Por Asad Haider e Salar Mohandesi

Clique aqui para ler toda a série

Ciência e Estratégia: o Operaísmo

A influência de Castoriadis, Lefort, Mothé e outros do Socialisme ou Barbarie era bem visível na Itália do começo dos anos 1960. Toni Negri, por exemplo, relembra como o Socialisme ou Barbarie, “o jornal que Cornelius Castoriadis e Claude Lefort publicavam em Paris”, se tornou “meu pão de cada dia naquele período”.[1]

Relações diretas, na verdade, já tinham sido estabelecidas. Em 1954, Danilo Montaldi, que anteriormente tinha sido expulso do Partido Comunista Italiano (PCI), traduziu “The American Worker”, não do original em inglês, mas das traduções francesas que apareceram no Socialisme ou Barbarie. Ele viajou para Paris naquele ano, encontrando os militantes do Socialisme ou Barbarie e iniciando uma troca com ninguém menos que Daniel Mothé, cujo diário ele traduziria mais tarde para o italiano. Montaldi manteria essas conexões retornando a Paris em 1957, e de novo em 1960, para fortalecer laços com Castoriadis, Lefort, Edgar Morin, entre outros.[2]

Montaldi não apenas cumpriu um papel indispensável na transmissão das ideias do Socialisme ou Barbarie no contexto italiano, ele as colocou em prática, conduzindo seu próprio tipo de enquete operária. Essas investigações praticamente sem precedentes, que se baseavam numa pluralidade de métodos, da enquete narrativa à sociológica e à história oral, resultaram numa série de publicações altamente influentes: “Milan, Korea”, uma enquete sobre imigrantes do Sul vivendo em Milão, Autobiografie della leggera [“Autobiografias da Leggera”; Nota do Passa Palavra: “Leggera” é uma gíria italiana para se referir aos socialmente marginalizados] e, por fim, Militanti politici di base [“Militantes Políticos de Base”].

Montaldi propôs um modo inteiramente novo de ver as coisas. O objetivo da enquete era revelar as lutas cotidianas da classe trabalhadora, independentemente de todas as instituições oficiais que diziam representá-la. No entanto, como Sergio Bologna relembra, as cuidadosas histórias de Montaldi rejeitavam tributos míticos à espontaneidade, optando ao invés disso por ricas descrições de “microssistemas de luta”, as culturas políticas de resistência que faziam movimentos aparentemente espontâneos possíveis.[3] Esse novo foco em redes ocultas e histórias obscurecidas teria ramificações tremendas.

Para além de suas próprias investigações, Montaldi organizou um grupo em Cremona chamado Gruppo di Unità Proletaria. Em atividade entre 1957-1962, ele juntou um número de jovens militantes, todos unidos por seus desejos de descobrir a classe trabalhadora como ela realmente era, para além do mundo frígido das fichas partidárias. Um desses jovens militantes era Romano Alquati.

Alquati, formado como um sociólogo, seria uma figura pivô na formação do jornal Quaderni Rossi (“Cadernos Vermelhos”), o encontro inicial de militantes heterodoxos do Partido Socialista Italiano e do Partido Comunista Italiano que fundariam o operaismo, ou “operaísmo”. Os Quaderni Rossi começaram com um debate sobre a sociologia, cujo uso pelos patrões tinha produzido novas formas de gestão do trabalho e disciplina, mas também tinha gerado informações incalculáveis sobre o processo de trabalho. Enquanto uma apropriação marxista crítica da sociologia estava na agenda, sua relação com a enquete operária de Montaldi não era inteiramente clara. Alguns nos Quaderni Rossi– a facção “sociologista” em torno de Vittorio Rieser – acreditavam que essa nova ciência, apesar de associada com a acadêmicos burgueses, poderia ser usado como uma base para a renovação das instituições do movimento operário. Outros, incluindo Alquati, acham que a sociologia apenas poderia ser, na melhor das hipóteses, um passo inicial para uma colaboração militante entre pesquisadores e trabalhadores, uma nova forma de conhecimento que seria caracterizada como “copesquisa”.[4]

