Por Davi
As eleições de 2026 foram o acontecimento político mais importante dos últimos 4 anos e marcam o início de um novo período histórico no Brasil do ponto de vista das lutas sociais. Depois de todos serem surpreendidos com os resultados do primeiro turno, que favoreceram enormemente a extrema-direita, obtendo maioria no Congresso e nos executivos estaduais, houve uma ampla mobilização popular em rechaço à possibilidade de eleição de Flávio Bolsonaro. Isso culminou na primeira virada de uma disputa presidencial em segundo turno, contra todos os prognósticos de favoritismo dos institutos de pesquisas e analistas políticos. Essa virada pode ser resumida em um motivo: a mobilização da classe trabalhadora brasileira.
Bolsonarismo e petismo
Nas últimas décadas, a esquerda radical em geral realizou um movimento de distanciamento do PT, visto como o partido hegemônico da ordem capitalista e conciliador de classes. Em sua primeira década de governo, o Brasil passou por profundas mudanças no que se refere ao crescimento econômico, integração no comércio global, estabilidade cambial, investimentos em infraestrutura, acesso ao crédito, diminuição da mortalidade infantil, aumento da cobertura vacinal, crescimento do emprego formal e poder de compra. Ao mesmo tempo, a informalidade no trabalho continuou elevada, o encarceramento e os índices de homicídios aumentaram, assim como a repressão e letalidade policial. Fatores crônicos de precariedade no acesso a direitos sociais não foram resolvidos enquanto dirigentes partidários enriqueciam e casos de corrupção aumentavam. Há diversos outros elementos que poderiam ser citados, tanto no aspecto de melhoria do padrão de vida quanto na continuidade de problemas sociais, mas não vou me estender, pois isso já foi tratado de forma detalhada em diversos artigos e é de fácil acesso para quem quer pesquisar.
As contradições ficaram escancaradas após as revoltas populares de junho de 2013, iniciadas pelo Movimento Passe Livre, em que uma energia de rebelião e descontentamento com a carestia dos transportes públicos paralisou as grandes cidades brasileiras, ultrapassando até a própria vanguarda autonomista do movimento e conquistando a redução das tarifas em dezenas de cidades. Ali “um Brasil se descobria”, como me recordo de um dos vídeos da época, e a população começou a se interessar mais por política, seja de esquerda ou de direita. O artigo A Revolta dos Coxinhas resume a ambiguidade da vitória popular, em que elementos radicais da extrema-direita começam a tomar a direção de alguns grupos de manifestantes e gerar forte desconforto na esquerda. Logo o PT assume a narrativa de que aquilo se tratava de uma conspiração de agentes estrangeiros da direita, apostando na negação do caráter proletário daquelas lutas.
Desde então sabemos bem o que ocorreu. Surge o Movimento Brasil Livre, emulando o nome do MPL. O impeachment de Dilma acontece em 2016, após manifestações multitudinárias. Surge Bolsonaro, que é eleito em 2018, no que era um claro momento de refluxo dos movimentos sociais e ascensão de organizações fascistas. Há um período grande de medo e incerteza durante os anos de 2018-2022, com a pandemia e a morte evitável de centenas de milhares de pessoas, até chegarmos no governo Lula 3 que representou a resistência institucional ao bolsonarismo e seu projeto ditatorial. No meio disso, ocorreram outros movimentos populares que merecem destaque: as vitoriosas greves dos garis do Rio de Janeiro de 2014 e 2015, as ocupações de escola no Brasil em 2015 e 2016, a greve dos caminhoneiros de 2018 (que foi um prenúncio da captura da revolta pelo bolsonarismo) e a greve dos entregadores de aplicativo de 2020.
