. Bonito o panfleto. Quando eu era estudante secundarista, lembro que pensávamos assim também.

  3. Um texto falando o básico do básico pra ter uma discussão produtiva, que é estabelecer um ponto de vista de organização de movimento pra tratar a eleição, mas parece que as pessoas que não participam das lutas e percebem que a situação tá complicada, tem raiva de quem aponta que votar no Lula ou brigar com quem não votou no Lula não vai compensar a passividade que levou até o atual momento.

    Com um congresso de maioria absoluta de direita, vamos fazer o que? Rezar pro pai Lula?

    Caso Lula não consiga ganhar, vamos fazer o que? Chorar pro Janones?

    São questões super simples que se você aponta, começam a vociferar que políticas públicas fazem diferença sim… como se alguém estivesse dizendo que não faz.

  4. E um texto desse aponta pra qual “discussão produtiva”? Voto nulo? Inócuo politicamente. Organização coletiva? Qual? Abraço!

  5. Tá no final ali do texto, organizacao comunitária e de local de trabalho, onde votar ou nao no Lula não vai ser o critério pras coisas andarem. Apesar de não sermos players realmente relevantes nas eleições, nos espacos de base a postura da militância vai fazer bastante diferença. Isso pra quem tá atuando em alguma…

    Coisa super óbvia pra quem tem qualquer contato com luta por moradia ou contra atraso de salário e etc. Aqui no passa palavra tá cada vez mais evidente que tem um perfil de militante que quer votar no Lula e ta culpado porque sempre falou contra isso (o que é justo e compreensível), mas defender que não fazer campanha pro Lula é se achar melhor que os outros além de ser uma evidente projeção burra e culpada, só vai atrapalhar quem tá preocupado em se orientar num momento difícil e com sustentar as condições de luta coletiva em seja qual governo que for.

  6. Acho que o campo anarquista (sindicalista revolucionária) subestima o poder da extrema-direita e superestima o nosso próprio poder. Uma vitória do Bolsonaro dá a ele condições extremamente favoráveis para mandar e desmandar nesse país, com Forças Armadas, Supremo, Congresso Nacional, Igrejas Evangélicas, Big Techs, Jornalismo corporativo, Polícias, Milícias e quem sabe o que mais pode surgir etc.

    Acho que a nossa existência física está ameaçada. Não é retórica: tenho medo real.

    Concordo que só piora a cada 4 anos, mas sem Lula e o PT no Executivo estaria melhor? Nós trabalhadores estariaamos mais à esquerda sem o governo do PT? Tenho minhas dúvidas…

  7. Até que enfim, um relâmpago de lucidez! No âmago deste artigo reside uma afirmação. «Não é a disputa entre esquerda e direita que rege a história. É a luta de classes.» Tudo o resto é secundário. A nossa luta é outra, previne-nos o autor, trava-se noutro lugar, com outros instrumentos e outras formas de organização. Contra a hétero-organização subjacente às empresas e a todos os aparelhos políticos, a nossa atenção e as nossas capacidades de actuação devem concentrar-se na auto-organização dos trabalhadores. O artigo não podia ser mais claro.

  8. Alan Fernandes, seu comentário pode ser lido como se você tivesse “crescido” e “superado essas ilusões”, ou ser lido como se quando secundarista você estivesse envolvido nas lutas – e portanto compartilhasse das preocupações do autor com elas – e hoje não mais. Qual seria a melhor leitura para o seu comentário?

  9. Me parece que essa discussão está colocando de baixo do tapete uma questão importante. Pela própria lógica do arcaboço fiscal, uma eventual vitória eleitoral do atual governo implicará cortes e aprofundamento da austeridade para o ano que vem, com o consequente rebaixamento do nível de vida dos trabalhadores. Confirmado isso, como os mesmos que estão aparecendo diante dos trabalhadores para lher pedir voto contra a austeridade da extrema direita vão ficar perante os trabalhadores? Isso irá fortalecer ou enfraquecer a extrema direita? Por isso eu vejo como ingênuas as acusações de “identitarismo” aos que buscam, de alguma forma, se diferenciar do campo petista pela esquerda. O que condenam, na verdade, é justamente essa diferenciação.

  10. “Mas o que vimos? Houve desmontes, sim, só que nem sempre generalizados como foi alarmado. Que conquistas são essas que se desmancha logo nos primeiros meses do governo Bolsonaro. São como casas sem fundamento.”

    O cheiro do elitismo da esquerda de apartamento lavrada na performance do purismo intelectual…

  11. Nenhuma das duas. Não renego nenhum dos espaços de luta que participei. Eu só não tenho mais muita paciência pra palavras de ordem ao vento. Mas compreendo a confusão. Também não acho que o futuro da esquerda é resgatar voto nulo dos anarquistas e comunistas, entre os quais eu compartilho a primazia da luta cotidiana. Fico pensando que nos momentos em que o autor procurou discutir a fragilidade da conjuntura com ou sem Lula a análise é ofuscada para chegar à mesma conclusão que vemos de quatro em quatro anos nos mesmos sites autonomistas/anarquistas: “Não vote, lute”. Aliás, não são poucos os artigos desse site que enaltecem a luta de classes, mas o fazem discutindo a luta de classes real, não a dos panfletos.

  12. O artigo não tem uma linha sequer sobre voto nulo, tenta falar de outra coisa, da nossa capacidade de organização enquanto classe.
    Aos que defendem voto no Lula, dentre os quais me incluo, melhor seria argumentar que no segundo turno há uma notável energia militante tanto entre jovens, quanto entre os já não tão jovens, e mesmo entre velhos. Notaria entretanto, que a maior parte dessa energia está voltada apenas para o processo eleitoral, comentaria talvez que há iniciativas no Rio, em Fortaleza, em Goiânia e em Belo horizonte, tentando dar um sentido de organização de classe, aproveitando-se da aprovação da nova escala de trabalho. Claro que ao mesmo tempo são iniciativas ainda restritas, das quais não sabemos quais serão os frutos de medio prazo, tampouco o fôlego delas pos eleições.