As enquetes de Alquati se provariam fundamentais no desenvolvimento da análise econômica operaísta. Steve Wright traçou brilhantemente uma ruptura que pode ser observada entre “Relato sobre as ‘Novas Forças’” de Alquati, um estudo sobre a FIAT publicado na primeira edição dos Quaderni Rossi em 1961, e o estudo de 1962 sobre a Olivetti. No primeiro texto, juntamente com os outros dois publicados naquele ano sobre a FIAT, Alquati opera, de forma interessante, dentro da problemática estabelecida no Socialisme ou Barbarie.[5] As “novas forças” na FIAT eram gerações mais jovens, trazidas para trabalhar no maquinário recém instalado que havia tornado obsoleta a qualificação de profissionais mais experientes. A administração impôs hierarquias dentro da força de trabalho – uma divisão do trabalho separando técnicos e trabalhadores qualificados da maioria, juntamente com escalas de pagamento devidas. Mas esse processo de racionalização estava sujeito à irracionalidade contraditória que Castoriadis descreveu; e isso deu lugar a formas de “organização invisíveis”, resultantes do fato de que a administração era forçada a dar responsabilidade aos executantes enquanto ao mesmo tempo tentava reprimir seu controle. Alquati também tirou conclusões políticas que lembram as de seus precursores franceses: os trabalhadores não estavam convencidos pelo reformismo do movimento operário oficial e, ao invés disso, expressavam interesse na gestão operária e num fim para o processo de trabalho alienante.

Juntamente com o texto de Alquati na edição inaugural dos Quaderni Rossi, Ranziero Panzieri, o fundador da revista, publicou um artigo bem influente chamado “The Capitalist Use of Machinery: Marx Against the Objectivists” [“O Uso Capitalista das Máquinas: Marx Contra os Objetivistas”*]. Escrito após o “Relato” de Alquati, ele refletia sobre os temas levantados por Alquati, referindo-se a todo momento aos trabalhadores “estudados na presente edição dos Quaderni Rossi”, enquanto estabelecia um novo quadro. Panzieri, que não apenas tinha escrito a introdução para a edição italiana do diário de Mothé, mas que também era o tradutor italiano do segundo volume do Capital, não estava preparado para deixar a linguagem de Marx em troca da de diretores e executantes:

O trabalhador, enquanto proprietário e vendedor de sua força de trabalho, entra em relação com o capital apenas como indivíduo; a cooperação, o relacionamento mútuo entre trabalhadores, apenas começa com o processo de trabalho, mas até lá eles deixam de pertencer a si mesmos. Ao entrar no processo de trabalho eles são incorporados no capital.[6]

Para Panzieri, o meio pelo qual essa incorporação ocorre é o maquinário, na passagem da manufatura para o nível desenvolvido da indústria de grande escala. Citando a observação de Marx de que na fábrica capitalista “a automação em si mesma é o sujeito e os trabalhadores meros órgãos conscientes”, o alvo de Panzieri era o entusiasmo da burocracia do trabalho pelo desenvolvimento tecnológico.[7] De acordo com essa posição ortodoxa, o desenvolvimento tecnológico representava uma força trans-histórica, determinando o movimento progressivo que atravessa modos de produção. Para encurtar o caminho italiano ao socialismo, o trabalhador italiano teria que se submeter à automação nas fábricas automotivas.[8]

É significativo que enquanto Panzieri fez várias observações históricas semelhantes às de Castoriadis, ele as defendeu como descobertas internas à teoria de Marx. O mesmo se passou com o aumento no padrão de vida. De acordo com Panzieri, “Marx previu um incremento não só no salário nominal, mas também no salário real”: “quanto mais rápido é o crescimento do capital, mais a situação material da classe trabalhadora melhora. E quanto mais o salário é ligado ao crescimento do capital, mais direta se torna a dependência do trabalho sobre o capital”.[9] Por essa razão, embora agora concordando com Castoriadis, Panzieri considerou as lutas salariais uma função da incorporação burocrática do trabalho no capital realizada pelos sindicatos; somente atacando diretamente o controle do capital e substituindo-o pelo controle operário é que a racionalidade tecnológica poderia ser submetida ao “uso socialista das máquinas”. De fato, para Panzieri, as enquetes dos Quaderni Rossi mostravam que os trabalhadores estavam estabelecendo essa perspectiva. No entanto, ele ainda alertou contra tirar quaisquer conclusões políticas: “As ‘novas’ demandas da classe trabalhadora que caracterizam as lutas sindicais (estudadas na presente edição dos Quaderni Rossi) não fornecem diretamente um conteúdo político revolucionário, nem implicam em um desenvolvimento automático nessa direção”.