O governo Lula 3 surge num momento de refluxo da mobilização popular. Os trabalhadores ficaram contidos pelo medo da repressão de Bolsonaro e do contágio na pandemia, algo que fortaleceu a posição de Lula como alternativa institucional ao bolsonarismo, prometendo um mínimo de estabilidade na democracia burguesa, além de cumprir preceitos básicos de políticas públicas. Um exemplo dessa posição é de que quase não houve mobilização popular para impedir a tentativa de golpe de 2022, em que após a eleição, bolsonaristas iniciaram um movimento de bloqueio de rodovias federais que paralisou as estradas brasileiras por alguns dias na semana do 31 de outubro, chegando a mais de 300 pontos de bloqueio, afetando voos internacionais e contando com apoio das forças de segurança. Em pouco tempo, Bolsonaro pediu para que seus apoiadores saíssem das estradas e fizessem acampamentos nos quartéis do exército, até culminar na catarse coletiva que foi o 8 de janeiro de 2023.
O governo Lula 3 nasce, portanto, num momento de alta incerteza e polarização política. A grande burguesia fez oposição ao seu mandato durante quase todo o seu governo pela sua recusa de realizar grandes cortes nas despesas do Estado para diminuir o déficit fiscal, o que na visão dela faria com que a taxa de juros abaixasse e a inflação entrasse em controle. Apesar disso, houveram alguns bons indicadores econômicos do ponto de vista da classe trabalhadora, como a mínima histórica da taxa de desemprego, crescimento do emprego formal, crescimento da massa salarial, crescimento geral dos salários acima da inflação. Mas, claro, partindo de uma situação em que metade dos brasileiros possuem renda domiciliar per capita abaixo de R$ 1.500 e 80% estão abaixo de R$ 3.000, segundo dados do IBGE.
Fato é que, assim como no período de 2018-2022, de 2023 a 2026 a maioria da classe trabalhadora ainda viveu em modo de sobrevivência, incluindo vários dos jovens que participaram em movimentos sociais no início da década de 2010 e que agora começam a estar mais estabelecidos dentro do mercado de trabalho. Nesse governo Lula 3, o espírito foi de “normalização” das rotinas de exploração e procura por pontos de estabilidade, algo que reflete o relativamente alto crescimento econômico que tivemos e a diminuição do desemprego. Vivemos em uma sociedade plenamente voltada para fazer a máquina capitalista girar.
Do ponto de vista proletário, talvez o evento mais significativo desse período tenha sido a denúncia feita por redes sociais do jovem Rick Azevedo em 2023 contra a rotina de trabalho da escala 6×1, algo que comoveu o Brasil, gerou um movimento chamado Vida Além do Trabalho, fez com que ele ganhasse o cargo de vereador no Rio de Janeiro em 2024 e agora a eleição para deputado federal em 2026. O instrumento de pressão para que essa pauta fosse alcançada na eleição presidencial de 2026 foi menos uma ação direta no mundo real e mais uma denúncia coletiva no mundo virtual, algo que pode ser visto como uma medida de recuperação dos conflitos que integra redes sociais e a política institucional hoje em dia. Tudo isso corrobora o argumento de que não vivemos nesse período uma ascensão dos movimentos populares e da ação direta. Abaixo o gráfico do número de greves no Brasil como ilustração adicional.
Nesse marasmo, não houve muito entusiasmo por parte da esquerda com o governo Lula 3, algo que foi uma oportunidade para “webcomunistas” crescerem e também se elegerem em 2026, como Jones Manoel e Humberto Matos.
A derrota em 2022 também fez com que a extrema-direita entrasse em refluxo por conta das consequências da perseguição aos golpistas e a prisão de Jair Bolsonaro. Mesmo assim, no mundo virtual, o MBL (agora Missão) e influencers bolsonaristas capitalizaram no ataque aos jovens de esquerda, seja na rua ou em universidades públicas. Também capitalizaram nos discursos de protesto ao governo Lula, culpando-o pela alta do custo de vida. Foi nesse período que se popularizaram os debates em podcasts no YouTube entre influencers de direita e esquerda.