  13. O que alguns parecem querer aqui é que se cale qualquer crítica que não contribua para a eleição do Lula. Se é verdade que o papo do “não vote, lute” é sempre presente (aliás, esse aqui não é um dos casos, me parece mais um “independente do voto, lute”), também é verdade que a pressão e o silenciamento em cima dos que denunciam as eleições ou se recusam a votar também está sempre presente. Aliás, a qualidade do debate decaiu muito de uns anos pra cá, é só ver os comentários desse e do outro artigo do Jardineiro. Mas não é só aqui, claro. É um reflexo do agora. Vários camaradas meus de luta que nunca se contentaram com discursos simples e buscavam sempre tensionar as coisas e levá-las às últimas consequências na crítica cederam às cobranças, aos argumentos rasos e aos ataques rasteiros. E é exatamente por isso que eu considero que um dos melhores artigos publicados até agora sobre as eleições nesse portal é o assinado pelo Jardineiro. Não porque eu concordo com ele. Muito pelo contrário. Mas porque ele tensiona a atmosfera que se faz presente e é intransigente na campanha do voto nulo, o que se torna um contraponto militante aos moralismos e assédios dos vira-voto. Nesse sentido, o debate e a ira que ele despertou nos comentários acabou sendo mais valioso que o artigo. Creio que ao atacar o fatalismo da esquerda e não dar importância às eleições o autor deste artigo tenha atacado mais que as posições políticas desses indivíduos.

  14. A verdade é que se criou um clima de tudo ou nada, uma espécie de Batalha de Stalingrado a ser resolvida no pleito eleitoral. E isso é estimulado pelos dois lados em disputa, pois se transforma em votos. Por isso, na esquerda, os constantes apelos à “consciência de classe” (que curiosamente apareceu apenas no segundo turno, após a derrota aparecer como um cenário possível e mesmo mais provável) e ao pânico generalizado. E essa estratégia deu muito certo. Daí os constantes surtos a qualquer coisa que possa minimamente arranhar o discurso governista. O problema é que nenhum dos lados podem resolver os problemas imediatos da classe trabalhadora, pois ambos estão comprometidos com a austeridade fiscal, cada um a seu modo. O problema que fica é o pós-eleição. Como reagirá a classe trabalhadora diante de uma austeridade patrocinada pela extrema direita? E como reagirá se ela for implementada pela esquerda?

  15. Me parece que há uma miopia generalizada quanto às contradições do artigo:

    “Mas o que vimos? Houve desmontes, sim, só que nem sempre generalizados como foi alarmado. Que conquistas são essas que se desmancha logo nos primeiros meses do governo Bolsonaro. São como casas sem fundamento.”

    Isso é absurdo. 400 mil mortes evitáveis na pandemia e uma tentativa de golpe de Estado não são suficientes? Todos os arrochos salariais com o congelamento do salário mínimo são mentiras? A volta do Brasil ao mapa da fome no governo Bolsonaro é mentira?

    “Por isso, o melhor movimento estratégico não é tentar virar o voto de quem não votou em Lula. No curto prazo pode render um benefício momentâneo. No médio prazo, traz enormes contradições: a massa convencida agora tende, como nos últimos anos, a se decepcionar, se frustrar e migrar para os candidatos da direita.”

    Ou seja, não devemos apoiar a derrota do fascismo nas eleições. Devemos ficar calados diante da eleição: abstenção ou voto nulo.

    “Também é preciso dizer: esse clima de terror e alarmismo tem, muitas vezes, influência de quem ocupa cargos no governo federal e nos partidos. Gente que teme perder o posto e ter que procurar outro emprego ou se pendurar em outro governo.”

    O perigo do bolsonarismo, para o autor, é principalmente alarmismo feito por burocracias estatais.

    O artigo é claramente pró voto nulo ou absenteísmo diante de uma ameaça concreta para a vida de milhões de trabalhadores que representa o bolsonarismo. Parte do pressuposto de que é uma contradição fazer uma campanha contra o bolsonarismo num período curto e decisivo que é a eleição, com todas as mobilizações de massa ocorrendo atualmente. Parte do pressuposto de que isso compromete a capacidade das pessoas lutarem depois. Nada mais errado, os fundamentos dessas suposições são errados e podemos verificar pela análise histórica recente.

    Por isso ele não aponta para nenhuma luta concreta no artigo, porque dizer para não participarem das eleições e lutarem é um álibi para a posição absenteísta movida pelo ressentimento ao petismo. Aliás, é justamente a fraqueza das lutas da classe trabalhadora que nos obriga a eleger Lula simplesmente para ganhar tempo e nos articularmos melhor. Um novo governo Bolsonaro deixaria a nossa capacidade de organização ainda pior. É disso que estamos tratando concretamente.

    Devemos falar de lutas sim, mas com textos concretos sobre elas. Não vejo nada sendo agregado aqui.

  16. Achei um texto básico porém fundamental. Para relembrar e dar atenção ao que afirmamos há décadas e que não estamos encaminhando, qual seja, a tal auto organização dos trabalhadores.

    Seja qual for a postura, “não vote, lute”, “vote e lute”, “viva Lula” ou “viva nulo”, o ponto é que ninguém está conseguindo encaminhar a organização desse campo político. Já sabemos também que apenas afirmar em palavras não é suficiente, mas deixar de afirmar é irresponsável.

