200.000 manifestantes em Lisboa: «Mais Emprego com Direitos!»

200.000 manifestantes em Lisboa: «Mais Emprego com Direitos!»

em 18 mar

A maior manifestação desde há muitos anos, contra os despedimentos e a precarização do trabalho. Convocada pela central sindical CGTP. Os governantes desviam a conversa para o plano das relações políticas formais. Falta-lhes que esse protesto formal se materialize nas empresas e nos bairros.

Respondendo ao apelo da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses – Intersindical Nacional (CGTP-IN) cerca de 200 mil trabalhadores desfilaram, na passada sexta-feira dia 13, em Lisboa.

f090318_manif200000dest5Esta manifestação, considerada uma das maiores desde a Revolução de Abril, de 74/75, reflectiu a profunda revolta dos trabalhadores portugueses, que estão a ser duramente atingidos pela crise capitalista global e pela continuada ofensiva neoliberal do patronato e do seu governo, do Partido Socialista (PS).

Portugal assiste a um processo avassalador de encerramentos de fábricas e empresas, lay-offs, salários em atraso, congelamentos salariais. Só nos dois primeiros meses de 2009, mais 70.000 trabalhadores inscreveram-se nos Centros de Emprego e muitos milhares de precários e a “recibos verdes” [recibos de cor verde, originalmente instituídos para os honorários das profissões liberais, que se generalizaram a todo o tipo de trabalho com a precarização] viram-se no desemprego sem qualquer espécie de apoio social devido às alterações na atribuição do subsídio de desemprego aprovadas pela maioria parlamentar do PS.

Muitas centenas de encerramentos de empresas são consideradas pelos próprios organismos oficiais como manifestamente ilegais. Um caso exemplar foi o despedimento de cerca de 200 trabalhadores de uma empresa corticeira do grupo Amorim, um dos bilionários referidos pela revista Forbes e líder mundial do sector da cortiça, que invocou “previsíveis quebras de lucro” – não prejuízos, note-se, apenas quebra de lucros – para of090318_manif200000dest2 despedimento desses trabalhadores.

Ao mesmo tempo que a economia portuguesa se afunda, o partido governante impõe leis laborais, quer no sector privado – Código do Trabalho -, quer no sector público – Lei 59/2008 – que visam a total flexibilização dos despedimentos, restrições à liberdade sindical, a abertura de despedimentos da Administração Pública, a privatização de serviços públicos, etc.

É neste contexto que esta manifestação demonstra o potencial da acção colectiva dos trabalhadores. Pelas ruas de Lisboa desfilaram milhares de trabalhadores despedidos, com salários em atraso, em luta pelo direito à negociação colectiva sistematicamente bloqueada pelo patronato e pelo governo, jovens precários, etc.

Esta acção foi preparada com dezenas de milhares de plenários, reuniões, visitas a empresas, distribuições de propaganda e, acima de tudo, pela resistência dos trabalhadores nas lutas quotidianas, tendo sido contactadas muitas centenas de milhares de trabalhadores.

O governo e seus porta-vozes, contudo, respondem com a arrogância habitual quando se trata dos trabalhadores, em contraste com a subserviência que manifestam ao patronato e às suas instituições.

Assim, o Ministro do Trabalho e da Segurança Social, Vieira da Silva, ainda durante a manifestação, dizia que “não se impressionava com os números”. António Vitorino, na sua “conversa em família” semanal na RTP, comenta: “era o que mais faltava o Governo ceder à gritaria da rua”. E Sócrates [primeiro-ministrf090318_manif200000dest3o] tem-se desdobrado em declarações acusando “o PCP [Partido Comunista Português] e o BE [Bloco de Esquerda, com 8 deputados, 6% dos votos, quarto partido mais votado] de manipularem a CGTP com objectivos partidários”, a CGTP de recorrer ao “insulto pessoal” e dando a UGT [central sindical da direita] como exemplo de um “sindicalismo responsável”.

Obviamente que os líderes partidários e a CGTP já deram resposta a José Sócrates. Mas a verdadeira resposta terá de ser dada pelos trabalhadores.

Para já, a CGTP aponta para a acção de massas em defesa do emprego e dos direitos laborais, estando já previstas algumas acções (que publicamos na secção Eventos). O reforço da unidade, da combatividade e da solidariedade entre os trabalhadores – no activo, desempregados, imigrantes e sectores pobres – depende da sua capacidade para se auto-organizarem em pequenas e grandes acções de resistência, nas empresas e nas ruas, que lhes permitam ganhar experiência e vontade e alargar o movimento social. Passa Palavra

Fotos de Gentil Rocha


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