Esse clima de apatia mudou após o resultado do primeiro turno de 2026.
A luta contra Flávio Bolsonaro
Após o resultado, o clima de medo que ocorreu na eleição de 2018 voltou para a esquerda. Uma catástrofe iria acontecer, onde o filho do presidente que tentou dar um golpe e matou milhares na pandemia era o favorito e contaria com grande favorecimento em todas as esferas do Estado. O projeto da direita que ascendeu é o ódio e a eliminação da esquerda, o avanço do ajuste fiscal, o crescimento da repressão policial e paramilitar, a violência no campo e a perda de direitos trabalhistas.
Um dia após o resultado do primeiro turno, em 5 de outubro, estudantes da UFF de Niterói (RJ) tomaram as ruas e iniciaram a mobilização popular contra a eleição de Flávio Bolsonaro.
Diversos influencers e grupos de diferentes correntes de esquerda aderiram ao chamado para mobilização e voto em Lula. A ideia foi criar uma frente ampla pela democracia e compartilhar ao máximo conteúdos críticos a Flávio Bolsonaro, além de ações sincronizadas em redes sociais, a fim de impulsionar seu alcance pelos algoritmos de visibilidade.
No dia 7 de outubro, milhares de estudantes e trabalhadores marcham da Candelária até a Cinelândia, no Rio de Janeiro. Também ocorreram manifestações em Salvador, Porto Alegre e Goiânia. No 8 de outubro, houveram manifestações em pelo menos 13 estados, incluindo São Paulo, Paraná, Bahia, Ceará e Distrito Federal. Dia 9 de outubro, atos em universidades de pelo menos oito estados. 11 de outubro, centenas de milhares de pessoas na manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo, com participação de Lula. 12 de outubro, manifestação em Copacabana ocupa aproximadamente sete quarteirões da Avenida Atlântica. Também ocorrem atos em outras capitais. 13 de outubro: manifestantes ocupam a Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Em São Paulo, ocorre o Ato da Virada, no Largo da Batata. 14 de outubro, o Senado aprova o fim da escala 6×1. Atos ocorrem em Goiânia, Recife e São Luís, além de assembleias estudantis em São Paulo.

Entre 15 e 17 de outubro: atos em Florianópolis, São Gonçalo, Niterói, Ribeirão Preto, Mogi das Cruzes, Lagarto, Curitiba, Ponta Grossa, Colombo, Curitiba, Campinas, São Paulo, Sorocaba e Santos. 18 de outubro: pela manhã, um grupo independente do PT organiza um ato no Largo da Batata em São Paulo, após o partido tentar desmobilizar o encontro. Ocorrem atos em mais de 100 cidades brasileiras e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil convoca uma mobilização nacional pela reeleição de Lula. 19 de outubro: Porto Alegre registra um dos maiores atos de sua história. Indígenas dos povos Yanomami e Ye’kwana, da maior terra indígena do Brasil, lançam uma carta aberta: não nos deixem morrer com a eleição de Flávio Bolsonaro. Ameaças de garimpeiros contra indígenas e incêndios explodem na Amazônia após o primeiro turno. Entre 20 e 23 de outubro, centenas de atos populares são organizados em todo o país.

Dia 24, véspera da eleição, mobilização popular culminou em manifestações multitudinárias no Rio de Janeiro e em São Paulo. Eu estive no ato em São Paulo e digo que foi um dos maiores atos que fui na minha vida. Mais tarde, no mesmo dia, fui num bairro popular panfletar um material feito por um colega autonomista contra Flávio Bolsonaro, sem apologia à Lula e com um chamado à mobilização popular. Meu objetivo não era virar o voto de ninguém, apenas trazer uma visão crítica acerca do candidato e da política institucional. Dialoguei com um senhor que votaria no Flávio para que ele conhecesse melhor o histórico do seu candidato. Mesmo não tendo convertido seu voto, chegamos à conclusão de que, caso ele vencesse, deveria ser cobrado pelos trabalhadores, assim como Lula. Um rapaz de 16 anos veio falar comigo e com meu colega, dizendo que estava começando a conhecer mais sobre política agora e muito interessado em se mobilizar. Ele me lembrou eu mesmo quando iniciei a militância na mesma idade em junho de 2013. A maioria dos nossos jovens colegas que estavam na ação de panfletagem participavam pela primeira vez numa ação política e comentaram que queriam continuar se envolvendo após a eleição. Algumas pessoas vieram espontaneamente conversar conosco, senti uma grande disposição de conversar.