    Já aos críticos, eles brincaram com a “inocência secundarista”, ou com a falta de “luta de classes real”, ou como a crítica de um “elitismo de esquerda”, ou uma “subestimação do fascismo”. Mas todos esses argumentos são tão ou mais simplista e velhos que o radicalismo do texto, inclusive eles aparecem sempre mais desesperados a cada 4 anos. Nitidamente também não estão dando encaminhamento ao próprio movimento.

  17. O autor do texto não discutiu a interferência das Big Techs e especialmente da Meta nas eleições.

    Vivemos uma grande experiência de manipulação de massas… é mais um ponto pra análise.

  18. Quanto ressentimento dos neopetistas! Quem vos viu, quem vos vê…

    Alan parece que virou aqueles velhos que desmerecem a juventude sempre iniciando uma frase com “Na minha época…” e terminando com “…na minha idade vocês vão entender que não adianta ser radical assim”.

    Juliana, quanto desrespeito ao autor ou autora desse texto. Triste. O cheiro do elitismo de esquerda de apartamento que você sente deve ser porque seu nariz tá muito perto de sua roupa. Releia esse texto e compare com o conteúdo cult-conceitual que você já produziu para este site e nos diga qual nos parece mais genuíno de alguém que está na militância de base e pensando nas contradições.

    Davi pelo menos trouxe uma discordância mais racional: menosprezar o bolsonarismo, ou dizer que tanto faz um quanto outro, realmente tem seus perigos. Mas estejam no Estado, nas milícias ou na cadeia, o estrago já está feito na sociedade (quem vive em regiões como norte ou centro-oeste sabe muito bem). Como lidar daqui pra frente com aqueles trabalhadores surtados de bolsonarismo? São equivalentes aos que surtaram de petismo, como muitos servidores públicos? O estrago neopentec é irreversível?

    Tadeu, você tá dando uma excelente ideia para um texto… que você mesmo deve escrever.

  19. Mesmo discordando da terminologia do autor, e que ainda acredito que o autor poderia dar detalhes de como se organizar concretamente ou dizer abertamente pelo que devemos lutar, eu concordo em linhas gerais. E, ainda, parabenizo pela iniciativa de publicação desse texto aqui, pois devemos aplicar herbicidas a fim de matar essas ervas daninhas que roubam a energia da luta real e radical através da defesa da democracia burguesa e de candidatos em eleições.

    E mais uma vez, os defensores do voto aparecem para confessar sua mediocridade através de argumentos usados inclusive por Lenin para deslegitimar os revolucionários que ousam lutar radicalmente através da auto-organização e com o objetivo final da autogestão social. Chamar de juvenil não é um argumento bem fundamentado, portanto, é descartável.

    E, ainda, eles tentam realizar um verdadeiro terrorismo eleitoral, através do medo, da desqualificação, deslegitimação, inverdades e exageros. Isso está gerando um adoecimento psíquico real nas pessoas, o que pode gerar problemas futuros.

    Votem nulo e lutem pela autogestão social!

  20. Os neopetistas “antielitistas” poderiam ir para um portal que seja mais condizente com suas posições. Recomendo o Brasil 247.
    Aliás, vocês estão fazendo muito mal. Agora é hora de ser robô de Lula e não em perder tempo falando com essa esquerda medíocre, utópica, infantil e elitista que ainda acredita em revolução, autogestão, comunismo, lutas, etc, etc, etc. Janones está chamando vocês para voltar aos postos no exército do Lula. Não é hora de perder tempo! Voltem aos seus lugares!

  21. Os últimos dias

    Todos já haviam percebido. Em maior ou menor grau. Conscientemente ou não. Mas era impossível não sentir. Porque a emoção se tornara tão densa a ponto de escorrer pelas faces, como lágrimas provocadas por um sentimento tão intenso quanto indeterminado.

    O que vinha acontecendo naqueles últimos dias? Ao que conduziria? Como se poderia saber, a não ser vivendo plenamente aqueles últimos dias…

    Hoje é dia de Nossa Senhora Aparecida. Mas o que importa um ícone católico ter sido escolhido como padroeira do Brasil? Não sei… Talvez por ser uma mãe-preta. Talvez por ter sido encontrada em águas de rio numa segunda quinzena de Outubro. Talvez por evocar uma origem comum, na qual se encontram todas as crenças e todos os povos.

    O que vinha acontecendo naqueles últimos dias já não se tratava de eleições, muito menos de Lula. Aquilo já acontecera muitas vezes anteriormente. Da última vez fora em 2016. O Povo que luta se levantara contra o golpe. Mas…

    Como também jâ ocorrera muitas outras vezes, a cúpula, a direção, o Lulismo de novo não abraçara a luta. E sem coordenação, por mais potente que seja o Desejo, ele acaba se dissipando sem conseguir se materializar por completo.

    Hoje era diferente. Desta vez a cúpula, a direção, o Lulismo precisavam desesperadamente do Povo que luta. Era uma questão de sobrevivência. Um laço comum se estabelecera. Ninguém podia largar a mão de ninguém.

    Todos pressentiam que aqueles seriam os últimos dias. E fosse qual fosse o resultado das eleições, não iríamos sobreviver àqueles últimos dias. A ruptura, tantas vezes rechaçada ao longo da História do Brasil, hoje vinha veloz ao nosso encontro. Já não seríamos os mesmos.

    Enquanto caminho por uma estradinha de terra nos altos da Serra da Mantiqueira, me pergunto sobre o futuro. Mas hoje não há futuro algum. A história do futuro somos nós a escrevendo no agora incerto desses últimos dias.

    E algo se insinua através da indefinição. Não! Não é ninguém montando um cavalo branco! Espera! É uma multidão! Seriam eles? Os brasileiros?