Quando as investigações de Alquati mudaram da FIAT para a Olivetti – de uma fábrica que fazia carros para uma que fazia calculadoras e máquinas de escrever – ele pôde elaborar e desenvolver a análise de Panzieri sobre a tecnologia. No título “Composição Orgânica do Capital e da Força de Trabalho na Olivetti”, Alquati definitivamente trouxe o discurso da enquete operária de volta à linguagem da análise econômica marxista e implicitamente sugeriu um novo conceito: composição de classe.

Enquanto as origens da composição de classe possam ser observadas já no “Relato Sobre as ‘Novas Forças’”, na medida em que Alquati tentou descrever a existência material da classe trabalhadora, seus hábitos e formas de interação e organização, essa enquete anterior tratou o maquinário puramente como um meio pelo qual os diretores reduziam os trabalhadores a executantes. Tornar habilidades obsoletas era simplesmente um meio de acabar com a confiança dos executantes e o novo maquinário um instrumento neste processo. Agora, na enquete da Olivetti, o aumento da composição orgânica do capital era visto do ponto de vista da classe trabalhadora como a recomposição da força de trabalho, a transformação das formas próprias de cooperação operária. A tecnologia, nesse sentido, representava o campo em que as relações sociais de classe estavam incorporadas, mas como parte de um processo dinâmico em que o conflito entre a extração de mais-valia e a insubordinação operária moldavam o processo de produção. Os diretores não eram meros parasitas; enquanto era verdade que os executantes organizavam informalmente seu trabalho concreto, a função da administração era planejar e coordenar esse trabalho dentro do processo de valorização. As lutas dos trabalhadores teriam que articular formas de organização política que respondessem a essa recomposição tecnológica e, nesse contexto, a autogestão não seria mais adequada – exceto a autogestão operária da luta contra as relações do capital.

Se essas enquetes resultaram no começo de uma nova problemática científica e de um acolhimento entusiasmado das novas forças, em seguida a enquete se mostraria mais politicamente divisiva do que os participantes achavam. Depois dos distúrbios na Piazza Statuto em 1962, quando trabalhadores atacaram escritórios da Unione Italiana del Lavoro (UIL) em Turin, Quaderni Rossi se dividiria por discordâncias internas. [10] Enquanto Tronti, Alquati, Negri e outros acreditavam que isso representava uma nova fase da luta de classes, uma oportunidade de romper com a estratégia cada vez mais insustentável de colaboração com os sindicatos, Panzieri viu isso como um impasse político. Não convencido de que as lutas operárias autônomas poderiam produzir uma forma organizacional duradoura – mesmo se a forma dos sindicatos tivesse se esgotado – Panzieri pensou que uma ênfase renovada na enquete e na pesquisa sociológica seria necessária antes que qualquer movimento pudesse surgir.

 

Protesto na Piazza Statutto, 1962.

Essa diferença política era, de forma significante, também uma diferença teórica. Em uma reunião editorial no fim de 1963, Panzieri observou que um ensaio de Tronti era

para mim, um resumo fascinante de toda uma série de erros que a esquerda operária pode cometer neste momento. É fascinante porque é muito hegeliano, no sentido original, como uma nova maneira de reviver uma filosofia da história. É precisamente uma filosofia da história da classe trabalhadora. Fala-se, por exemplo, do partido, mas nesse contexto o conceito de partido não pode ser deduzido ou forçado; só se pode deduzir a auto-organização da classe no nível do neocapitalismo.[11]

Em janeiro do ano seguinte, esse ensaio lançaria o novo jornal Classe Operaia (“Classe Operária”), formado pela facção de Tronti. Seu ensaio controverso anunciaria de forma ilustre, nas linhas do que se tornou então o slogan incontornável do operaísmo: “Nós também tínhamos trabalhado com um conceito que colocava o desenvolvimento capitalista em primeiro e os trabalhadores em segundo. Isso é um erro. E agora nós temos que virar o problema de cabeça para baixo, inverter a polaridade, e começar de novo pelo começo: e o começo é a luta de classe da classe trabalhadora”.[12]

No outono daquele ano, o último de sua vida, Panzieri falou em um seminário em Turin chamado “Usos Socialistas da Enquete Operária”, ao lado da facção “sociologista” que tinha permanecido nos Quaderni Rossi. Ele defendeu “o uso das ferramentas sociológicas para os objetivos políticos da classe trabalhadora” e nisso apresentou um tipo de contraponto ao “Lenin na Inglaterra” [Nota do Passa Palavra: o título se refere ao artigo de Mario Tronti publicado na primeira edição do Classe Operaia, em 1964]. Em sua intervenção, publicada no ano seguinte nos Quaderni Rossi, Panzieri defendeu o caráter anti-historicista da enquete, afirmando que o próprio Capital de Marx continha características de uma análise sociológica.