Dia 25 de outubro: prefeituras ligadas ao bolsonarismo removem o transporte público necessário para realizar a eleição em 27 cidades do Brasil, que concentram 10% do eleitorado, numa tentativa de dificultar que eleitores pobres de Lula cheguem aos locais de votação. A denúncia do golpe em curso é seguida por uma série de protestos em redes sociais, ações na Justiça e se inicia um movimento espontâneo de caronas em pontos de ônibus para eleitores. Guardadas as devidas diferenças, lembrei-me das patrulhas anti-ICE que ocorreram em Minneapolis este ano, em que pessoas comuns espontaneamente se auto-organizaram e pegaram seus carros para patrulhar onde estavam integrantes do ICE e denunciá-los. Mais tarde e depois de grande pressão popular, o STF determina pela primeira vez na história a prorrogação da eleição até às 19h, algo que não foi seguido na grande maioria das urnas. Pessoas começam a ir até os locais de votação para fiscalizar e verificaram que a decisão não estava sendo descumprida.
Fim do dia 25, contra o poder econômico que apostava na vitória de Flávio, contra as redes sociais trumpistas, contra as ameaças de garimpeiros aos indígenas, contra os ataques vindos de bolsonaristas, contra os resultados das pesquisas e favoritismo de Flávio, contra a sabotagem no transporte, e apesar do próprio PT, a classe trabalhadora brasileira elege Lula presidente do Brasil pela quarta vez, com o menor valor histórico de abstenções, votos brancos e nulos numa eleição presidencial.
Aprendizados e reflexões
Essas semanas de tirar o fôlego mostraram que existia sim uma grande energia sendo represada, esmagada por uma sociedade voltada exclusivamente para o trabalho, onde tanto o lazer, o dinheiro e os laços sociais são escassos. Pudemos sentir novamente uma coletividade com um objeto emancipatório em comum, ainda que frágil e dentro dos limites da institucionalidade burguesa. O fim da escala 6×1 é a maior conquista trabalhista em décadas e mostra uma nova dinâmica de recuperação dos conflitos, que combina com uma tendência de outros países no continente americano em diminuir as jornadas de trabalho. Já se fala muito inclusive em implantação de escala 4×3 em algumas categorias de trabalhadores, o que poderia ser uma nova pauta de classe a ser encampada.
Em um importante artigo, João Bernado diz que “em qualquer luta importa mais a forma de organização dos participantes do que o conteúdo ideológico inicial. A tomada de consciência faz-se através da possibilidade que cada pessoa tiver de colaborar na condução prática da luta, sem se limitar a ouvir doutrinas ensinadas por outros”.
Na luta contra Flávio Bolsonaro, pudemos ver tanto elementos de uma luta coletiva passiva, no caso das pessoas que estavam seguindo influencers como o político Janones, quanto de lutas coletivas ativas, como na iniciativa que pequenos grupos independentes tiveram em criar materiais próprios, fazer passeatas e ajudar com caronas e fiscalização das urnas. É uma ambivalência que perdurou durante essas semanas e pode continuar após a definição da eleição. Contudo, continuando com a citação do artigo:
“A aprendizagem ideológica só é criativa quando ajuda a conceptualizar experiências já adquiridas ou em vias de aquisição; e quanto mais profundamente vividas forem essas experiências tanto mais longe se pode levar a aprendizagem ideológica. É a luta o fundamento e o principal motor desta pedagogia, e a autonomia ou se aprende a partir de uma base prática ou não se aprende.”