    Sim! Chegou o momento de revelar um segredo: todos nós juntos já vivemos uma vez. E naquela vida fomos chamados de Brasileiros. Não como uma identidade nacionalista, e sim como um Povo que luta.

    Caminhando passo a passo pela estradinha de terra, começo a murmurar como se as palavras fossem sendo sussurradas aos meus ouvidos:

    Salve os argonautas! Salve, salve!
    Salve Ganga Zumba! Salve os Cabanos, os Malês e os Balaios! Salve, salve.
    Salve os Tamoios, Aimorés, Potiguares, Tupinambás! Salve, salve.
    Salve Felipe Camarão! Salve os Alfaiates e os Cariris! Salve, salve!
    Salve o Almirante Negro! Salve o movimento anarco-sindicalista e a Coluna Prestes!
    Salve Apolônio de Carvalho. Salve Lamarca! Salve Carlos Marighella! Salve, salve.
    Salve as greves de 1979! Salve as “Diretas Já”! Salve Junho de 2013! Salve, salve.
    Salve Tiradentes! Salve o Caldeirão do Deserto! Salve Trombas e Formoso! Salve, salve!
    Salve Sepé Tiaraju! Salve o Dragão do Mar! Salve, salve! Salve a Hydra de Iguassu! Salve, salve .
    Salve o Contestado! Salve Canudos e Palmares! Salve, salve!
    Chegou a hora de rejuvenescer. A vida só é bela para os ressuscitados.
    Que a luz da estrela da revolta nos inspire a todos!
    Ousar lutar! Ousar vencer! Somente a luta muda a vida!
    Que os Encantados nos protejam e nos iluminem nesta travessia.
    Salve o Povo que luta! Salve, salve!

  22. ‘Também é preciso dizer: esse clima de terror e alarmismo tem, muitas vezes, influência de quem ocupa cargos no governo federal e nos partidos. Gente que teme perder o posto e ter que procurar outro emprego ou se pendurar em outro governo.’

    Achei esse pedaço sem-vergonha. Onde estava o autor durante a pandemia? A pandemia foi alarmismo e terror de quem ocupava cargo no governo? Na boa, sem paciência irmão.

  23. Realmente, Tadano, a radicalidade independe da vocação eleitoral de cada um. Meu ponto é que, repito, o texto não fala de nenhuma luta concreta, e só apela para a conjuntura brevemente para justificar o chavão “Não vote, lute”. Se o texto aprofundasse a questão da correlação de forças da classe trabalhadora em 2027 como procurou dizer no início do texto, teriamos alguma reflexão nova. Não acho que o Passa Palavra devia ser um satélite do Brasil 247, bem como não deveria se render aos manifestos de boas intenções.

  24. Conheço o autor e uma parte dos comentadores aqui e falo sem rodeios: os argumentos rasos e baixos estão vindo de gente que não milita mais ou que sequer militou, mas surfou uma ondinha aqui e outra ali. Não quero cobrar ação ou militância de ninguém, todos têm seus motivos para não militar mais – ou ganhar dinheiro fazendo campanha para candidato político – mas o ataque baixo de vocês a um texto de um camarada que está envolvido nas lutas e construindo relações reais de solidariedade em seu local de trabalho diz mais sobre vocês do que sobre o camarada. Sinto nojo desses ataques baixos, como se o camarada fosse infantil, utópico ou um intelectual de sofá. Aliás, tão tirando isso do cu de vocês, na ânsia de desqualificar qualquer posição crítica ao oportunismo do vira voto. É engraçado ver as palavras que vocês direcionam ao camarada porque servem muito bem pra vocês mesmos.

  25. Pedro, eu não tenho a menor ideia de quem seja o autor deste artigo e em momento algum dirigi ataque pessoal. Procure acima, não encontrará. “relações reais de solidariedade em seu local de trabalho” também não foram mencionadas pelo autor nem foram desmerecidas por mim nos comentários. A ausência destes no texto até foi. Se minha crítica fosse a isso, poderia ser acusado de desmerecer alguma luta em curso, o que não é o caso. No mais, eu respondo única e exclusivamente pelos comentários que eu mesmo fiz.

  26. No debate aqui nos comentários, os defensores do voto, utilizam como fundamento de seus argumentos as deliberações estatais que foram tomadas durante o governo de Jair Bolsonaro. O governo de Jair Bolsonaro forneceu uma coleção de decisões irracionais e com impactos devastadores sobre a população.

    Durante a pandemia da COVID-19, a gente testemunhou a minimização dos perigos da pandemia, o desincentivo ativo ao uso de vacinas, a sabotagem do isolamento social e tentativas de prevaricação na aquisição das próprias vacinas. Também, o fechamento de 27 armazéns e silos públicos da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) e o consequente esvaziamento dos estoques de grãos colocaram o país no centro de uma tragédia social marcada pelo retorno da fome e pela alta descontrolada dos preços dos alimentos.

    A reação dos progressistas diante desse cenário é rápida: aponta-se a “irracionalidade” dessas medidas para defender, em contrapartida, a instalação de um governo supostamente “racional”, técnico e civilizado, que não incorra em tamanhas barbaridades. No entanto, essa interpretação comete um erro analítico fundamental ao ignorar que esses dois lados constitui uma única totalidade engendrada pela essência da sociedade capitalista. O erro é isolar e separar o dois governos, como se não fosse parte de uma totalidade mais ampla.

    A verdade é que, do ponto de vista do capital e do capitalismo subordinado brasileiro, tais atitudes do Bolsonaro não tiveram nada de irracionais. Elas responderam com precisão às exigências de valorização do valor e de manutenção das taxas de lucro da classe dominante.