Nos Manuscritos Econômicos e Filosóficos de Marx e outros escritos anteriores o ponto de comparação é o ser alienado (“o trabalhador sofre em sua própria existência, o capitalista no lucro de seu Mamon morto”) [Nota do Passa Palavra: Mamon seria uma divindade (ou demônio) da ganância e da avareza] e a crítica da economia política é relacionada com uma concepção histórica e filosófica da humanidade e da história. Contudo, O Capital de Marx abandona essa perspectiva metafísica e filosófica e a crítica posterior é feita exclusivamente a uma situação específica que é o capitalismo, sem afirmar ser uma anticrítica universal da unilateralidade da economia política burguesa.

 

A enquete operária enquanto uma prática científica tinha que ser elaborada nessa base – produzindo sua própria unilateralidade em resposta. Para Panzieri, a sociologia marxista “se recusa a identificar a classe trabalhadora com o movimento do capital e afirma que é impossível traçar automaticamente um estudo da classe trabalhadora a partir do movimento do capital”.[13]

Mas qual era o significado dessa unilateralidade? Panzieri indicou sua reprovação pela grandiosa inversão de Tronti e isso foi de fato uma crítica pertinente, prevendo o distanciamento da teoria operaísta da prática concreta da enquete no curso dos anos de 1960 e 1970. Porém, Panzieri foi incapaz de propor uma nova abordagem política; enquanto ele amarrou a prática da enquete a uma análise econômica marxista, ele foi incapaz de fazer essa teoria influenciar a atividade política real que estava começando a surgir e que caracterizaria mais de uma década de luta de classe em sequência. Recentemente, Tronti refletiu sobre essa ruptura:

Panzieri me acusou de “hegelianismo”, de “filosofia da história”. Essa leitura e sua acusação subjacente retornarão frequentemente; apesar de tudo, o hegelianismo foi um fator real, estava efetivamente lá, sempre esteve; enquanto essa ideia de uma “filosofia da história” absolutamente não estava… Não tínhamos uma teoria que se impunha de fora sobre dados reais, mas o oposto: isto é, a tentativa de aproveitar esses dados reais, dar significado a eles dentro de um horizonte teórico. [14]

De fato, o operaísmo seria, por toda sua história, torturado pela tensão entre “filosofia da história” e “dados reais”; isso continua a existir no “pós-operaísmo” de hoje. Mas esses são os riscos assumidos por aqueles cujos olhos estão no “horizonte teórico”. É importante notar que Alquati, que não compartilhava as opiniões de Panzieri sobre a incompatibilidade entre pesquisa e insurreição, rompeu com os Quaderni Rossi e se juntou ao Classe Operaia. Sua concepção de enquete era militante e política.

Por essa razão a síntese teórica de Tronti, em seu ensaio de 1965 “Marx, Força de Trabalho e Classe Operária”, deve ser reexplorada. Esse ensaio forma o grosso de Operários e Capital (1966), com apenas algumas seções finais traduzidas para o inglês. Ao contrário do resto do livro, que consiste de artigos escritos para os Quaderni Rossi e o Classe Operaia, esse ensaio ainda não publicado é um longo e contínuo argumento, desenvolvido com base na marxiologia e análise história de Tronti. Enquanto isso nos leva a uma certa digressão, nós acreditamos que seja uma base indispensável para redescobrir a teoria da composição de classe que a prática de enquete de Alquati sugeria, assim como para desenvolver essa teoria de uma maneira que leva a advertência de Panzieri a sério.