Daí podemos entender que há oportunidades de aproveitar a energia e os eventos que ocorreram para dialogar com uma parcela muito mais ampla da sociedade do que aquela na qual a esquerda radical se confinou. Houve uma experiência de luta, ainda que com objetivos limitados e reformistas, que praticamente todos os brasileiros viveram em grande intensidade nas últimas semanas. As pessoas estão falando muito mais sobre política nesse momento e está aparecendo disposição para um diálogo que de certa maneira pode favorecer a esquerda radical. Até mesmo os eleitores do Flávio não demonstraram o entusiasmo que se viu com a candidatura de Jair Bolsonaro em 2018, parecia que não existia campanha e quase ninguém saia em sua defesa, os votos no Flávio eram em grande maioria “frouxos”. Assim como sem uma grande parcela de “votos críticos”, Lula não teria sido capaz de virar a eleição. Inclusive, a maioria dos meus colegas que participaram de lutas “autônomas” também esteve envolvido em maior ou menor grau nesta mobilização.
Estamos agora em um novo período histórico: Flávio fugiu para os EUA, vacilando em se autoproclamar presidente do Brasil e alegar fraude nas urnas, seguindo os passos golpistas do seu pai. Parece se encontrar isolado politicamente.
Há um movimento de políticos e patrões para perseguir e demitir “petistas” e também está havendo grande indignação popular contra isso, com diversos relatos de trabalhadores sendo demitidos por motivação política. Essa frente poderia ser uma forma de elevar a contradição entre trabalhadores e patrões neste momento, resgatando a independência de classe.
Indígenas ainda estão sendo ameaçados e mortos no Brasil por motivos políticos, há um pedido de suas articulações nacionais por sua defesa que está ganhando espaço. Em resposta ao “exército do Lula”, criaram o “exército dos povos indígenas”.
Ainda há um grande sentimento de indignação contra as prefeituras e governos que tentaram dar um golpe nas eleições e sabotar os transportes públicos. Diversos atos estão sendo marcados no Brasil. Em Salvador e São Paulo, manifestantes foram às ruas pedir a renúncia dos prefeitos por tentativa de golpe.
Lula está em seu último mandato e não há sucessor à altura para 2030. Governará com forças políticas que tentarão a todo custo desestabilizar seu governo. Isso pode complicar manter a independência de classe, pois muitos dos seus eleitores sairão em sua defesa. Assim como muitas das pessoas que não eram organizadas, estavam desorientadas e encontraram em Janones uma figura de referência, podem permanecer seguindo sua liderança, o que também prejudica a independência de classe de futuras mobilizações. Além, é claro, da problemática mistura de elementos nacionalistas e ufanistas que também marcou a campanha.
Entretanto, entendo que a situação que nos encontramos não é culpa do PT, nem de Bolsonaro ou qualquer político. É de todos nós enquanto classe trabalhadora, que não fomos capazes de superar o limite histórico de construção de movimentos independentes e lutas nos locais de trabalho, nessa realidade de sucessivas crises do primeiro quarto do século XXI. A burocratização é um fenômeno que começa na base. Mas vejam o que está ocorrendo no mundo e o que ocorreu no Brasil! Existe um clima de mobilização e revolta por contágio, saindo de maneira caótica, mas que possui elementos que podem sim ser aproveitados como matéria prima para a construção de um novo ciclo de lutas, novas articulações e relações sociais. Alguns preferem fechar os olhos para isso e esperar um “melhor momento”, olhando com desprezo os “ingênuos” que se mobilizaram. Eu fico com o que disse o poeta Carlos Drummond de Andrade:
“O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente.”
A arte de destaque é de autoria de Francis Gruber (1912-1948).