    A recusa em parar as atividades produtivas e improdutivas e a imposição da continuidade do trabalho presencial durante a pandemia, mesmo ao custo de centenas de milhares de mortes, garantiu a extração ininterrupta de mais-valor, mais-dinheiro e o fluxo de caixa do capital oligopolista e nacional. As mortes de trabalhadores foram tratadas como custos operacionais colaterais e perfeitamente aceitáveis no balanço do capital, expressando o anti-humanismo do mesmo.

    Da mesma forma, a fome e a alta dos preços dos alimentos provocadas pelo desmantelamento dos estoques reguladores da CONAB não foram falhas, mas o resultado perfeito de seu funcionamento. O esvaziamento dos silos transferiu o controle total da oferta de alimentos para o mercado, inflando as margens de lucro do capital agroindustrial de exportação. A miséria de milhões converteu-se diretamente em dividendos para o agronegócio.

    A grande questão que se coloca, portanto, não é se essas medidas foram “insanas”, mas sim: por que tais irracionalidades são permitidas e legitimadas no interior da sociedade? Por qual razão algumas poucas pessoas podem tomar tais decisões e nada ocorre para serem reprimidas? O que de fato consegue ser um obstáculo frente a anarquia da produção e reprodução do capitalismo?

    A resposta reside na própria forma de regularização engendrada pelo modo de produção capitalista. O republicanismo e a democracia burguesa são as formas políticas que permitem que as mais brutais decisões de classe tomem forma jurídica e sejam socialmente legitimadas.

    O ritual das eleições cumpre a função ideológica de relativamente estabilizar a luta de classes e transferir a responsabilidade das decisões estatais para a própria população que votou e escolheu tais governantes quando estes estão apenas expressando interesses da classe burguesa em sua totalidade. Ao depositar o voto nas urnas, o “bom cidadão” atomizado chancela o aparato estatal que, no dia seguinte, administrará a exploração e a violência contra as classes inferiores.

    Atualmente, a presidência foi assumida pelo Partido dos Trabalhadores (PT), mas este governou o país por quase 20 anos. Trata-se de um governo progressista que se sustenta fundamentalmente através do chantagismo político, migalhas neopopulistas, estimulando o medo e o exagero constante da ameaça da extrema-direita para blindar a si mesmo de qualquer crítica radical.

    Entretanto, esse governo progressista não contribui de forma alguma para a superação real do bolsonarismo, outras formas de conservantismo e do conservadorismo. Pelo contrário: ao dar continuidade à gestão do Estado capitalista, ao manter os pilares do Estado neoliberal e ao conciliar com as frações da burguesia, este governo progressista reafirma os limites da irracionalidade burguesa.

    O PT e o Bolsonarismo não são polos antagônicos, mas expressões que se reproduzem reciprocamente. São partes que se relacionam reciprocamente no interior de um todo, que é a democracia burguesa e o interesse de ascensão ao governo do Estado. O desgaste provocado pela gestão das crises por parte do progressismo petista alimenta continuamente o ressentimento e a base social da extrema-direita, que por sua vez serve de espantalho para reeleger a burocracia progressista.

    Apostar as energias militantes na legitimação das eleições burguesas não reprime as irracionalidades geradas pela acumulação de capital. O processo eleitoral apenas escolhe o gerente incumbido de administrar a barbárie capitalista. A única forma de ser um obstáculo real para essa decisões irracionais dos governantes é a luta coletiva e geral. “Ah, mas isso não existe hoje!”, afirmam os defensores do voto aqui. No entanto, a inexistência de um obstáculo real apenas indica que qualquer governante pode tomar qualquer decisão em nome do Capital. E não significa que não devemos lutar agora para conseguir constituir uma força revolucionária real. O desânimo, o pessimismo, a falta de utopia concreta são armas da burguesia e dessa burocracia que tem como interesse manter a exploração e dominação.

    Por essa razão, a única postura coerente diante do circo eleitoral é a negação consciente dessa forma de organização através do voto nulo. O voto nulo rejeita a ilusão de que o Estado e o parlamento possam servir como instrumentos de emancipação humana.

    Contudo, a negação das eleições deve vir acompanhada da afirmação da luta diária, coletiva e direta pela autogestão social. Esta luta deve ser travada coletivamente, impulsionada por revolucionários que não possuem interesses particulares separados dos interesses do conjunto do proletariado revolucionário. A única distinção dos revolucionários reside no fato de serem a fração mais resoluta e internacionalista, capaz de enxergar a totalidade do processo de emancipação da classe proletária.

    Um exemplo concreto dessa luta concretamente (que os empiristas aqui gostam muito de se ter exemplos) é o Movimento Autogestionário (MOVAUT) (o manifesto do movaut pode ser acessado aqui: https://movaut.com.br/manifesto-do-movaut/). Atuando desde o final da década de 1980, o MOVAUT recusa os partidos políticos, o Estado, o capital para se colocar como expressão política e teórica do proletariado revolucionário. Organizado hoje em núcleos por diversos estados do país (como Goiás, São Paulo, Santa Catarina, Paraná e também no Distrito Federal), o coletivo mantém viva a defesa da revolução proletária e da superação do Estado e do capital.

    É imperativo que se multipliquem organizações e coletivos que, a exemplo do MOVAUT (veja, não estou aqui querendo que todos aderem ao MOVAUT, prevejo essa pseudocritica, mas estou dizendo que deve se ter mais iniciativas assim), tomem a auto-organização e a autogestão social não apenas como um objetivo distante, mas como o princípio orientador de toda e qualquer ação presente. Somente fora das urnas e contra o capital será possível construir uma sociedade de produtores livremente associados.

  27. Pra que pesquisar a conjuntura, afinal, se Karl Marx já falou disso há 200 anos? Obrigado, Jardineiro, você esclareceu o meu ponto.