Referências

[1] Cesare Casarino e Antonio Negri, In Praise of the Common (Minneapolis: University of Minnesota, 2008), 54.
[2] Danilo Montaldi, Bisogna sognare. Scritti 1952-1975 (Milano: Colibrì, 1994).
[3] Sergio Bologna e Patrick Cuninghame, “ For an Analysis of Autonomia – An Interview with Sergio Bologna”, disponível online em libcom.org.
[4] O próprio Montaldi acreditou que a sociologia, como Steve Wright relata, “poderia ajudar no desenvolvimento da teoria revolucionária”; veja Storming Heaven: Class Composition and Struggle in Italian Autonomist Marxism (London: Pluto Press, 2002), 21-25. Sobre a divisão dentro dos Quaderni Rossi, veja Marta Malo de Molina, “ Common Notions, part 1: workers-inquiry, co-research, consciousness-raising”, trans. Maribel Casas-Cortés and Sebastian Cobarrubias of the Notas Rojas Collective Chapel Hill, eicp (2006). Finalmente, para mais sobre a copesquisa ou conricerca, e a influência de Montaldi e outro precursor de Alquati, , Alessandro Pizzorno, veja Guido Borio, Francesca Pozzi e Gigi Roggero, “Conricerca as Political Action” em Utopian Pedagogy: Radical Experiments Against Neoliberal Globalization, ed. Mark Coté, Richard J.F. Day, and Greig de Peuter (Toronto: University of Toronto Press, 2007).
[5] Veja Wright, Storming Heaven, 46-58; os textos em si estão contidos em Romano Alquati, Sulla Fiat (Milano: Feltrinelli, 1975): “Relazione sulle ‘forze nuove.’ Convegno del PSI sulla FIAT, gennaio 1961”; “Documenti sulla lotta di classe alla FIAT”; “Tradizione e rinnovamento alla FIAT-Ferriere.” Uma tradução parcial [para o inglês] do texto de 1962, “ Organic Composition of Capital and Labor-Power at Olivetti”,é apresentada nesta edição. Para uma análise bem perceptiva do texto de Alquati sobre a Olivetti e a trajetória da enquete em geral, veja Wildcat, “ The Renascence of Operaismo”, disponível online em libcom.org.
[6] Raniero Panzieri, “The Capitalist Use of Machinery,” trans. Quintin Hoare, disponível online em libcom.org.
[7] Marx, Capital, Volume 1, 544.
[8] Visto que o desenvolvimento posterior da posição ortodoxa era de que a colaboração entre os sindicatos, o Estado e os empregados representava a mudança da competição para a planificação e, portanto, um passo em direção ao socialismo, Panzieri também argumentou que a planificação representava a extensão socialmente necessária do despotismo do capital na fábrica. “O fator básico nesse processo é o crescimento contínuo do capital constante em relação ao capital variável”; como as máquinas crescem mais numerosamente do que os trabalhadores, o capital tinha que exercer um “controle absoluto”, impondo sua racionalidade de produção sobre os trabalhadores e, através do crescimento dos monopólios, estendendo seu planejamento “da fábrica para o mercado, até a esfera social” (“Capitalist Use of Machinery.”) Essa tese seria o objeto do último grande ensaio de Panzieri, “Surplus Value and Planning” [“Mais-valia e Planificação”] na edição 4 dos Quaderni Rossi (traduzido [ao inglês] por Julian Bees e disponível online em zerowork.org). Nesse sentido, enquanto o argumento de Panzieri representou um avanço teórico sofisticado e tinha uma função política útil, ele também continha uma certa reificação das características do capitalismo pós-guerra e perdeu um pouco de sua clareza sobre a natureza das relações de troca capitalistas. De forma interessante, esse ensaio foi seguido nos Quaderni Rossi com o texto de Marx assim chamado “Fragment on Machines” (“Um Fragmento sobre as Máquinas”), retirado dos Grundrisse.
[9] Panzieri, “Capitalist Use of Machinery”.
[10] Veja Wildcat, “Renascence of Operaismo”, para alguns comentários interessantes sobre a Piazza Statuto no contexto da enquete operária.
[11] Citado em Robert Lumley, “Review Article: Working Class Autonomy and the Crisis”, Capital and Class 12 (Winter 1980): 129; também discutido em Wright, Storming Heaven, 58-62. Lumley considera a intervenção de Tronti “uma regressão teórica e política”; como tentaremos demonstrar abaixo, nós discordamos dessa opinião.
[12] Mario Tronti, “Lenin in England”, disponível online em libcom.org. [Nota do Passa Palavra: o artigo possui uma tradução por Homero Santiago, disponível aqui].
[13] Raniero Panzieri, “Socialist Uses of Workers’ Inquiry”, trans. Arianna Bove, eicp (2006).
[14] Tronti, Noi operaisti, quoted in Adelino Zanini, “On the Philosophical Foundations of Italian Workerism”, Historical Materialism 18 (2010): 60.
* [Nota do Passa Palavra: a tradução existente do artigo de Panzieri para o português, realizada por Fernando Araújo, é intitulada “Sobre o Uso Capitalista das Máquinas no Neocapitalismo”, disponível aqui]

Este artigo foi traduzido e dividido em nove partes pelo coletivo Passa Palavra. A versão original está em Viewpoint Magazine.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here