  28. O comentário e os questionamentos do Paulo Henrique deveriam estar no centro de qualquer debate que se proponha sério a esse texto aqui.

  29. Marx expressou teoricamente a essência de uma sociedade na qual ainda vivemos. Ou por acaso vivemos em um mundo onde a exploração de mais-valor e o Estado burguês foram abolidos? Se sim, isso é uma grande novidade da conjuntura que eu não havia percebido. Vocês, que defendem o voto, somente possuem retórica, no final das contas. Defendem algo que historicamente a própria luta proletária já demonstrou ser um equívoco, em 1871 e em 1918. Vocês têm que recorrer ao presentismo, ao conjunturalismo, como forma de ocultar as experiências e teorias que foram produzidas no passado e, assim, não precisarem se fundamentar historicamente ou teoricamente. Se somos impelidos a apelar para o básico, para o ABC da luta revolucionária, é porque vocês impõem essa necessidade, pois, se levassem em consideração o básico, estaríamos discutindo coisas muito mais interessantes.

    Você mesmo, acima, deslegitimou a radicalidade da luta radical afirmando que pensava o mesmo quando era secundarista — um comentário jocoso. A deslegitimação ocorre ao caracterizar a negação do Estado, das eleições e da necessidade da luta como juvenis. E que, consequentemente, com o amadurecimento, tudo isso é ou deveria ser abandonado. No entanto, essa sua tentativa de deslegitimar a luta radical pela revolução proletária apenas revela mais sobre você. Ao se tornar adulto, ao passar pelo seu processo de socialização secundária, você apenas aderiu mais aos valores e interesses que mantêm a sociedade capitalista. Isso me lembra aquela frase: incendiários quando jovens e bombeiros quando adultos.

  30. PESSOAL URGENTE!!!!!! A CAMPANHA TÁ INDO DE BEM A MELHOR!!! EXPLODE ESSE COMENTÁRIO EM SUAS REDES!!!

    ★ a direta, na verdade, é bem legal e é nossa amiga, o problema é o bolsonarismo, que não é direita de verdade;
    ☆ já estamos engordando o fascismo retrô do MBL/Missão que até ontem invadia universidade e ocupações urbanas para bater em esquerdistas;
    ★ já descancelamos o menino do tour de blonde que fez piadinha sobre estupro e já declaramos tesão nele no segundo turno;
    ☆ nosso presida já demonstrou que é favorável a redução da maioridade penal;
    ★ boatos na Folha de São Paulo que Lula pode abdicar para dar lugar a Alckmin, então podemos aposentar a direita sendo nós mesmos a direita;
    ☆ PT do Espírito Santo publicou uma estrelinha vermelha botando um black bloc pra correr, orientando manifestantes a entregar para a PM qualquer pessoa mascarada sob acusação de ser infiltrado bolsonarista, e vários comentaristas reforçam as orientações de cercar supostos vândalos, arrancar máscaras de rostos rebeldes e até combinar de irmos todes de camisa da CBF para retomarmos os símbolos nacionais (façamos nós o 20 de Junho de 2013!).

    Falando sério, galera, parece que o próprio PT está dispensando os votos da esquerda mais radical/autonomista/libertária, pra quê essa polêmica toda em cima do voto ou não-voto? Me parece aqueles fiéis de diversas religiões que brigam entre si mas que se juntam contra quem ousa dizer que não tem fé em coisas sobrenaturais.

    Olê, olê, olê, ô lá
    Anulááááá
    Anulááááá

  31. Aliviano, é bastante triste a realidade em que vivemos e, por isso, devemos nos auto-organizar e lutar radicalmente contra ela. Eu não concordo com a ironia neste caso, pois, durante este governo Lula, por exemplo, foram assassinados, violentados ou deslocados diversos indígenas. Estes, que tiveram suas vidas tiradas durante o governo Lula, apenas ganharam um ministério de fachada e um discurso vazio sobre a defesa de seus interesses. Se você está satisfeito com o discurso vazio, entendo o seu alívio, pois é isso que se teve.

  32. E vocês, já tiraram a foto com camisa verde e amarelo fazendo o L hoje??? Vamos, não podemos perder tempo!! O nacionalismo é nosso e a redução da maioridade penal tambem!!!
    É hora de formar os nossos fascistas contra o fascismo!!!!

  33. É isso aí, Jardineiro! O governo Flávio vai ter um ímpeto ainda maior em ajudar os indígenas e combater o garimpo, talvez essa notícia aí seja fake news do PT né kkkk

    Mas nem tudo são flores, vários deles foram flagrados fazendo o L esses dias. Acho que o Movaut deveria avisá-los de que isso impedirá que eles lutem por seus direitos depois no caso da eleição do Luladrão. O Movaut também vai proteger os indígenas que fizeram o L? Precisam ser convertidos ao voto nulo urgentemente!!

    https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2026/10/04/na-amazonia-indigenas-votam-em-lula-e-se-preocupam-com-o-el-nino.amp.htm

  34. Em uma pesquisa rápida aqui (e que portanto pode conter erros) cheguei aos seguintes números: entre 2019 e 2022, sob governo Bolsonaro, foram mortos um total de 795 indígenas (uma média de cerca de 199 por ano). Em 2023, sob governo Lula, foram 208; em 2024 foram 211; em 2025 foram 258. Um claro aumento, pois as fricções da luta de classes se intensificaram. Mas o Aliviado vem aqui dizer que votar no Lula vai frear esse exacerbamento da luta de classes, o que se expressaria num menor número de mortes de índios. Mesmo que os números mostrem o contrário. No frigir dos ovos, se trata: de um desejo velado pela volta da conciliação de classes, de uma “normalidade” institucional e social, que seria trazida de volta pela reeleição do atual governo. E isso, aliado ao pânico propagado pelo campo governista diante da possibilidade de perder as eleições, produziu esse fenômeno curioso do marxista/anarquista lulista que vemos aqui.

  35. Aqui tem muito a defesa dos “dados”, dos “factos” e isso tem que ser colocado em xeque. Temos o problema de subnotificações de um governo para outro, de metodologias falhas, etc., então, dependendo do método, do governo, isso pode ser ocultado. Lembro de uma frase “apertando direitinho, os dados falam o que você quer”. A grande questão, no fim, não é se em um governo 3 morrem e em outro apenas 2. A grande questão é que morrem.

    E morrem, pois existem condições sociais que possibilitam o assassinato, a violência etc. E votar não contribui nem um milímetro no combate dessas relações sociais que engendram tudo isso. Sempre achei bastante anti-humanista e até um tanto mórbido afirmar como um vitória algum governo ter diminuído a fome, o assassinato, a violência em alguma porcentagem ridícula, quando não aboliu de fato o problema. Imagina esses petistas aqui presente consolando alguém com palavras “é triste essa morte, mas o governo diminuiu esse problema em tantos porcento, então poderia ser pior”. Para mim, essas defesas com “dados” soam dessa maneira.

    No fim, a única coisa concreta é a luta e não depender de um governante para que os interesses humanos se sobressaem em relação ao capital. O voto, neste caso, mobiliza energia para essas questões e acaba desmobilizando a luta real e concreta que poderia de fato ser um obstáculo à esses interesses mesquinhos.

  36. Perguntem pra rapaziada séria de campinas -sp sobre o campo majoritário. Grandes respostas virão.

  37. Boa, Moonwalk! Estava esquecendo dessa ótima ideia:

    ★ para aqueles jovens que não pretendem ingressar em nenhum IF ou UF, teremos um programa para ingresso nas escolas e faculdades do CV ou PCC onde esses jovens terão sua força de trabalho qualificada! Passarão anos por cursos de aperfeiçoamento, capacitação, especialização etc. Podemos até pensar em cotas para candidatos brancos.

  38. O problema quando se analisam dados é desconsiderar todos os fatores que influenciam no resultado daquela informação e criar visões unilaterais, como a de Paulo Henrique. Pior, é não entender o impacto que diferentes políticas de governo têm concretamente sobre a vida das pessoas. A política de Bolsonaro pro campo era de “liberou geral” e “passar a boiada”, como dizia seu ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles. Isso definitivamente teve impacto na vida de indígenas em todo o Brasil, leiam os depoimentos da matéria anterior que mandei para entender melhor.

    Os dados sobre conflitos no campo, proteção dos territórios indígenas e preservação ambiental mostram avanços importantes durante o governo Lula III em comparação com Bolsonaro.

    Segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT), os assassinatos diretamente relacionados a conflitos no campo caíram de 47 em 2022 para 31 em 2023, 13 em 2024 e 26 em 2025. Apesar da alta no último ano, houve redução de 45% em relação a 2022. O número total de conflitos também caiu: foram 1.593 ocorrências em 2025, o menor patamar desde 2018, com redução de 28% em relação a 2024.

    O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) também registra queda nas invasões de terras indígenas: 256 casos em 2019, 263 em 2020, 305 em 2021, 309 em 2022, 276 em 2023, 230 em 2024 e 210 em 2025. Trata-se do menor número desde 2019, uma redução de 32% em relação ao último ano de Bolsonaro.

    Outro avanço importante foi a retomada das demarcações de terras indígenas, paralisadas durante todo o governo Bolsonaro. Enquanto Bolsonaro não homologou nenhuma terra indígena entre 2019 e 2022, Lula homologou 20 territórios desde 2023, abrangendo aproximadamente 2,5 milhões de hectares, além de constituir 31 reservas indígenas.

    Um exemplo expressivo da retomada da fiscalização é a Terra Indígena Yanomami, onde as operações federais de combate ao garimpo reduziram a área de exploração ilegal ativa de 4.570 hectares, em março de 2024, para 269 hectares, em fevereiro de 2025 — uma redução de 94%. Em janeiro de 2026, essa redução já alcançava 98,77%.

    Na Amazônia, a redução do desmatamento foi ainda mais expressiva. Segundo o Inpe, a área desmatada passou de 11.594 km² em 2022 para 9.064 km² em 2023, 6.518 km² em 2024, 5.731 km² em 2025 e uma estimativa de 3.335 km² em 2026. Isso representa uma queda acumulada de 71,2% desde 2022, atingindo o menor desmatamento de toda a série histórica, iniciada em 1988.

    Esses resultados demonstram avanços concretos na fiscalização ambiental, na demarcação de terras e na proteção territorial durante o governo Lula, embora a violência no campo continue grave e os homicídios de indígenas, considerados em geral, tenham aumentado. Não se trata de defender um governo, que merece ser combatido e derrubado sim, mas por nós. Há uma decisão imediata a ser tomada que gerará impactos na vida de toda a população, inclusive de quem se absteve ou votou nulo. Poderá ser a diferença entre comer ou não comer para alguns, ou de morrer ou não para outros. Por isso domingo é 13.

  39. Não adianta ficar aliviado, os próximos anos serão de recrudescimento, ataques e conflitos. O mundo está em chamas mas nosso Aliviado crê que é possível evitar o desastre. Sinto muito, Aliviado. A democracia está nos levando para o buraco, para o conflito aberto, e o papai Lula não salvará dessa vez. Se depender de papai Lula é mais jovem preto fazendo cursinho de tráfico na cadeia ou massacrado na favela, é isso o que o PT vai se tornar cada vez mais. Derrotar o fascismo para construir o nosso próprio fascismo!
    A “decisão imediata” não será decidida no domingo, ela já foi decidida, e o desespero de vocês que tão fazendo propaganda aberto pro PT aqui é porque a democracia não correspondeu com seus anseios e tentam agora levar aquela parcela que sempre criticou esse processo e a fascistizaçào cada vez maior da sociedade. Vocês agora participam dessa fascistização e batem palmas, riem, se fingem de “soldados”, obedecem cegamente as ordens, tiram fotos patéticas com a camisa da seleção brasileira para “retomar os simbolos que ‘eles’ nos roubaram”. E viva o nacionalismo!
    O pior de tudo é que não vai servir para nada, vocês só estão sendo patéticos e desesperados. Vamos todos nós para o buraco, contenha-se com isso. E quando a real bater, quando o resultado chegar e vocês perceberem que todo esse circo de vira voto foi em vão, que vocês estão em desespero, alucinados e histéricos para fazer em 2 semanas o que não fizeram a vida toda de vocês, o que farão? O que você vai fazer quando o Flávio vencer na próxima semana? Vai xingar os pobres burros? Vai embora do Brasil? Vai ficar chorando em casa? Vai culpar os anarquistas, os voto nulo? Vai culpar a si mesmo?

  40. Dobra temporal: 1989 e 2026

    1989… 1989! Não me saía da cabeça. Aquela eleição, aquele 2° turno, aquela última semana. Tudo parecia tão perto… e tão longínquo se tornou. Tanto que nunca mais nos aproximamos.

    Todas as lutas nascidas desde 1977 se encontraram num estuário para então desembocarem. Em 1989. Meu primeiro voto. Pra fazer brilhar nossa estrela. Com o vermelho pulsante, encharcado pelo sangue das lutas por libertação. Em 1989. As veias abertas. Uma ferida nunca cicatrizada. Tudo que poderia ter sido… e ainda não é.

    Hoje o tempo se retorce, contorcendo-se até formar uma dobra. 1989 e 2026 estão contíguos. Agora. Tão longe… e tão próximos se tornaram. Agora. Aquilo tudo retornou. Já não é o mesmo… Mas como não reconhecer as semelhanças históricas? Tudo volta. Insiste em reaparecer. Recomeçar, mesmo sem haver terminado.

    Ergo o braço. Minha mão se move para pegar a cédula. Estico o dedo indicador em direção à máquina. Em minha mente borbulha fervendo o sempre necessário debate político: a via eleitoral-institucional é secundária frente a organização autônoma pela base. Sendo assim, ainda é uma excelente oportunidade de ação política e não deve ser desperdiçada.

    O que acontecera naquela última semana do 2° turno das Eleições de 1989? O que fizera Lula perder o chão tão vergonhosamente?

    O aborto, jamais concretizado? A pasta rosa, nunca aberta? Ameaças e chantagens, até hoje não reveladas?

    Ou a certeza de um mandato convulsionado pela Luta de Classes? No qual o único caminho seria seguir avançando com a luta. Um governo atravessado pela confluência de toda a História de um Povo que Luta.

    Uma conjuntura com uma margem muito estreita para acordos. Exato como agora se apresenta.

    Talvez em 1989 a possibilidade objetiva de um recuo estratégico tenha sido determinante. E o enfrentamento foi substituído pela conciliação. Um retrocesso perdurando por 37 anos. Até agora. Mas como recuar frente ao rolo compressor do Bolsonarismo?

    Agora a direção estava tão encurralada quanto nós. E as forças da destruição e da morte e as forças da criação e da Vida se enfrentavam à flor da pele. A nossa pele.

    O que acontecera naquele 2° turno das Eleições de 2026? O que fizera o Povo que Luta sair às ruas tão decididamente?

    Há muito e muito tempo não se manifestava tamanho Desejo de transformação. Quando fora a última vez? Junho de 2013. Junto com a irrupção súbita dos estudantes, Junho de 2013 estava agora presente, novamente. Junho de 2013, quando também o Povo que Luta se materializou sem atender a nenhuma convocação, a não ser a dele própria.

    Estou na cabine de votação. Ressoam as palavras de Lula no último comício da campanha de 1989, na Candelária no Rio de Janeiro:
    《Antes de sair pra votar, a gente vai olhar na cara das pessoas que a gente ama. E dizer: “Eu quero um outro país! Eu juro que eu quero um outro país. E o país que eu quero não será construído por alguém que seja diferente de mim. O Brasil que eu quero vai ser construído por pessoas iguais a mim.” A gente não vai apenas votar, gente. Nós vamos lavar a nossa alma! Nós vamos fazer com que a nossa alma seja lavada!》

    Deposito meu voto na urna. Vou apertar a tecla verde. Meu segundo voto. 37 anos depois. Um repentino clarão lampeja no canto de meu olho esquerdo. É o brilho intenso da estrela da revolta a não me deixar esquecer. “Vote! Mas sem a luta, tudo o mais é inútil.”

    Pressiono a tecla. Não para votar. Mas para que 2026 se funda com 1989. E o futuro possa nascer.

  41. “O que você vai fazer quando o Flávio vencer na próxima semana?”

    Vou continuar lutando, como sempre lutei. Se quiser tentar me barrar depois por não ter a pulserinha do voto nulo, tenta sorte!

  42. Chorão foi cirúrgico no comentário acima! E inclusive eu acho que essas fotos desses novos petistas em desepsero fazendo L com as mãos vestindo camisa verde e amarelo entrará na memória coletiva como vergonhoso que nem foi aquele “somos todos macacos”, postando foto com banana.

  43. Calma, chorão. Ninguém vai culpar os anrquistas, voto nulo, nem a ti, fique calmo. Simplesmente porque são grupúsculos irrelevantes. Vamos todos para o buraco, inclusive os irrelevantes e toda sua irrelevância.

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